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Acredite: o mundo está melhorando

A pandemia atormenta nossa vida e há muitos outros desafios a superar. Mas o planeta está ficando cada vez melhor para todos nós

A cada 24 horas, 24 mil seres humanos morrem de fome nos cinco continentes. Mil por hora. Quase 650 milhões sobrevivem em situação de extrema pobreza, com menos de US$ 1,90 por dia (aproximadamente R$ 10). Os analfabetos somam 750 milhões de mulheres e homens espalhados pelo planeta e a rede de saneamento está fora do alcance de 4 bilhões de pessoas. Mas, acredite: o mundo está melhorando.

É o que mostram gráficos, mapas e diversos dados compilados pela Revista Oeste com base em números fornecidos por instituições de alta credibilidade. As estatísticas provam que, apesar de tudo, o mundo nunca foi um lugar tão bom para viver. O século 20 e este começo do 21 viram a diminuição da fome, das taxas de analfabetismo e da pobreza — e, simultaneamente, a expansão do uso de energia limpa, do acesso à informação e ao conhecimento, do desenvolvimento da medicina, da facilidade para viajar e do conforto para morar. Mais animador ainda: é possível aproveitar tudo isso por muito mais tempo.

Nos últimos 200 mil anos, a maioria das pessoas não completava 25 anos de vida. “A expectativa de longevidade global disparou no século 19 e depois dobrou no século 20, um piscar de olhos em termos evolutivos”, informou uma reportagem do jornal britânico The Guardian em outubro de 2020. Nem todos os lugares, convém ressalvar, melhoraram no mesmo ritmo. No Japão, por exemplo, as pessoas vivem em média até 85 anos. Na República Centro-Africana, apenas 53. Embora essas disparidades sejam chocantes, o prolongamento da vida é uma das maiores conquistas da humanidade.

No Brasil, enquanto a expectativa de vida de um bebê nascido em 1968 era em média de 58 anos, aqueles que nasceram em 2018 ultrapassarão facilmente os 75. Os principais responsáveis pelo fenômeno são os avanços da medicina, os cuidados preventivos com a saúde e a alimentação mais saudável. Cientistas garantem que já estão entre nós as crianças que viverão até os 150 anos. E é cada vez maior o número dos futuros centenários.

Não é pouca coisa, mas não é tudo: a mortalidade infantil é cada vez menor. “Restos humanos coletados em sociedades de caçadores-coletores apresentam taxas de mortalidade de até 70%”, constatou o The Guardian. Em meados do século 19, uma em cada duas crianças morria antes de completar 5 anos. Hoje, uma criança que morre antes de atingir a idade escolar é um evento relativamente raro. Calcula-se que seja 1 em cada 27 no mundo todo, em comparação com 1 em cada 11 em 1990.

No Brasil da década de 1940 morriam antes de completar 1 ano de idade quase 150 crianças em cada mil nascidas vivas. Outras 77, antes dos 5 anos. Em 2018, esses números caíram para 12 e 2, respectivamente.

Outro salto positivo ocorreu no campo da educação. Na década de 1950, a maioria das pessoas que viviam fora da América do Norte e da Europa Ocidental tinha menos de quatro anos de escolaridade. Passados 70 anos, a duração média do tempo de estudo dobrou. O número de crianças e adolescentes fora da escola também despencou. Na década de 1970, estavam nessa condição quase 30% daqueles que deveriam cursar o ensino fundamental. Hoje, esse total não chega a 10%.

Em 1820, apenas 10% das pessoas com mais de 15 anos sabiam ler e escrever. Essa proporção subiu para 30% em 1930. Hoje é de 85% no mundo todo. No Brasil, a taxa de analfabetismo em 1970 era superior a 30%. Em 2019, não passava de 7%. Os dados são menos animadores nas escolas públicas: 55% das crianças saem do 3º ano do ensino fundamental não alfabetizadas e quase 10% chega ao fim do ensino médio sem saber o suficiente de matemática. Depois de quase um ano de escolas fechadas por causa da pandemia de coronavírus, tal situação tem tudo para ficar ainda mais desoladora.

As carências no saneamento básico, uma das maiores vergonhas nacionais, tendem a se reduzir. Em 1989, menos de 50% dos habitantes dos municípios brasileiros tinham acesso à rede de coleta de esgoto. Em 2017, esse número superava os 60%. Com a aprovação no ano passado do novo Marco Legal do Saneamento Básico, que permite a ampliação de investimentos por parte da iniciativa privada, esse índice vai melhorar exponencialmente.

Em contrapartida, o serviço de telefonia deu consideráveis saltos qualitativos e quantitativos. Em 1990, havia 1 milhão de celulares e 10 milhões de telefones fixos. Naquela época, uma linha telefônica era tão rara e tão cara que os anúncios oferecendo aparelhos ocupavam páginas inteiras dos classificados dos jornais. Ter mais de um número de telefone era um luxo. O bem era declarado no Imposto de Renda e fazia parte do espólio legado pelos mortos a seus descendentes. Trinta anos e uma série de privatizações depois, existem quase 230 milhões de linhas móveis e 34 milhões de fixas no Brasil. O número é superior aos 210 milhões de habitantes.

Hoje, um smartphone é um computador portátil milhões de vezes mais eficaz do que todos os computadores da Nasa da década de 1960, quando a agência espacial norte-americana enviou dois astronautas à Lua. Nos países ricos, mais de 85% da população tem acesso à internet, enquanto a média nos países em desenvolvimento é de 43%.  Ainda assim, o crescimento da conectividade nas últimas décadas foi notável. Segundo a reportagem do The Guardian, “estima-se que 75 bilhões de dispositivos estarão conectados a cada pessoa, lugar ou empresa até 2025”.

“As mudanças positivas demoram mais, porque são construídas ao longo de décadas ou mesmo séculos”, observou o economista Max Roser, da Universidade de Oxford, autor de seis gráficos, publicados em seu site no fim de dezembro de 2017, que mostravam como a humanidade havia progredido nos últimos 200 anos. Roser destacou seis tópicos: pobreza extrema, educação, alfabetização, democracia, vacinas e mortalidade infantil.

“Há 130 mil pessoas a menos em situação de pobreza extrema que ontem”, ressaltou Roser, numa reportagem do El País. “Poderíamos ter repetido essa informação diariamente desde 1990. Em 1820, só uma pequena elite desfrutava de padrões de vida elevados, enquanto a ampla maioria enfrentava condições que hoje seriam classificadas de pobreza extrema. Em 1950, eram três quartos dos habitantes do planeta. Em 2016, a porcentagem caíra para 10%. Tudo isso graças ao crescimento da produtividade, que compensou o fato de a população ter se multiplicado por sete nos últimos 200 anos.”

No Brasil de 1979, por exemplo, era produzida 0,4 tonelada de alimentos para cada um dos 119 milhões de habitantes. Na safra de 2020, o agronegócio chegou a 1,2 tonelada para cada um dos 210 milhões de brasileiros.

“Evidentemente, devemos focar o que continua ruim para tentar melhorar”, observa Roser. O economista, entretanto, chama a atenção para a importância de perceber o que está indo bem, o que “nos anima a continuar”. “A principal mudança nos últimos 200 anos é que nos demos conta de que esses problemas têm solução”, disse. “Há dois séculos nem mesmo sabíamos que havia um problema.” O mundo, quem diria, está cada vez melhor.

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36 comentários

  1. Um mundo melhor que evidentemente precisa de mais melhorias, mas que progrediu. Enquanto isso facilidades atuais criam pessoas mais fracas e fúteis.

    1. Bravo Branca Nunes, uma visão de mundo real(pois vem acompanhada de fatos reais)e positiva.Fiquei feliz hoje de ver pela Jovem Pan uma idosa de 96 anos, totalmente lúcida e bem informada tomando aqui em São Paulo,sua vacina contra o Corona vírus.Sim também acredito que avançamos bastante.Temos bastante ainda para melhorarmos,mas fiquei muito feliz de ler seu maravilhoso artigo, alento para a alma.

  2. Houve uma época em que não havia rádio; depois vieram o rádio, a TV, o PC, o smartphone. Também houve um tempo em que sequer havia água encanada ou penicilina e aspirina. Muitas coisas acontecem pela própria força da história centralizada na mola propulsora de sempre: money. O mundo melhora, mas imagina quão grande poderia ser essa melhora se os protagonistas da história fossem mais éticos.

      1. O menos ético, continua sendo o ex-presidiário, o apedeuta de Garanhuns, o energúmeno, o desclassificado, o analfabeto, o despreparado, o verme mais abjeto e rastejante, uma pústula, um cadáver ambulante, putrefato e ainda insepulto, cujo codinome, até criancinha de cinco anos conhece: O LULARÁPIO, O LULADRÃO !!! Tenho dito.

      2. Caro Álvaro,
        Sua resposta foi perfeita. Está faltando AMOR na humanidade por isso estamos nestas condições.

      3. Excelente matéria, repleta de dados, trazendo um viés que não é o usual.

  3. É, realmente, animador. É louvável a matéria de vocês.
    Como diz o pesquisador:”Evidentemente, devemos focar o que continua ruim para tentar melhorar.”

  4. Alguém já comentou que quanto maior a classe média de um País, mais democrática será sua população o que levará a um grau de desenvolvimento(IDH) pleno. Torcemos para que o nosso País esteja nesse caminho.

  5. O Avanço tecnológico garante a evolução da qualidade de vida da humanidade, e tem gente que ainda é contra as boas coisas do mundo moderno.

    1. Olá, André, boa-noite. Particularmente, não me incluo no grupo que você cita em seu comentário, mas ao mesmo tempo insisto em ficar com um pé atrás. Tenho 64 anos e, portanto, conheci o antes da tecnologia. Ninguém quer mais voltar para lá. Porém, o que me dá medo são as intenções nada ocultas de progressistas, comunistas e toda essa laia imprestável que promete nos dominar. Infelizmente, o grosso da tecnologia se encontra nas mãos deles. Esse é o problema.

  6. O artigo é um alento em época de pandemia e restrição de liberdades individuais.
    Pra garantir o avanço é necessário combater o monopólio da verdade pelas “fake news de grife” pra evitar a imbecilidade coletiva.

  7. Avanço numérico educacional não quer dizer nada quanto à qualidade. Discordo que tenha melhorado tanto assim o mundo em que se vive, quando se politiza até mesmo um medicamento para controle de doença como a SARS-Covid-2… bastante e muito mais pérfido e sem coração isso sim…

    1. As melhorias econômicas, médicas, científicas, sanitárias, estruturais, de comunicação… são fundamentais, sem dúvida. Mas a desconexão do homem com a realidade é muito preocupante mesmo.

  8. Tá boa a ideia com o lado positivo. Um dia desses no meu cantinho do face especulei sobre o lado positivo da pandemia. Entre os pontos que ousadamente destaquei e acho que vocês também viram, é que me espantei com o número de idosos acima de 90 e até de 100 anos de idade. Esta escala de prioridades para vacinação está mostrando um número muito grande de idosos, acima do que a estatísticas estavam estabelecendo. Aliás, na pandemia também se descobriu um exército de invisíveis muito maior do que era estimado. Tem mais, mas fico por aqui.

  9. É a história do copo meio cheio ou meio vazio. No nosso caso, infelizmente, não há o quê comemora. Poderíamos escrever artigos com gráficos e estatísticas mostrando os milhões de brasileiros na informalidade, outros milhões invisíveis, outros milhões de desempregados, outro milhões de Nem-Nem , milhares de cidades sem UTI’s , milhões de pessoas nas filas intermináveis dos exames e consultas no SUS, milhões de desalentados- que nem procuram mais empregos- , milhões de jovens que mal sabem fazer uma redação ou um regra de três simples e por aí vai. Há uma concentração de renda nefasta, um funcionalismo obeso e ineficiente, um Congresso que legisla para suas causas próprias e um Judiciário ativista e intrometido nas atribuições dos outros poderes. O texto é em tese perfeito, não há nenhum erro estatístico ou conceitual, entretanto as estatísticas são como dizia Joelmir Beting : “se você come dez quilos de filé mignon e eu nenhum, a estatística vai dizer que você como 5 Kg e eu 5 “. Os dados mostram avanços importantes, mas longe, muito longe de serem comemorados. Falo aqui sobre a política brasileira e o judiciários, pois são atores importantes que financiaram ou se omitiram para este estado de coisas acontecesse.

    1. Pobreza é problema, desigualdade não. O que impede o pobre de ter mais não é o rico ter muito mais, é a falta de oportunidades consequência de economias que não crescem ou o não combate a monopólios e concentração de poder (não de riqueza).

      Liberdades fundamentais devem ser defendidas a qualquer preço e o Politicamente Correto combatido com toda a energia de nossas vidas.

  10. Avanços da medicina tem pouca influência no aumento da longevidade, perdendo de longe para o desenvolvimento das vacinas (relacionada a biologia e química) e expansão do saneamento básico. E falar de alimentação mais “saudável” é conversa bundalelê, o que tivemos foi a tremenda diminuição da fome, principalmente após a Revolução Verde de Norman Bourlaug.
    O corpo humano pode durar até +/-120 anos, e sempre foi assim. Aumento da MÉDIA de expectativa de vida não vai mudar isto. Ouvir falarem de 150 anos ou mais de vida me traz a mente os Struldbruggs das Viagens de Gulliver!

  11. Em 1820 somente 10% das pessoas sabiam ler e escrever enquanto a maioria eram analfabetas e pobres. Foi nesse contexto que Marx escreveu O Capital e teceu críticas ao capitalismo. A reportagem esclarece que aquelas discrepâncias não existem mais, mas ainda há quem acredite nelas.

  12. Parabéns, Branca Nunes pela qualidade, pertinência e conteúdo do texto. Artigos dessa qualidade não têm espaço na grande mídia que prefere seguir a corrente do quanto pior melhor. Mas, com trabalhos como o seu e de outros tantos que também festejam o quanto melhor é melhor chegaremos lá.

  13. Muito alentadora a reportagem. Me faz lembrar minha mãe que sempre diz que a vida hoje é muito melhor que o de 50 anos atrás. Onde ela precisava andar 5Km para estudar e nem sapato as irmãs tinham.
    Mas algo me chamou atenção, que é o nível de escolaridade do Brasil comparado aos outros países do mundo. Precisamos melhorar muito, pois não temos um sistema de ensino eficiente e isto tem consequências diretas com o futuro do país.
    Que venham dias melhores com relação a educação, pois nos últimos 30 anos andamos de lado.

  14. A imprensa geralmente publica dados negativos que fazem crer que pioramos o tempo todo o que este artigo relativiza. adorei, não deixa de ser um sopro na alma

  15. Vi o filme documentário “O Império Romano” e aí pude ver como o povo sofria inclusive FOME. Uma época sangrenta que durou séculos. Comparando hoje com aquele tempo até podemos dizer que somos muito sortudos por termos nascido bem depois. Mas ainda falta muito para chegarmos a uma situação bem melhor para o mundo.

  16. A melhora material é evidente, mas, isto não se permeou para os valores morais, estamos cada vez mais se distanciando dos valores que moldaram o ocidente; a falta de respeito ao individuo é evidente. O coletivo “idealizado”, com valores que não representam as vontades individuais esta criando um sociedade frágil, dependente e manipulável.

  17. A expectativa de vida aumentou muito nos últimos 200 anos. Mas em tempos antigos vivia-se muito, nas casa das centenas de anos. Adão, Noé, Matusalém. Enoque foi arrebatado, porque andava com Deus e a situação estava começando a se deteriorá até que chegou lá pelo capítulo 6 do Gênesis, em que a perversão e a afronta ao criador se acumularam chegaando às “narinas” de Deus em cheiro fétido…. e daí todos sabem o que aconteceu.

  18. A receita da potencia mundial chamada Brasil é simples
    1) Reduz o congresso pela metade
    2) Reduz os gastos com a politica pela metade
    3) Acaba com as estatais
    4) STF só com carreira e sem nenhuma mancha e ideologia partidária
    5) Acaba com a garantia de emprego do Funcionário Público. Se não presta demite.
    6) Corrupção = desvio do recurso público – cadeia em primeira instancia
    7) Em 5 anos, direito a processar pelo valor que julgar oportuno, mesmo que signifique enriquecer.
    8) Ação penal sem recurso após segunda instancia
    9) Assassinato e roubo dos recursos públicos não prescreve
    10) Sem verbas para eleições
    Em menos de 3 anos o Brasil vira uma potencia mundial

  19. Boas notícias aparecem primeiro na Revista Oeste.Ainda que, por certo,Cuba,Venezuela,metade da África,3/4 da China,1/2 da Rússia,5/4 do mundo muçulmano e outros guetos pelo mundo tenham contribuído pouco, para a boa matéria, de que o mundo está melhor.A queda do comunismo deve ter contribuído muito para os gráficos positivos.Parabéns a Branca Nunes e Artur Piva.

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