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Facebook comete ‘fake news’ ao tachar de ‘fake news’ uma matéria verídica

Em extensa reportagem, 'Oeste' mostrou como as redes sociais impõem restrições à divulgação do pensamento conservador

Em 20 de julho de 2020, Oeste publicou a reportagem “Imagem da Nasa prova que a Floresta Amazônica não está em chamas”. A fonte principal foi um artigo de Evaristo de Miranda, doutor em ecologia e chefe-geral da Embrapa Territorial há 40 anos, com o título “África em chamas”. Também foi consultado Alberto Waingort Setzer, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nenhum dos dois contestou os dados apresentados.

Apesar da veracidade da matéria, a agência de notícias Aos Fatos afirmou, 11 dias depois da reportagem de Oeste: “É falso que imagem da Nasa prova que Amazônia não está ‘em chamas'”. “A fonte dos dados destacados pela mídia, que reportou o aumento das queimadas na região em junho, não foi a agência espacial americana, mas o Inpe, que usa um número maior de satélites neste tipo de monitoramento”, argumentou a agência. “Além disso, enquanto a imprensa abordou o número de focos de incêndio em todo o mês de junho, o maior para o mês desde 2007, a imagem difundida registra apenas os dados de um único dia (18 de julho).”

Em uma extensa carta de resposta, Oeste explicou que jamais havia usado o satélite da Nasa para contestar os dados do Inpe. “A imagem do satélite foi usada para mostrar como a Floresta Amazônica, diferentemente do que tem sido divulgado pela chamada grande imprensa, não está em chamas — por isso as manchetes destacadas no início.”

De qualquer forma, mesmo observando os dados do Inpe (e não foi essa a intenção da reportagem), era possível constatar que, no bioma amazônico, havia 2.248 focos de queimadas registrados pelos satélites em junho de 2020. Um número abaixo da média para o mês, que é de 2.724 — e bem abaixo do máximo, registrado em 2004 (9.179 focos).

Outra informação equivocada da agência de checagem diz respeito aos satélites usados pelo Inpe. Como o próprio site do instituto explica, a partir de 2002 o satélite de referência passou a ser o “AQUA_M-T (sensor MODIS, passagem no início da tarde)”. “Não existe contradição entre o Inpe e a Nasa, porque os dados usados como referência são os mesmos”, explicou Evaristo de Miranda. “O Inpe não usa vários satélites. Isso sim é fake news.

Apesar das informações verídicas, o Facebook continua mantendo uma tarja sobre a foto da reportagem de ‘Oeste’

Um segundo texto também publicado por Evaristo de Miranda oferece mais evidências de que a Amazônia realmente não estava em chamas na época da publicação da reportagem. “De 1º de janeiro até 31 de julho de 2020, foram registrados 14.707 pontos de calor no bioma Amazônia, contra 15.924 no mesmo período de 2019. Ou seja, uma redução de 7% nas queimadas este ano. Nos últimos 20 anos, os meses de agosto a outubro concentraram 69% das queimadas anuais. Eles definirão a comparação com anos anteriores. O recorde foi em 2004, com 218.637 queimadas. Nos últimos 10 anos, elas caíram e variaram num patamar abaixo das 100.000 queimadas anuais no bioma Amazônia, metade da década anterior.”

Em 2020, segundo os dados do Inpe, as queimadas na América do Sul aumentaram em média 27% em relação a 2019. Na Argentina, o crescimento foi de 150%. No Equador, 120%. No Paraguai, 65% e, na Colômbia, 30%. Enquanto isso, no bioma Amazônia foi de 16% e, no Brasil, 13%. “A imagem da Nasa é um fato, não uma fake news”, diz Evaristo de Miranda. “É o que o satélite observou naquele dia no planeta, não foi algo produzido por uma pessoa, mas por um sistema.”

Apesar das informações verídicas, o Facebook continua mantendo uma tarja sobre a foto da reportagem de Oeste nos posts de todos aqueles que a compartilham. Um aviso alerta: “Informação falsa — Checada por verificadores de fatos independentes”.

“Qual poder o Facebook tem de censurar ou não uma reportagem?”, questiona o advogado Sylvio do Amaral Rocha Filho. “O que fez essa rede social foi um ato irresponsável, baseado numa agência de checagem que obviamente não soube pesquisar corretamente os fatos. É um ataque à honra da repórter e da Revista Oeste.

“Oeste” tem compromisso com a verdade e desafia qualquer rede social a provar que essas matérias estão erradas

Há poucos anos, o Facebook passou a limitar a exposição de sites conservadores. A estratégia foi ajustar o algoritmo da plataforma para dar mais destaque a matérias da grande mídia — por serem, presumivelmente, “isentas” — e colocar em posições menos relevantes sites independentes, categoria na qual se enquadra grande parte da imprensa mais à direita do mainstream. Curiosamente, sete em cada dez “fake news” apontadas tratam de desmentir assuntos que destoam do que se convencionou chamar de “pensamento progressista”.

Numa reportagem especial publicada em setembro do ano passado, Oeste mostrou como redes sociais e plataformas de serviços digitais impõem restrições à divulgação do pensamento conservador e comprometem a liberdade de expressão. Entre os textos, estão três matérias de Oeste. A primeira é a citada acima. A segunda informa que a OMS, depois de passar meses recomendando o lockdown para tentar conter a pandemia do novo coronavírus, recuou e começou a defender a retomada da economia. Na terceira — “Pandemia em declínio: Brasil zerou excesso de mortes em junho” —, o projeto Comprova chegou a entrar em contato com uma das fontes citadas na matéria para, segundo a agência, “entender melhor os números e a metodologia por trás deles”.

O Facebook comete fake news ao tachar de fake news uma matéria verídica. As três reportagens estão corretas. Oeste tem compromisso com a verdade e desafia qualquer rede social ou agência de checagem a provar que essas matérias estão erradas. Caso contrário, que o Facebook e as agências de checagem respeitem os códigos éticos com a retirada de qualquer aviso restritivo ou tarja de censura.

 

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