Andrew Cuomo, ex-governador de Nova Iorque, e seu irmão Chris Cuomo, jornalista | Foto: Reprodução/Twitter
Andrew Cuomo, ex-governador de Nova Iorque, e seu irmão Chris Cuomo, jornalista | Foto: Reprodução/Twitter

Ligações sórdidas

O aparato midiático, formado por jornalistas com preferência pelo pensamento esquerdista, acaba criando um clubinho no qual uns buscam proteger os outros, enquanto demonizam aqueles do lado de fora, ou seja, os conservadores

Em agosto deste ano, escrevi uma coluna aqui na revista sobre a queda do governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo. Tentei mostrar como sua desgraça política só veio quando ele mexeu com movimentos feministas, quando seu lado de predador sexual se tornou público, sendo que a temerária gestão durante a pandemia, inclusive com ocultação de dados sobre a morte de idosos em asilos, nunca incomodou muito a imprensa ou os democratas, que o tratavam como queridinho.

Volto ao tema pois nesta semana vazou a informação de que seu irmão, Chris Cuomo, usou sua influência de âncora da CNN para proteger o irmão de maneira mais intensa do que o previsto. A CNN até suspendeu o âncora por “tempo indeterminado”. Segundo um porta-voz da CNN, a Procuradoria-Geral de Nova Iorque divulgou registros que mostram que Chris Cuomo atuou mais incisivamente na defesa do irmão do que se pensava a princípio.

Segundo a CNN, os documentos divulgados nesta semana pela procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, incluem mensagens de texto e transcrições de entrevistas com investigadores que fizeram a apuração das denúncias contra o então governador. Entre os registros, há mensagens entre Chris Cuomo e Melissa DeRosa, assessora de Andrew Cuomo, que sugerem que o jornalista foi fundamental no trabalho de construção da defesa.

Ainda de acordo com a CNN, as mensagens de texto também revelaram que Chris Cuomo tentou usar suas conexões na imprensa para preparar a equipe do então governador, à medida que as denúncias contra Andrew Cuomo começaram a ser publicadas. Além disso, Chris Cuomo também tentou obter mais informações sobre uma reportagem que o jornalista Ronan Farrow estava fazendo acerca do assunto. Os detalhes podem ser curiosos, mas quem em sã consciência esperava uma postura diferente? Na minha coluna de agosto, eis o que comentei sobre o elo de ambos:

Por fim, resta apontar para a relação incestuosa entre o governo e a imprensa. O irmão de Andrew é Chris Cuomo, âncora da CNN. Foram vários os momentos em que irmão entrevistou irmão, inclusive com toques familiares, com direito a “brincadeiras” sobre qual era o preferido da “mamãe”. Que tipo de cobertura imparcial pode surgir disso? Para piorar, há alegações de que Chris estava auxiliando o irmão na gestão da crise política. Assessoria informal de imprensa? Essa promiscuidade não é incomum: são vários os jornalistas com parentesco e ligações pessoais com políticos democratas. Alguém fica surpreso com o enorme viés partidário da mídia?

Reparem que Chris nem sequer foi demitido da emissora, mas apenas suspenso temporariamente. É uma régua ética bem flexível. No último programa antes dessa decisão, o assunto tampouco foi trazido ao ar, e seu colega Don Lemon ainda “rasgou seda”, tecendo vários elogios a Cuomo e afirmando que se trata de uma das pessoas mais maravilhosas com quem já trabalhou.

Como confiar nessas empresas para obter informações relevantes e isentas?

Um irmão ajudar outro pode ser um gesto bonito, sem dúvida, desde que dentro de limites éticos. Se Chris tivesse pedido licença da CNN para colaborar com a defesa de Andrew, nada a contestar. Laços de família, ainda mais uma italiana. Mas usar seu cargo e sua posição para, nos bastidores, proteger um governador no epicentro de um tiroteio político, e fazer isso enquanto finge divulgar notícias de maneira imparcial, aí é o fim da picada!

E eis meu ponto principal aqui: se o caso dos irmãos Cuomo deixa transparecer uma ligação mais direta, a verdade é que temos diversos casos semelhantes na mídia mainstream. Não são poucos os casais que possuem um cônjuge na redação de um importante veículo de comunicação e outro na política, no governo ou prestando serviços para políticos. Washington é uma bolha, e uma bolha democrata. O viés ideológico da imprensa já é totalmente “progressista”, e há uma inclinação natural dos jornalistas na defesa do Partido Democrata e suas bandeiras. As ligações amorosas e familiares apenas agravam, e muito, uma situação que já seria delicada.

A pergunta óbvia que fica é: como confiar nessas empresas para obter informações relevantes e isentas? Como esperar que a CNN, no horário nobre, com a apresentação de Chris Cuomo, poderia reportar os principais acontecimentos políticos de forma minimamente justa? O estado administrativo, composto de tecnocratas e seus consultores, e o aparato midiático, formado por jornalistas com preferência pelo pensamento esquerdista, acabam criando um clubinho no qual uns buscam proteger os outros, enquanto demonizam aqueles do lado de fora, ou seja, os conservadores.

O fenômeno Trump, um outsider disposto a declarar guerra ao establishment político e midiático, apenas serviu para escancarar o que muitos já sabiam nos bastidores. Não é necessário focar nos irmãos Cuomo, em que pese esse exemplo ser perfeito para ilustrar a podridão do “jornalismo” moderno. Sabemos que há vários “irmãos” nos principais veículos de comunicação, todos prontos para blindar seus camaradas — de sangue ou ideologia. Lembram daquela coisa de jornalismo objetivo e imparcial, que revela os fatos e trata com respeito sua audiência, para que esta possa julgar por conta própria as cenas políticas? Ainda há quem acredite nesse ideal, mesmo diante de tanta evidência de irmandade na relação entre política e imprensa?

Enquanto o “repórter” está divulgando um “fato”, o mais provável é que ele esteja por baixo dos panos colaborando com algum parente democrata, de olho nas vantagens de seu “brother”. E o público sendo “informado” por esse tipo de jornalismo militante. Alguém surpreso com a perda crescente de credibilidade da velha imprensa?

Leia também “A cidadania corre perigo”

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8 comentários Ver comentários

  1. Ótimo texto. Parabéns. Já quanto a imprensa marrom há muito tempo perdeu o resto de credibilidade que tinha. Só quem acredita em Papai Noel, homenzinho verde, dentre outras fantasias, acredita na imprensalha.

  2. Eu ainda acredito na velha máxima da imparcialidade e isenção. A verdade existe e pode ser identificada com vontade e inteligência. O jornalista deve colaborar para que a sociedade encontre essa verdade. O papel da imprensa é tão somente este. Eu sou um jornalista raiz.

  3. Que bela reportagem e comentario !!!!
    Pergunto existe alguma diferença com a midia-antiga do Brasil .
    ANALISEM !!!!!!

  4. Lembro que no início da pandemia, um certo calcinha apertada queria copiar par e passo o Governador de NY. Fazia “coletivas” diárias copiando e plagiando o mulherengo inconveniente Cuomo. Hoje, esse nosso governador rebolante esta sozinho, perdido e pior, totalmente desacreditado. Nos brindou com uma vacina meia boca literalmente(cara ou coroa) e ainda quer passaporte sanitário para os “brasileiros de São Paulo”. Deus nos livre do Cuomo brasileiro e suas jornalistas gordinhas da Jovem Pan, emissora que você trabalha.

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