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A universidade morta

É terminante a proibição à criatividade intelectual, ao debate e às opiniões independentes. Só são admitidos como válidos os pontos de vista de 'esquerda'

Um artigo narrando episódios da vida cotidiana como ela realmente é numa das grandes universidades de São Paulo, e que acaba de ser publicado na revista piauí, revela o lado escuro e muito pouco falado das salas de aula mais elevadas deste país. É, no conjunto, um comentário chocante sobre as realidades do ensino superior público de hoje no Brasil. O autor do relato se apresenta sob um pseudônimo. Ele é um professor universitário e, pelos fatos que expõe, é muito compreensível que tenha mesmo de manter o seu nome em sigilo; do contrário seria impossível, na prática, continuar exercendo a sua profissão.

O depoimento narra a história de um colega da área de ciências humanas — onde mais poderia ser? — que, ao chegar para a aula que iria dar certo dia num curso de pós-graduação, foi informado pelos alunos que a carga de leitura que estavam recebendo era excessiva — dois ou três trabalhos por semana, no máximo de vinte páginas cada um. O que eles queriam, então? Resposta: os alunos exigiram que eles próprios formassem pequenos “grupos auto-organizados”, que teriam o direito de escolher os textos que quisessem ler; assim, poderiam acabar o semestre mais cedo.

O professor disse que iria estudar o caso, em busca de “uma solução satisfatória para todos”. Nada feito, conta o artigo da piauí. “Você sempre quis negociar”, respondeu um dos alunos. “O que nós queremos é romper hierarquias e questionar o seu poder.” Segundo lhe informaram, estavam “lutando pela democratização da universidade e contra as estruturas de poder”. A história acabou dando em nada, mas o trágico é que casos assim, ou ainda piores, se repetem o tempo todo dentro da universidade pública brasileira. Ou, em outras e melhores palavras: a maior parte da universidade pública brasileira, hoje em dia, é isso aí.

Sob a camuflagem de uma linguagem agressivamente esquerdista, que reza por um ensino superior “justo”, “progressista”, “igualitário” etc. etc., muitos estudantes estão exigindo que a universidade funcione como “um supermercado ou um restaurante”, escreve o professor, “onde quem decide o que consome (que textos ler), quanto consome (quantos textos ler), por quanto tempo consome (quantas aulas ter) e como consome (como as aulas devem ser) são os consumidores” — ou seja, os alunos. E os professores? Esses são como um gerente de hotel ou um alfaiate, observa o autor do relato, e sua função é “servir ao cliente”.

É a privatização levada às suas fronteiras mais audaciosas; eis aí a universidade pública transformada em propriedade privada dos estudantes e dos professores que se colocam a seu serviço, ou na sua liderança. O artigo da piauí vai adiante, narrando aberrações que se tornam mais e mais curiosas. Em tal universidade, por exemplo, um aluno exigiu que o programa de pós-graduação desse “garantias” de que todos os estudantes inscritos iriam concluir o seu doutorado com sucesso; em outra, uma professora foi notificada por um aluno, via e-mail, que ele não queria escrever o trabalho final previsto para a conclusão do curso, mas fazia questão de ser aprovado. Nos dois casos, os estudantes se mostraram convencidos de que receber o título é um direito adquirido. A universidade, no seu entender, tem a obrigação de dar diplomas a todos os que passaram no vestibular e fizeram matrícula; se tratar os alunos conforme os resultados de seu mérito e de seus esforços individuais, estará praticando o crime de “discriminação”.

Mais adiante, um pós-graduado, e ainda por cima bolsista, recusou-se a participar de uma reunião on-line de seu grupo de trabalho avisando em cima da hora que estava cansado. Numa universidade do Nordeste, um aluno de comunicação recusou-se a ler um texto pedido pela professora porque tinha ouvido “falar mal” do autor em “um documentário”. A professora lhe disse que ele não podia criticar um texto que não tinha lido; foi acusada de “autoritarismo”. Outro estudante, este de ciência política, informou que o método das aulas deveria ser modificado, pois tinha dificuldade de prestar atenção no que diziam os colegas e ficava perdido. Só falta, nessa balada, que as notas sejam dadas pelos próprios alunos — mas ainda vai se chegar lá. Do começo ao fim, a mensagem é muito clara: a universidade pública brasileira, na perspectiva de quem está recebendo aulas, deve funcionar como local de atendimento a um consumidor privado que busca, como diz o autor do artigo, “minimizar custos e maximizar benefícios”.

Não melhora a questão em nada, é claro, o fato de que a essa desordem se junte um clima de repressão cada vez mais agressivo, e cada vez mais policial, contra o livre trânsito de ideias. Há uma proibição terminante à criatividade intelectual, ao debate e às opiniões independentes; só são admitidos como válidos os pontos de vista que se apresentam hoje como de “esquerda”, mais os seus mandamentos sobre raça, sexualidade, igualdade e todos os demais aspectos ligados à existência humana. Multiplicam-se, conforme relata o autor do depoimento, denúncias sem fundamento algum por “racismo”, “homofobia”, “fascismo” etc. etc. contra quem discorda do sistema de fé ideológica e de desejos políticos hoje em vigor. Estranhamente, não é incomum que as vítimas desses ataques sejam professores negros ou gays que de alguma forma não acompanham as doutrinas oficiais a respeito de si próprios; ou pensam como a “esquerda” quer que os negros ou gays pensem, ou vão ter problemas.

A degeneração geral da universidade pública se manifesta sobretudo na área de ciências humanas

Isso tudo é a própria negação da ideia do que deve ser, de fato, uma universidade pública — um centro de saber, sustentado com recursos de todos, e que existe unicamente para transmitir conhecimento a aqueles que se empenham de verdade em aprender, e que vão devolver depois à sociedade, com as competências que adquiriram nos cursos, pelo menos uma parte daquilo que receberam. Não é um “coletivo”, nem um clube, nem uma central política ou ideológica; é um local de trabalho. Se a universidade não servir para fazer isso, não serve para nada; está morta.

A situação relatada acima não é um problema interno, a ser resolvido dentro dos princípios da “autonomia universitária” — ao contrário, é uma questão de primeira grandeza do ponto de vista do interesse público do país e da sua população. A universidade está sendo privatizada por alunos e pelos professores que são seus cúmplices ou incentivadores, mas ela pertence a todos; são os pagadores de impostos, e ninguém mais, que cobrem cada centavo gasto com a universidade pública brasileira. Mais, e muito pior: o ensino superior, esse templo sagrado da esquerda nacional, é um dos mais descarados instrumentos de concentração de renda hoje em vigor no Brasil. É simples. O investimento total do poder público federal na educação, em números redondos e recentes, está um pouco acima de R$ 40 bilhões por ano: a universidade fica com R$ 10 bilhões desse dinheiro todo. Só que há 45 milhões de alunos estudando no curso básico da rede pública de ensino, e 2 milhões nas universidades estatais. Faça a conta. Quem está levando mais?

Essa montanha de dinheiro não sai do bolso dos brasileiros que estão na lista de milionários da revista Forbes; é paga pelos impostos cobrados de todos, sem exceção, ricos, médios e pobres. Não é preciso ter um Ph.D. em nada para constatar que não há nenhuma possibilidade matemática de se dividir por igual uma conta e achar que o peso maior não vai cair no bolso de quem tem menos. Mais: a população está fazendo esse sacrifício no lugar errado. Segundo os últimos cálculos do Inep, a autarquia federal que cuida dos números essenciais da educação brasileira, o custo médio do aluno no curso básico — onde estão as necessidades mais desesperadas e mais urgentes de investimento — é hoje um pouco abaixo dos R$ 7 mil por ano. Um universitário está custando acima de R$ 28 mil por cabeça e por ano.

Se você acha que isso é um disparate em estado puro, espere até ver os números da Universidade de São Paulo, a maior do Brasil. O pagador de impostos paulista (e brasileiro) coloca ali R$ 5,5 bilhões por ano, dos quais cerca de 85%, ou quase tudo, vão para salários e benefícios. O custo anual por aluno, segundo as últimas cifras do Inep, está acima de R$ 52 mil — isso tudo para que os alunos exijam escolher a própria lição de casa e se empenhem nas lutas pela “democratização da universidade”. As outras duas universidades estaduais têm números semelhantes. É a concentração dentro da concentração.

É verdade que a degeneração geral da universidade pública — algo que talvez se possa chamar de deep university, da mesma forma como há uma deep web, ou a internet das sombras — se manifesta sobretudo na área de ciências humanas; na área de exatas já é outra coisa, muito mais próxima ao que um curso superior deve realmente ser. É normal. Nas humanas os alunos não imaginam a si próprios no exercício de atividades de fato competitivas, que exijam conhecimento, talento e mérito individual. Em geral veem a si próprios, no futuro, trabalhando no governo, em meios de comunicação ou em departamentos de marketing — onde não vai fazer muita diferença, no fundo, se o sujeito aprendeu ou não aprendeu alguma coisa na universidade. Nas exatas, ao contrário, o aluno sabe que o seu desempenho acadêmico pode fazer a diferença no verdadeiro mercado de trabalho — aquele, justamente, que exige mais, mas em compensação oferece ao profissional as ocupações mais bem remuneradas, mais compensadoras e sobretudo mais úteis para a sociedade que pagou por seu curso superior.

Não chega a ser um consolo — o grosso dos gastos na universidade pública do Brasil é torrado justamente nas humanas, em que alunos e professores devolvem ao interesse comum muito pouco, ou nada, do que receberam. Que contribuição se pode esperar, por exemplo, dos cursos de direito sustentados pelo pagador de impostos, num país que já tem por volta de 1 milhão de advogados formados? É por isso que países muito mais bem-sucedidos e muitíssimo mais ricos que o Brasil, como o Japão, começam a pensar seriamente em mudar as coisas em sua universidade pública. O Ministério da Educação japonês vem estudando, a propósito, a possibilidade de não oferecer mais cursos gratuitos de sociologia, filosofia ou antropologia nas faculdades do Estado. Quem quiser estudar essas disciplinas deverá procurar uma bolsa — ou então pagar pelo curso que pretende fazer. A ideia central é permitir que a sociedade japonesa, cada vez mais, pague apenas o ensino universitário que dê um retorno mais objetivo para o bem-estar da maioria. Na Índia, numa situação diferente, o poder público incentiva diretamente o aprendizado superior de matemática e das disciplinas tecnológicas. São exceções, é claro, e é apenas um começo. Mas certamente é um tema para avaliação de todos os que têm preocupações genuínas com a educação no Brasil — e não concordam com a liquidação da universidade pública em favor de interesses particulares, sob o disfarce da ideologia, do que é politicamente correto (e pessoalmente vantajoso) e da devoção ao “campo progressista”.

Leia também o artigo “Universidades sob o comando de tolos militantes”, de Bruno Garschagen

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49 comentários

  1. Apos a aposentadoria resolvi cursar mais uma faculdade Tentei Historia em uma universidade publica mas, nao consegui. Praticamente, todos os professores sao de uma unica escola, a marxista. Normalmente, durante as aulas, os conteudos ficam de lado, a preferencia e a militancia ativa. O capitalismo, para eles, e o demonio a ser combatido. Enfim, desisti e parti para o EAD onde, pelo menos, o conteudo e ministrado e a ideologia e mais sutil. (Obs. nao consegui colocar os acentos)

  2. Ótimo texto. Creio que possa ser levado da Educação para a Saúde: o relacionamento entre profissionais da Saúde e pacientes degenera à mesma maneira.

  3. Notem a contradição hilária… a universidade MORTA fornece mão de obra e entrevistados para o Roda VIVA, da TV (DES)Cultura do DitaDória… Nossas universidades despejam milhares de idiotas úteis, todos os anos, no seio da sociedade. Vejam o caso do jornaLIXO brasileiro: virou um amontoado de fofoqueiros e intrigantes chiliquentos. Por isso há tempos não é necessário diploma de curso superior para exercer a “profissão” de jornalista.

    1. Isso tudo graças ao analfabeto-mor, um tal de “lularápio, luladrão”. Depois a Dilmanta empacotadora de vento. Anos de idolatria para uma nulidade, que além de ser um boçal por completo, asno, quadrúpede, bípede por acaso,ladrão contumaz do dinheiro público. Então Emanuel, fica quase impossível dissociar OS (DES)GOVERNOS PETISTAS DA REALIDADE ATUAL. Com a conivência, anuência, complacência e leniência dos “reitores”. Resultado:País de analfabetos. Iletrados. Ignorantes…

  4. Não sei se é a realidade em outros estados, mas o que vejo aqui no RJ ao conversar com meus amigos que tem filhos em idade escolar ou que são professores, em escolas públicas ou privadas, que essas “revoltas” de estudantes, também acontecem no ensino médio e até fundamental. Lembro com assombro quando descobri que professores da área do fundamental estavam sendo chamados de tios/tias, para mim trata-se de uma desvalorização da carreira, ninguém chama um advogado ou médico assim. É claro que acaba tendo reflexo no ensino superior, esses estudantes não começaram a agir assim ao chegarem nas universidades.

    1. Pergunto,se está assim nas universidades públicas,como estarão as privadas?Deve se assim: não vou fazer esse trabalho,tem que ler muito.Se o professor insistir, terá sua resposta: olha que é meu pai que paga seu salário…

      1. Teresa, essa é a pergunta que eu faria. Pelo que pude viver como professor de universidade privada, aposentado há 15 anos, as coisas tendiam a caminhar nesta direção, não sei se caminharam. Diz um princípio de ensino que o aluno é o objeto da escola e, a ele deve ser direcionada toda a energia despendida. Corretíssimo mas, não se deve perder de vista que, ao mesmo tempo, ele não é o mais indicado para estabelecer processos de ensino pois, está ali para aprender e, portanto, não detém a expertise necessária. Além disso, no dia a dia, acaba prevalecendo o caminho mais fácil, não é?

      2. Sou professor de uma faculdade particular, com 52 anos de existência (autarquia municipal) e as coisas não ocorrem desta maneira. Existe respeito de todos os lados (diretoria, funcionários, professores e alunos). Disto, eu não abro mão!

  5. Já estava anunciado que seria assim.
    Alegrem-se, VAI FICAR PIOR!!!
    Infelizmente a culpa disso é dos pais que votaram nessa corja maldita da esquerda.
    Agora PAGUEM A CONTA e FIQUEM QUIETOS, SEUS TROUXAS !!!!

  6. O resultado é esse amontoado de analfabetos funcionais nos órgãos públicos, principalmente nos cargos de livre escolha/nomeação (sem concurso) dos mandatários, muitos dos quais integram a mesma categoria.

  7. Os porões fétidos das universidades públicas, onde os espaços são destinados a DAs comandados por futuros guerrilheiros antipatrióticos, onde pelados nas cantinas esses futuros “intelectuais” aprender a dar o fiofó, meninas trocam salivas em contestação a tudo o que aprenderam em família, é assunto pro Weintraub.
    Porque tenho que pagar por isto? Estudei no IPUC trabalhando na compensação de banco, chegando de madrugada do trabalho.
    Na Universidade Católica aprendí a ter responsabilidade, paguei uns 2 anos do hoje FIES(CRÉDITO EDUCATIVO?), e não fiquei devendo nada ao Estado.
    Obrigue médicos formados em universidades federais a pagar seus estudos numa residência – de igual período de formação no interior da amazônia – certamente não estarão dispostos a pagar o investimento que Neles fizemos.
    Muda Brasil…e rápido por favor!!!

  8. Pelo texto escrito por GUZZO e pelas informações de um professor de universidade pública,fica claro que a esquerda tomou conta do pensamento geral.Sim sabia das informações,mas não tinha idéia que o aluno mandava no professor e decidia com seus colegas o que queria ler e estudar.A quantidade da leitura e dos trabalhos também.Inverteram-se os papéis:aluno manda, professor obedece.Estudei sim na Unesp (universidade pública do estado de São Paulo),na época institutos isolados da Universidade de São Paulo.Entrei em 1970 e me formei em 1975.Periodo integral,Psicologia,com apenas 40 alunos na sala de aula.Nao faço apologia da ditadura,mas vivi realidade oposta, professor entrava para ensinar sem ideologia e aluno para aprender e cumprir tarefas.Quem pegava mais de duas dependências por dois anos seguidos era jubilado(expulso),governo não pagava para quem não conseguia acompanhar.Sempre vivi de minha profissão,tudo que possuo na vida foi ganho através de minha profissão.Acho bizarro e destrutivo o sistema atual,nada mais a comentar.

  9. Texto muito bom. De forma objetiva e corajosa, expõe as contradições da Universidade pública brasileira, que se tornou um feudo armado para a defesa, principalmente, dos interesses de funcionários, professores e alunos. A nossa Universidade tem um custo muito elevado se comparado ao de outros países mais ricos. No entanto, em nome do princípio constitucional da autonomia, discutir essa questão é proibido pelos que se arvoram em donos da universidade pública.

  10. A universidade pública no Brasil é um caso de polícia. Privatização ugente e volcher para estudante comprovadamente hiposuficiente financeirmente.

  11. Muito bom! Algumas observações:

    1 – não creio ser muito esclarecedor – ou adequado – comparar os gastos FEDERAIS nos ensinos fundamental/médio e superior. Isso porque, a rigor, a responsabilidade por aqueles primeiros é de Estados e Municípios. No Brasil, como tudo é “gambiarra”, uma vez que aquela equação não estava “funcionando”, a União também passou a financiar o fundamental/médio (uma responsabilidade subsidiária que pode ser “extraída” da Cidadã – aquela que tem princípios contraditórios para tudo e espremida por quem entende da arte, tudo permite). De qualquer forma, deve-se considerar os gastos de Estados e Municípios para se ver quanto gasta-se na educação “básica” (obs. 2 abaixo);

    2 – pelos próprios dados do texto, são 45 milhões de estudantes. O gasto médio é de aprox. R$ 7 mil, logo o gasto total/ano = R$ 315 bilhões! Mas a União entra com.. R$ 30 bi (R$ 40 bi no total menos os R$ 10 bi das universidades). Pois bem, qual a “relevância” desses 10 bi no total gasto em educação? Se for todo redirecionado (zero p/ universidades?) para o ensino básico, o orçamento deste cresce 3% (na média: de 7 mil por aluno para 7,2 mil). Qual a relevância para o ensino básico tendo em vista o “sacrifício” do superior? (e se fosse redirecionar só metade?)

    3 – por outro lado, pode-se apontar universidades públicas financiadas por Estados! Fica a pergunta: por que aceitamos que Estados financiem ensino superior (responsabilidade primária da União) se não “cumprem” a obrigação de oferecer um bom ensino básico?
    (aqui também poder haver a questão da proporcionalidade: um desproporção considerando médias, mas valores relativamente baixos quando considerados os absolutos)

    4 – o texto dirige suas críticas às “humanas” e até “destaca” – ou mesmo “exclui” – as exatas/ciências/biológicas da “praxis” deturpada ora denunciada. Pois bem, esta era a realidade até “anteontem”, pois já me chegou edital para contratação de professor de engenharia para ministrar aulas de “Engenharia e Gênero”. Enfim, essa “doença” vai contaminar tudo!!!

    5 – Acredito até que, no final, essa população universitária e suas loucuras levarão à “derrocada” da Universidade. Ou seja, a simples “falência” social dessa instituição (sua produção não valerá nada, não será ouvida e não gozará de prestígio ou apreço junto à sociedade);

    6 – Por tudo isso, creio há uma necessidade quase urgente de se “redesenhar” a universidade (e até mesmo redefinir o que é ensino superior e/ou criar novas gradações e “categorias”, tais como superior técnico, especializado, básico, pleno, etc.).

  12. Na minha visão, isso é um assunto a ser enfrentado com o oferecimento de alternativas educacionais desses modelos. Escolas Militares e com visão de mundo conservadoras devem ser oferecidas desde cedo, igualmente às Universidades. Estamos diante de uma Guerra cultural que não será vencida no confronto contra essas pessoas pessoas já convertidas. Deve se pensar em oferecimento de modelos alternativos diametralmente opostos a esses atuais. Os cursos tecnológicos não apresentam esses problemas, mesmo nessas Nefastas Universidades federais, então devem ser criados novos cursos de Humanas em outras Instituições e fazer uma propaganda massiva desse novo modelo, ignorando os modelos já existentes que se mostram falidos. O Estudante vai decidir se quer ser um imbecil ou um catedrático. É o que penso

  13. Pagamos as universidades para transformar nossos jovens em zumbis! O ensino médio também já está bastante contaminado, sobretudo nos Institutos Federais.

  14. Tudo tem um começo. Que se inicie as mudanças, sob a inspiração do Japão e da Índia. Como sempre, mais um ótimo artigo.

  15. “Ministério da Educação japonês vem estudando, a propósito, a possibilidade de não oferecer mais cursos gratuitos de sociologia, filosofia ou antropologia nas faculdades do Estado. Quem quiser estudar essas disciplinas deverá procurar uma bolsa — ou então pagar pelo curso que pretende fazer. ” ISSO SERIA UM SONHO AQUI NO BRASIL.

  16. Esse tipo de “doutor” só serve para ser funcionário de um “governo” tipo Dilma. Todos os “formandos” ficam aguardando um “emprego” no governo e, mesmo aí serão um fracasso. A esperança é tal situação ser mudada antes do “fim do mundo”…

  17. Toda uma geração de professores sindicalistas que foram formados como alunos “protegidos” por um Estado sem objetivos, além do olho nas pesquisas eleitorais, acabou gerando esse estado de coisas, que não vai ser solucionado em pouco tempo. A “comunidade científica” postuladora de verbas para salários e benefícios, e dedicada à vergonhosa adoção acrítica do modo “universal” de ver o mundo vai continuar a censurar qualquer ideia diferente.
    A universidade/sindicato precisa ser combatida com a obrigação de produzirem, professores e alunos, qualidade real, e não mimetismos pueris do mundialismo cortês e desprovido de razão.
    Para começar, poderíamos cortar as verbas da universidade federal e aplicá-las na formação de professores de verdade para o ensino fundamental e médio. O dinheiro farto tem sido o objetivo dessas “vítimas do sistema”.

  18. Texto brilhante além da denúncia do mau uso que administradores, professores e alunos fazem com o dinheiro dos pagadores de impostos. Muito interessante a idéia do governo japonês para depurar que faculdades são importantes para os pagadores de impostos no ensino superior público.

  19. Tchê, vc sempre tem a medida certa. A não gratuidade de cursos de ciências humanas (acho que Direito também tem que entrar nesta quadratura) em favor de áreas mais técnicas, como aquelas ligadas a Saúde, Biotecnologia, Genética, Matemática, Física, Química e outras é algo que deveria ser discutido. Na brincadeira a gente já estava pensando em colocar uma bandeira vermelha em frente às universidades com grades curriculares de esquerda e outras com a bandeira azul para universidades com conteúdo liberal e com as da Bandeira do Brasil para as independentes. Assim, democraticamente, o aluno escolheria a que mais se adapta as suas necessidades. Esqueci as de cunho religioso. Finalmente, gostaria que o pessoal da revista prestasse atenção no site. Sou assinante e sempre, antes de abrir as matérias, sempre aparece convite para assinaturas… está me deixando nervoso.

  20. Sou professora. Cursei Letras e sempre trabalhei com a língua inglesa. Minha trajetória acadêmica é em Humanas, portanto. Tenho especialização, mestrado e doutorado obtidos em instituições públicas e privadas. Como o nosso “autor desconhecido”, considero lamentáveis (para não dizer insuportáveis) os posicionamentos da grande maioria de meus colegas, em qualquer âmbito que seja, defendendo o indefensável e tratando de assuntos que afetam o dia a dia de todos nós de maneira rasa e desconexa da realidade. Uma das minhas hipóteses para esse horror que vivemos é que, dentre tantos outros aspectos, um dos que mais impactam é o altíssimo nível de empregabilidade dos professores, em geral, e dos professores da educação básica, em particular. “Qualquer um” pode ser professor. “Qualquer um” pode preparar uma “aulinha” e enfrentar turmas de crianças, jovens ou adultos. Seja em instituições públicas ou privadas, seja no nível fundamental ou pós-graduação… “qualquer um”… não há critérios objetivos que indiquem, minimamente, que o sujeito que adentra uma sala de aula tem, além dos conhecimentos técnicos ou do conteúdo que deve ensinar (quando tem!), estabilidade emocional, discernimento, habilidades específicas de gestão de sala de aula, entre outros. É só um raciocínio: o altíssimo nível de empregabilidade é um grande problema que temos que encarar. Profissionais incompetentes e despreparados estão em todos os lugares, mas a grande maioria deles está à frente de turmas de estudantes Brasil afora.

  21. Acredito que o Brasil precisa redefinir suas prioridades, ou seja, deve priorizar cursos que deem retorno efetivo, como as áreas de T.I, robótica, engenharias, saúde etc. Outro ponto é o investimento no ensino básico, que deve ser maior e mais eficiente. Artigo excelente do Guzzo.

  22. Façam o que quiser com os cursos de Filosofia, Sociologia, Psicologia e Antropologia desde que não seja com dinheiro público! Não chegou o momento de se auditar os bilhões de reais destinados às Federais? Algumas mamatas acabaram, porém ainda permanece a das universidades!

  23. As universidades públicas brasileiras chegaram ao fundo do poço! A mentalidade vagabunda da esquerda praticada por professores e alunos as levou ao desastre. Forma párias que não acrescentam nada de positivo a absolutamente nada. São os vagabundos da imprensa lixo, ou e se tornam “professores” nas próprias universidades, ou vão ser funcionários públicos incompetentes que só fazem politicagem de esquerda dentro do governo. São eles os representantes TOP da Republiqueta Bananeira Brasil! Um escárnio aos brasileiros trabalhadores de verdade que levam esse país nas costas. Ou se coloca um fim nesse desastre ou ficaremos eternamente na indigência em que está mergulhada a Educação nesse país há décadas! A nação que se lasque por conta desses vagabundos!!

  24. Excelente radiografia, na mesma linha do Flávio Gordon, em seu livro “A Corrupção da Inteligência”.
    A situação é tão calamitosa que só vejo um caminho: privatizar as Instituições de Ensino Superior Públicas, começando pelas áreas de Humanas e Sociais. E investir na Educação Básica.

  25. As Universidades Federais estão piores…mas aí o PR quando deseja mudar tudo, cortando as cabeças dessa aberração (Reitores ideológicos incompetentes); vem o STF e diz que o PR não pode mudar a bel prazer, que ora foram instados pela corrente progressista da própria Universidade, ou seja, pelos sindicatos e ptralhas da linha Paulo Freire. Então, se não começar pela gestão, vai começar pela democratização que alunos profissionais (que nunca saem da universidade) desejam???

  26. Mestre Guzzo, somente os fracos se dobram a exigências tão absurdas.
    Basta um rotundo não e ponto final.
    Falta coragem destes professores, se exponham, deem nomes ao bois e deixe o pau comer.
    Muito mimimi.

  27. Grande Guzzo, gastamos muito mais do que vc informou. Universidades e Institutos Federais tiveram previsão orçamentária de 52 bilhões, de um total de 145 reservado ao MEC, para 2021. Metade desse dinheiro já está liberado e a outra metade será negociada com o congresso, que sempre liberar tudo. E ainda tem gente reclamando.

  28. Esse é o estrago que a esquerda fez, e continua fazendo, ao Brasil. Todas as universidades públicas funcionam dessa forma. Levar-se-ão décadas para inverter essa situação inadmissível e insustentável com dinheiro público.

  29. Um agravante nesse quadro universitario caotico eh o fato de que essa enxurrada de individuos que se forma, e nao agrega nenhum valor objetivo para a sociedade (na sua grande maioria), sente-se merecedora de creditos e deferencias a que nao fazem jus. Sao parias intelectuais a demandarem um espaco profissional inexistente. Esses diplomados enxameiam as midias sociais com jargoes socialistas, com uma visao enviesada do mundo, revoltados com o fracasso com que convivem. Atacam os conservadores justamente por invejar-lhes o pragmatismo existencial, enxergando a vida como ela eh. Os progressistas necessitam da protecao do estado. Nao sao nada sem o paternalismo publico ou privado, que lhes supra a propria insignificancia e indigencia.

  30. Essa situação era previsível, há muito tempo. A esquerda catalisou uma vacuidade que, infelizmente, o Brasil veste com assombrosa desenvoltura. A verdade é que o ‘jeitinho brasileiro’ percorre cada canto da vida nacional, incluindo o desenvolvimento cognitivo dos cidadãos, que, aqui, tendem a já ‘saber tudo’, não precisarem ‘perder tempo’ com grandes formações intelectuais. A ignorância fútil sempre caiu muito bem para a média dos brasileiros – independentemente da classe social.

    Dizer para os professores o que se quer aprender ostenta uma premissa tão absurda quanto necessária: que eu JÁ SE CONHECE AQUILO QUE SE DESEJA APRENDER (!!). Logo, NÃO SE PRECISA aprender. Tratar-se-ía de ‘jovens sábios’, professores dos professores, que ‘sugerem’ o que os professores devem ensinar…

    Bando de narcisistas patológicos, isto sim. Somos um país ruído, deteriorado, anões do caminho da evolução. Nossa esquerda reflete com impecável precisão a essência de nossa incapacidade civilizatória.

  31. Gostaria de sugerir que fosse aberta uma pauta para investigar os salários dos professores das Universidades Federais e a carga horária : será um espanto! Também digo com convicção de quem vê todos os dias essa realidade: investiguem o corporativismo na formação continuada. Sá ganham bolsas na Pós , Mestrado e Doutorado aqueles que comungam com as ideias e ideais dos “orientadores”. Ninguém de fora das Federais consegue acesso às bolsas também. Os concursos ditos “públicos” são direcionados para escolha de mais esquerdeopatas. Você pode tirar dez nas provas, mas a “Banca” é quem dá a palavra final escolhendo quem já estava escolhido antes d concurso. Digo porque já passei por isso. Os professores é que fazem seus horários: dão aulas o dia que querem, quando querem . Quem estuda em Federal jamais poderá ter outra ocupação, pois há aulas em dias alternados, em horários alternados sem que seja possível ao aluno fazer uma agenda própria de trabalho para se sustentar. Aqui na minha cidade, a Universidade Federal – que não produz absolutamente nada- faz greve todos os anos. Já faz parte do calendário da cidade: greve dos Correios, do Banco de Brasil e da Universidade. Todo santo ano. Nas redes sociais é fácil achar os professores em greve nas praias de Cabo Frio. Alia, as greves nunca parecem greves: não tem carreata, carros de som , cartazes colados nas praças , nada. É a greve branca pedindo sempre aumento de salário. Todas as obras da Universidade foram objeto de inquérito pela Polícia Federal com prisão até de Reitor. É nesse pacote de mixórdias que vivemos. E tem mais: para ser integrante do tal Diretório Acadêmico tem que ser filiado a algum “partidão”.

  32. Posso opinar com clareza a realidade que presencio. Meu cunhado com o auxílio do sistema de cotas entrou há sete (07) anos para a universidade estadual para cursar engenharia elétrica. Ingressou no Grêmio estudantil e não estuda. Vai em reuniões para derrubar reitor, para passeatas de esquerda, etc. estudar? Nada! Gasta o dinheiro do pagador de impostos, não deixa outro estudante ocupar o seu lugar e se formar, para dar retorno aos pagadores de impostos. Completou esse mês 31 anos de idade e não sabe quando irá se formar e ou se vai se formar. Quanto custa esse idiota para os pagadores de impostos? .

  33. COMO EX PROFESSOR UNIVERSITARIO, HOJE APOSENTADO, VOU DAR UMA OPINIÃO PARA ESSE UNIVERSO ONDE MUITOS FINGEM QUE ENSINAM, E A MAIORIA FINGE QUE APRENDE:

    ENSINO PUBLICO GRATUITO SOMENTE NO PRIMEIRO SEMESTRE DO PRIMEIRO ANO. SE CONSEGUIR MEDIA EXCELENTE, GANHA BOLSA ATÉ A PROXIMA AVALIAÇÃO, SE FOR BOM, ENSINO GRATUITO( TAMBEM ATÉ A PROXIMA AVALIAÇÃO) REGULARES, MEDIOCRES E E INQUALIFICAVEIS, PAGAM O ENSINO, TAMBEM ATÉ A PROXIMA AVALIAÇÃO, E ASSIM POR DIANTE. ENTÃO ESTÁ INSTITUIDA A MERITOCRACIA, QUE DEVE SER ESTENDIDA A TODOS DOCENTES E GESTORES, ATRAVES DE METAS A SEREM CUMPRIDAS.

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