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Saúde

Surto hospitalar atinge funcionários e acende alerta em Vitória

Secretaria de Saúde investiga possível contaminação ambiental no Hospital Santa Rita; profissionais relatam omissão e clima de medo

Hospital Santa Rita de Cássia
Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória | Foto: Reprodução/Hospital Santa Rita

A Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa) investiga um possível caso de contaminação ambiental no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória. O jornalista Jair Oliveira divulgou as informações nesta sexta-feira, 24.

Segundo informações preliminares, o surto atinge dezenas de funcionários da unidade, entre médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas e colaboradores da área administrativa e de manutenção.

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Os primeiros casos surgiram há cerca de uma semana. Desde então, sintomas como febre alta, tosse, confusão mental e sinais de infecção pulmonar foram identificados em profissionais da mesma ala, conhecida como Setor E — área destinada ao atendimento do Sistema Único de Saúde.

Nesta quinta-feira, 23, mais quatro notificações foram registradas. A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar ainda não identificou a origem do surto. Funcionários relatam suspeita de um agente viral ou bacteriano, mas os exames feitos até o momento apresentaram resultados inconclusivos.

Amostras de sangue e urina foram enviadas a um laboratório em São Paulo, já que o Espírito Santo não possui estrutura para esse tipo de análise. Os profissionais também acionaram o Laboratório Central para auxiliar na investigação.

Funcionários denunciam falhas e omissões

Profissionais que atuam no hospital relatam falhas graves nos protocolos de segurança. Ao portal ES Hoje, fontes denunciaram que a direção restringiu o uso de máscaras do tipo N95. Além disso, manteve pacientes infectados em áreas comuns do pronto-socorro, mesmo com suspeitas de transmissão.

Outra medida que gerou críticas foi o lacre de bebedouros, substituídos por garrafas individuais de água mineral fornecidas aos funcionários. Ainda assim, trabalhadores relatam insegurança e ausência de transparência por parte da gestão.

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A Sesa confirmou a abertura da investigação. Em nota, informou que o evento “parece restrito ao ambiente e grupo inicialmente afetado”. A pasta também disse que o hospital presta assistência aos internados e que equipes de vigilância realizam análises ambientais e laboratoriais.

O Hospital Santa Rita, por sua vez, afirmou que o número de internações está em queda. De acordo com a instituição, 14 profissionais precisaram de atendimento hospitalar — dois deles chegaram a ser internados na Unidade de Terapia Intensiva.

Deputado cobra resposta das autoridades

O deputado estadual Wellington Callegari (PL-ES) afirmou que acionou diversos órgãos em busca de esclarecimentos. Ele declarou que acompanha a situação de perto e cobrou medidas urgentes, sem “espalhar pânico”, mas com preocupação diante do impacto do caso.

“Estou oficiando a diversos órgãos neste momento em busca de maiores informações e providências”, disse o deputado. “Sem querer alastrar o pânico, manifesto aqui minha preocupação e tomada de providências.”

Pacientes e visitantes que estiveram no Hospital Santa Rita nos últimos 14 dias devem procurar atendimento médico caso apresentem febre, tosse, dificuldade para respirar ou sintomas de sepse. A orientação é informar sobre a exposição à unidade no momento da triagem.

 Eis a nota do Hospital Santa Rita de Cássia:

“O Hospital Santa Rita, por meio de sua Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), informa que está apurando casos identificados entre colaboradores de uma área específica da instituição.

Na última semana, colaboradores apresentaram sintomas com alterações radiológicas sugestivas de pneumonia. O número de casos está atualmente em curva decrescente, não havendo novas internações desde 22 de outubro. Tivemos 14 colaboradores internados no Hospital Santa Rita, sendo dois admitidos em UTI. Atualmente, há seis internados em enfermaria e apenas um em UTI, todos em evolução clínica favorável.

O Hospital reforçou seus protocolos assistenciais e de vigilância, mantendo todas as ações de segurança e atuando em cooperação com os órgãos de saúde. Importante destacar que nenhum paciente internado apresentou sintomas semelhantes, o que levou à hipótese inicial de uma possível causa ambiental, atualmente sob investigação detalhada.

O monitoramento pós-alta está sendo realizado pela equipe de Medicina do Trabalho, que acompanha de perto a recuperação dos colaboradores. Expressamos solidariedade e apoio a todos, reafirmando o compromisso permanente com a qualidade, a segurança e a transparência institucional.

Todos os atendimentos e serviços seguem em funcionamento normal, com a mesma excelência e confiança que consolidam o Santa Rita como referência em saúde no Espírito Santo. O Hospital, com seu compromisso com a transparência e à saúde pública, manterá a sociedade atualizada.”

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