Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros
Omar Aziz, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros

CPI debocha da covid

Aqueles hipócritas fantasiados de senadores estavam escarnecendo da população ao usar a covid como palco para as conversas fiadas

Num futuro não muito remoto, os checadores, os senhores da verdade e os corregedores da história vão ter um trabalhão para retocar, esconder, enfim, sumir com os registros dessa CPI da Covid. Especialmente os do dia 10 de agosto de 2021.

Nada muito dramático, porque para essa gente vigilante fazer a realidade caber nas suas cartilhas é brincadeira de criança. Mas nesse capítulo os checadores do futuro precisarão atuar com uma força-tarefa especial, ou talvez uma junta médica especializada em transplante de versões.

Como você sabe — e está na cara de todo mundo hoje, mas é como se não estivesse —, o arraial de Renan Calheiros foi transformado em central da ética e da vida. Contando ninguém acredita. É melhor nem contar. Essa transformação de fazer alquimista morrer de inveja foi operada pelo consórcio da imprensa transformista — aquela que trocou a notícia pela propaganda.

E no dia 10 de agosto esse heroico pacto de farsantes mandou às favas os escrúpulos de consciência (se lembra disso?) e protagonizou o show hediondo que o bisturi dos checadores do futuro haverá de corrigir, pelo bem da memória da picaretagem.

Nesse fatídico dia — como se não bastassem todos os outros —, a CPI de Calheiros e Aziz teve um rompante de sinceridade. Rasgou a fantasia e assumiu que ninguém ali está nem aí para esse papo de pandemia. A CPI da Covid esqueceu a covid e passou a discutir um desfile militar. Foi de arrepiar.

Humilhando a população que sofre com a crise de saúde, os senadores do telecurso de empatia subiram nos seus caixotes caríssimos pagos pelo povo e passaram a fazer comícios sobre militarismo, golpismo, fascismo e hipnotismo de trouxas. Saíram todos do armário ao mesmo tempo — num movimento decidido de libertação da sua maquiagem salvacionista. Dane-se esse teatro covidal, vamos assumir que montamos esse palanque para atolar o país na crise — seria a manchete correta, se ainda existisse imprensa.

Os adversários dos donos da CPI simplesmente entraram na conversa bizarra deles

Mas quem dera o problema fosse só a conversão do jornalismo à montagem de historietas espertas. Ou fosse só a existência de políticos nefastos que colecionam problemas com a polícia e ficam esperando a chance de ser inocentados pela imprensa marrom. O problema é muito maior. Envolve inclusive os que detestam a CPI — e parecem adorar detestá-la.

Na própria CPI, os que tentam se opor ao picadeiro de Calheiros, Aziz & cia parecem ter achado normalíssima a transformação daquele fórum de investigação sobre a pandemia em fórum de debate sobre parada militar. A única manifestação possível numa situação dessas seria o repúdio terminativo àquele contrabando temático que afrontava a memória de todas as vítimas da covid no país. Mas os adversários dos donos da CPI simplesmente entraram na conversa bizarra deles — para falar também de tanques, soldados, fardas e golpes imaginários. No sentido contrário, claro. Mas dá no mesmo.

E o tema se espalhou pelas redes sociais, pelas conversas pessoais, enfim, pela opinião pública sem o único crivo que poderia dominar a falsa polêmica: aqueles hipócritas fantasiados de senadores estavam escarnecendo da população imersa na tragédia sanitária ao usar a covid como palco para as conversas fiadas que mantêm suas existências parasitárias. Nem politicagem isso é mais.

Salvo engano, o Brasil está se acostumando com o cinismo.

Leia também “A CPI é um sucesso”

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20 comentários Ver comentários

  1. É vergonhoso e as vezes patético. O Brasil é o único País atingido pela COVID que insiste em uma CPI para apurar responsabilidades de seus dirigentes diante de uma pandemia que os próprios médicos na época tiveram grandes dificuldades para descobrir um remédio apropriado para combater o mal. O País está fazendo o que pode, adquirindo as vacinas necessárias e se ainda não imunizou seu povo como um todo, deve-se também ao tamanho de nossa população e aos tramites legais para compra das vacinas. As providências estão sendo tomadas, mas a esquerda tem como foco principal a queda do nosso Presidente, por isso cria todo tipo de dificuldade para atrapalhar a equipe de governo. Poderíamos estar discutindo decisões mais importantes do que alimentando uma CPI que não contribui em nada para a tranquilidade do povo.

  2. Meu carícimo #Fiuza, já que tens acesso a várias fontes, eu não sou advogado, sou um simples engenheiro velho,por favor, me exclareça uma dúvida: Se a constituição diz que quem julga deputados são os senadores, e o supremo e quem julga os ministros do Supremo são os senadores. Então, não caracterizaria ” Conflito de interesses senadores processados no supremo exerserem o mandato, enquanto o processo não fosse julgado ? Não seria o caso de terem que ser afastados até “trânsito em julgado” ? Isto melhoraria muito o sistema.

  3. Repito (não literalmente!) um comentário feito pelo Augusto Nunes n´Os Pingos nos is.
    Numa das ocasiões em que a Amante (= Coxinha) clama por ética na política, o Augusto disse: “A pior forma de escárnio é o cinismo”.
    E é isso… Renan Calhorda fala em honestidade, clamar que briga por justiça e bem do Brasil, é uma forma brutal de escárnio!!!!!!

  4. Fiuza, tem que reduzir no mínimo 1/3 do Legislativo Nacional (Federal, Estaduais e Municipais) e o Senado Federal a somente 1 inútil senador por Estado. Para que 3 Randolfes, Renans, Azizs , Alessandros e Elizianes por Estado? Somente o Congresso Nacional custa-nos R$12 bi anuais, para mal legislar ou para impedir importantes reformas como costumeiramente faz Randolfe que sempre perdedor, recorre ao STF como verdadeiro despachante dessa Corte.
    Alguns dizem que o culpado é o povo que os elegeu e não lhes cobra compromissos, já que são representantes da nossa sociedade, porém como cobrar de parlamentares que o eleitor não teve condições de eleger devido às limitações da Lei que impõe que os Estados serão representados proporcionalmente ao seus eleitorados porem estabelecendo limites de no mínimo 8 e no máximo 70 deputados. Que proporcionalidade é essa? Em 2018 tivemos 147 milhões de eleitores no pais, e somente o meu Estado de SP, com 33 milhões, portanto 22% que proporcionalmente elegeriam 115 deputados. O Estado do Amapá (do pernambucano Randolfe) com 512 mil eleitores, portanto 0,34%, tem 8 deputados. Apurei que 16 estados brasileiros somam 31,5 milhões de eleitores portanto menor que a população de SP, tem 145 deputados. Levantei também que outros grandes Estados como Bahia, Ceara, Pernambuco, Minas Gerais, R. Janeiro e R.G do Sul tem lotação aproximada à proporção do seu eleitorado. O único Estado mais prejudicado é São Paulo. Portanto, o voto do eleitor de SP vale muito menos que o voto do eleitor dos demais Estados brasileiros. Aonde estão os nobres juristas, empresários, educadores, e outras lideranças de classes de SP para arguir essa possível inconstitucionalidade da Lei? Se todos somos iguais perante a Lei por que neste quesito a nobre Corte não observa inconstitucionalidade para pedir ao Legislativo a correção da Lei?.
    Conclusão: como ex tucano, meu candidato a deputado federal não se elegeu, e eu não tenho para quem cobrar compromissos.

  5. Tínhamos que aproveitar a mobilização de 7/7 para pressionar por uma REFORMA POLÍTICA. Esta é a causa raiz dos nossos problemas. O STF faz o que faz por termos um legislativo fraco. O STF é consequência e não causa dos nossos problemas.

  6. 0s dias passam, as hienas na máscara escondem um fio de sangue, a mentira escorrida e viscosa, 0s parasitários Renans/ Aziz /Otos/ são hospedeiros da nação. A verdade anda agora de mão em mão suja na CPI.
    Mais um texto Fiúza com pérolas falando dos…

  7. Brilhante Fiuza como sempre. Suas palavras acerca dos checadores do passado e reescritores dos fatos, me transporta inevitavelmente para a realidade orweliana de 1984. É assustador o destino do caminho que estamos trilhando, e mais assustadora ainda a semelhança de práticas que já estamos testemunhando com o universo literário de Orwell.

    1. Acho que não querem derrubar Bolsonaro. Se quisessem já tinham derrubado. Precisam de um presidente fraco intelectualmente para ficar batendo sem terem problemas. Sabem qud as FFAAs nunca aceitariam ser comandadas por um bronco, apesar de honesto e bem intencionado. Ano que vem voto novamente em Bolsonaro por falta de opção. Ainda é o melhor para o Brasil, mas precisa trocar alguns no STF. Já passou da hora e o poder moderador não colabora ou não concorda com o art 142 da CF. O art primeiro da CF também foi revogado atualmente. Parece que o art 5 também está revogado.

      1. É o melhor que temos no momento. Lembre-se Temer era inteligente, mas não era santo. Se fosse santo não seria vice de Dilma. Ser inteligente não é a qualidade magna para bem administrar esse país. O que adianta a inteligência sem a honestidade? Um burro honesto também não resolve, mas convenhamos Bolsonaro não é burro.

      2. Só um desmiolado para fazer esse comentário, achar que o presidente pode tudo, será que tem conhecimento das inúmeras coisas boas feitas pelo governo, ou só assiste a globo, lê a folha, estadao, crusue e cia, Oeste só para comentários sem nexo.

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