O fentanil está no centro da pior epidemia de drogas da história dos Estados Unidos. Sintético e extremamente potente, ele se espalhou a partir da década de 2010, provocando uma onda de overdoses sem precedentes. Hoje, a substância responde pela maioria das 80 mil mortes anuais por opioides registradas no país.
O problema começou nos anos 1990, quando médicos passaram a receitar opioides como oxicodona em larga escala. A dependência se espalhou, e, na década seguinte, muitos usuários migraram para a heroína. A chegada do fentanil intensificou o quadro, já que pequenas doses podem ser letais, e o tráfico ampliou o acesso à droga.
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A escalada do fentanil nos Estados Unidos
De acordo com autoridades de saúde, o fentanil e seus derivados passaram a ser misturados a outros entorpecentes, como cocaína e metanfetamina. Isso aumenta o risco de overdose, já que o usuário muitas vezes não sabe que está consumindo a substância. A faixa etária mais atingida vai de 18 a 45 anos, tornando-se a principal causa de morte nessa população.
O governo norte-americano tem adotado medidas duras contra cartéis mexicanos e farmácias virtuais sediadas na Ásia, que abastecem o mercado clandestino. Washington também pressiona parceiros internacionais a colaborarem no combate à produção e ao contrabando de opioides sintéticos.
Especialistas brasileiros acompanham com preocupação o avanço do fentanil. Embora ainda não haja registros de consumo em larga escala no país, autoridades de saúde alertam para o fato de que organizações criminosas, como o Comando Vermelho, estariam importando a droga ou seus precursores químicos. O baixo custo de produção e a alta potência fazem dela uma ameaça concreta.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal reforçaram barreiras de fiscalização em portos e aeroportos. A preocupação é evitar que o Brasil, já impactado pelo tráfico de cocaína, se torne rota para a entrada de opioides sintéticos. Caso o fentanil se espalhe no mercado interno, especialistas acreditam que o sistema público de saúde poderá enfrentar uma crise semelhante à dos EUA.
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