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5 grandes mentiras sobre o agronegócio

É hora de combater as falácias sobre o setor que mais se destaca na economia nacional

Um misto de preconceito, desinformação e má vontade. É esse coquetel que deforma o agronegócio aos olhos de boa parte dos brasileiros. Para combater essas lendas urbanas — ou lendas rurais —, surgem novas publicações, sites e associações que procuram mostrar o rosto real de um setor que todos os anos brinda o país com números crescentemente animadores. É o caso das Mães do Agro, grupo formado por agricultoras que decidiram agir depois de constatar, por exemplo, que os livros didáticos usados por seus filhos responsabilizavam o trabalhador do campo pelo desmatamento e vinculavam o trabalho escravo à existência de grandes propriedades rurais.

Nessa onda, nasceu também o site Todos a Uma Só Voz, lançado em 23 de fevereiro deste ano. “Nosso objetivo é conversar com todos aqueles que compõem a extensa cadeia produtiva do agro, desde a dona de casa até o produtor rural, passando pelas indústrias, supermercados, feirantes, donos de restaurante etc.”, resumiu Ricardo Nicodemos, coordenador do movimento e vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA). “É surpreendente o número de pessoas que desconhecem o universo do agronegócio. Recentemente, perguntaram a crianças onde era feito o leite de caixinha que elas bebiam. A resposta foi: ‘No supermercado’.” Uma das seções do site aborda justamente “os mitos e verdades do agro”. Lá estão respostas a perguntas como “O boi é responsável pelo aquecimento global?”. Ou: “Os frangos são cheios de antibióticos?”.

Também é esse o tema do livro Agricultura: Fatos e Mitos Fundamentos para um Debate Racional sobre o Agro Brasileiro, escrito pelos engenheiros-agrônomos Xico Graziano, professor da FGV, Décio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa, e Maria Thereza Pedroso, também pesquisadora da Embrapa e ex-assessora técnica da liderança do PT na Câmara dos Deputados. “Existe uma elite da elite que não precisa se preocupar com dinheiro e não se importa com questões humanitárias”, observou Graziano. “Um pessoal que curte o retrógrado, que acha bacana produzir o próprio alimento, como se isso fosse viável para a maioria da população. Avançamos tanto que eles querem viver na Idade Média.”

Graziano salienta que nada disso tem a ver com ideologias, mas com crenças que incluem a demonização dos transgênicos, dos agrotóxicos e de tudo aquilo que é considerado — equivocadamente — o oposto da agricultura orgânica e familiar. “Os agrotóxicos não aparecem entre as maiores causas de câncer, segundo a OMS, e em nenhum lugar do mundo relatam-se problemas de saúde relacionados aos transgênicos”, desmitificou Graziano.

A seguir, Oeste lista cinco grandes mentiras acerca do agronegócio.

1. O produtor rural é quem mais desmata o meio ambiente

O Brasil é hoje o país com a maior quantidade de áreas preservadas. Elas ocupam quase 564 milhões de hectares e cobrem 66,3% do território nacional. Desse total, 10,4% são unidades de conservação; 13,8%, terras indígenas; e 16,5%, as chamadas terras devolutas e não cadastradas. Outros 25,6% — ou seja, um quarto do país — estão em propriedades rurais privadas. “É como se existissem miniparques nacionais dentro de cada fazenda”, explicou Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Territorial, um dos maiores conhecedores da preservação e da sustentabilidade da produção agropecuária nacional.

Em média, os produtores rurais brasileiros preservam 50% de sua propriedade — a porcentagem, determinada por lei, varia de acordo com o Estado: em São Paulo, por exemplo, são 20%; na Amazônia, 80%. Isso não ocorre em nenhum outro lugar do planeta.

“Os agricultores dedicam parte significativa de seu patrimônio pessoal para a preservação do meio ambiente sem receber nada por isso”, observou Miranda. “Gastam recursos financeiros próprios para manter essas áreas preservadas e, apesar de tudo isso, não param de ser criticados. Se lá ocorrer uma queimada, se alguém cortar uma árvore ou se entrar gado numa área de preservação permanente, mesmo quando o dono da terra não tem absolutamente nada a ver com isso, ele será responsabilizado e multado.”

Segundo cálculos da Embrapa Territorial baseados no preço da terra em cada município, os proprietários rurais imobilizaram cerca de R$ 3,5 trilhões de seu patrimônio pessoal e fundiário em benefício do meio ambiente em áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa. Para manterem e conservarem essas áreas e sua vegetação, esses produtores têm gastos — pagos do próprio bolso — superiores a R$ 15 bilhões por ano em aceiros, cercas, vigilância, plantios etc.

“Os fazendeiros dos Estados Unidos, antes e hoje, são considerados ‘desbravadores’ do território, chamados de ‘pioneiros da pátria’”, escreveu Xico Graziano. “Nunca, jamais, foram os produtores rurais norte-americanos considerados ‘criminosos ambientais’.”

2. O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo

Embora em rankings que levam em consideração a quantidade total de agrotóxicos utilizada o Brasil apareça entre os primeiros colocados, a situação muda completamente quando o critério é o volume de defensivos agrícolas por hectare. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o país está na 44ª posição, com consumo relativo de 4,31 quilos de pesticidas por hectare cultivado em 2016.

Entre os países europeus que utilizam mais defensivos que o Brasil, aparecem Holanda (9,38 kg/ha), Bélgica (6,89 kg/ha), Itália (6,66 kg/ha), Montenegro (6,43 kg/ha), Irlanda (5,78 kg/ha), Portugal (5,63 kg/ha), Suíça (5,07 kg/ha) e Eslovênia (4,86 kg/ha). O banco de dados da FAO fornece estatísticas de 245 países desde 1961.

Explica-se uma das razões de o consumo total de defensivos no Brasil ser alto pela ocorrência de duas e até três safras ao ano, enquanto em boa parte dos países há apenas uma safra ou no máximo duas. Além disso, em países de clima frio, as pragas são inativadas nos períodos de inverno intenso.

3. Carne faz mal à saúde

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 29,3 kg de carne bovina foram consumidos por habitante em 2020. “De acordo com o artigo “Beef: nutrition facts and potential health benefits”, do portal Nutrition Advance, uma porção de 170 gramas de carne bovina cozida, cuja composição é 80% de carne magra e 20% de gordura, fornece 36,5g de proteína ao corpo”, relatou uma reportagem do Todos a Uma Só Voz. A mesma porção contém 26% da quantidade de ferro que um ser humano precisa ingerir por dia, além de 100% da vitamina B12 necessária.

Já a carne de porco, a mais consumida no mundo segundo a FAO, é a melhor fonte de vitaminas do complexo B, ferro, potássio e zinco. Ainda conforme o Todos a Uma Só Voz, os avanços tecnológicos empregados pelos suinocultores brasileiros fizeram essa carne perder 10% de colesterol, 14% de calorias e 31% da gordura. A lenda segundo a qual a carne suína transmitiria cisticercose, entre outras doenças, também é mito. “Hoje, com o controle do sistema de criação, da alimentação e da água fornecida aos animais, é praticamente nulo o risco de o animal ter contato com essas doenças”, disse a reportagem. “Além disso, as carcaças são inspecionadas individualmente no frigorífico [selo do SIF – Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mapa] com o objetivo de identificar se existem animais contaminados.”

4. O agronegócio está nas mãos de poucos

Com mais de 5 milhões de propriedades rurais, a agronegócio brasileiro é um dos principais pilares da economia, representando 23% do PIB nacional. Em 2020, o faturamento foi superior a R$ 870 bilhões e movimentou cerca de US$ 100 bilhões em exportação por ano.

Em 31 de dezembro de 2019, a agropecuária brasileira empregava 1,48 milhão de trabalhadores. Um ano depois, eram 1,6 milhão. O resultado positivo ocorreu num ano em que 8 milhões de empregos formais (17% do total) foram destruídos pelas medidas de restrição impostas para conter a pandemia de coronavírus.

5. Quanto mais cresce a produção de alimentos, maior é o desmatamento

De importador de alimentos na década de 1970, o Brasil se tornou um dos grandes exportadores — além de atender amplamente à demanda interna. Como mostrou a reportagem “O extraordinário momento do agronegócio”, publicada na edição 22 da Revista Oeste, nos últimos 50 anos a produção de alimentos subiu 500%, com aumento de apenas 60% de área plantada. Em 1975, por exemplo, quando as plantações de grãos ocupavam 40 milhões de hectares, a produção não atingia 40 milhões de toneladas. Hoje, a área de cultivo chega a 65 milhões de hectares e a produção foi multiplicada por seis. Nas últimas três décadas, todo ano diminui a área de pastagens no Brasil e aumenta o rebanho, graças aos ganhos de produtividade.

O Brasil produz anualmente 240 milhões de toneladas de grãos, 41,5 milhões de toneladas de frutas, 665 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 33,6 bilhões de litros de leite, 40 milhões de toneladas de mel e 4 bilhões de dúzias de ovos. Em 2019, foram abatidos 40 milhões de bovinos, 37 milhões de suínos e 6 bilhões de aves. Apesar dos números surpreendentes, apenas 7,6% do território nacional é cultivado — enquanto países da Europa passam o arado em mais de 50% de suas terras. Isso sem considerar as pastagens. E mantemos 66,3% da vegetação nativa.

Não é só a Embrapa. A ONU também atesta: o Brasil tem a maior rede de áreas terrestres protegidas do planeta. Comparado aos grandes países, com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Brasil é de longe o que mais protege seus ecossistemas: 30% do território, contra uma média de 10% naqueles países. O relatório de 2016 do Programa de Meio Ambiente da ONU sobre as áreas protegidas do planeta, em sua página 32, afirma: The most extensive coverage achieved at a regional level is for Latin America and the Caribbean, where 4.85 million km2 (24%) of land is protected. Half (2.47 million km2) of the entire regions protected land is in Brazil, making it the largest national terrestrial protected area network in the world” [A cobertura mais extensa alcançada em nível regional está na América Latina e no Caribe, onde 4,85 milhões de quilômetros quadrados (24%) das terras estão protegidos. Metade (2,47 milhões de quilômetros quadrados) de toda a área protegida da região está no Brasil, tornando-a a maior rede nacional de áreas protegidas terrestres do mundo].

Todos esses tópicos, bastante complexos, serão abordados de forma detalhada em reportagens futuras da Revista Oeste. De acordo com o IBGE, em 2020 o PIB brasileiro recuou 4,1%. O único setor que apresentou resultado positivo foi a agropecuária. Em vez de encolher, a produção do campo cresceu 2% — enquanto isso, registrou-se queda na indústria (-3,5%) e nos serviços (-4,5%). Assim como em todos os setores, existem diversas questões no agronegócio que precisam ser superadas. Apesar disso, os números positivos mostram que os benefícios do agro ultrapassam dezenas de vezes qualquer um de seus problemas.

Leia também “A pecuária dá uma aula contra o desperdício”

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14 comentários

  1. PARABENS. DEVERIA HAVER MAIS PUBLICAÕES/EXPLICAÕES COMO ESSA PARA MOSTRAR REALMENTE QUE É O AGRO NEGOCIO NO BRASIL PERANTE O MUNDO

  2. Muito esclarecedora a matéria. Explorem mais o tema. Nós, dos centros urbanos, pouco sabemos e normalmente prevalece a narrativa negativa dos ecoterroristas.

  3. Reportagem excelente, esclarecedora, educativa. O Governo precisava fazer propaganda constante sobre isso. É preciso mostrar ao povo a riqueza de seu país. Precisamos ter orgulho da nossa nação. Parabéns pela matéria.

  4. Precisamos de mais matérias assim! Nós do agro sofremos muito com as notícias falsas espalhadas pelo mundo! Matéria direta e esclarecedora que todos deveriam ter acesso! Parabéns!

  5. Até que enfim mentiras vão sendo denunciadas e verdades reveladas. Há que se ter conhecimento e coragem para enfrentar patrulhas tão inclementes quanto ignorantes.

  6. Esse é o Brasil de que tenho orgulho!!! Todos os brasileiros deveriam ter acesso a dados como esse para parar de por a culpa nessa área tão nobre.

  7. Parabéns pela reportagem! Seria interessante uma outra para desbaratar essas ONGs que infestam o Brasil com suas mentiras e interesses escusos!

  8. Mais brasileiros deveriam ter acesso a esse tipo de informação, para desmistificar àqueles que gostam de denegrir a imagem do agronegócio, dando, até, mais atenção aos discursos de países de fora, especialmente os europeus, que querem denegrir a nossa imagem. Em tese, eu sei o que eles querem, especialmente o “bostinha” francês.

  9. Como não poderia deixar de ser, a esquerda retrógrada, prega mentiras para denegrir o setor que mais contribui para o desenvolvimento do nosso país; e o pior, muita gente alienada cai nessa falácia. Acorda meu povo!!!

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