Diversos usuários brasileiros relataram o retorno do Rumble, nesta quinta-feira, 5. Desde o início da tarde, perfis nas redes sociais têm publicado fotos do site funcionando normalmente. A plataforma estava fora do ar no Brasil desde fevereiro de 2025, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Oeste confirmou a retomada do funcionamento da plataforma, mas obteve relatos de problemas de acesso que variam conforme o navegador utilizado.
Receba nossas atualizações
O site Downdetector registrou as primeiras notificações envolvendo o acesso ao Rumble por volta das 12h43.
+ Leia mais notícias de Tecnologia em Oeste
O movimento ocorre dois dias depois de a defesa das empresas Rumble e Trump Media solicitar à Justiça Federal dos Estados Unidos que intime o ministro Alexandre de Moraes por meio de seu e-mail institucional.
Segundo o advogado Martin De Luca, o magistrado teria inviabilizado outras formas de contato.
Em conversa com a Oeste, nesta quinta-feira, 5, De Luca afirmou que a defesa do Rumble não tem informação sobre qualquer mudança no processo que justificasse a volta do funcionamento da plataforma no Brasil.
Ação do Rumble contra Moraes nos EUA
O processo nos Estados Unidos foi protocolado em agosto do ano passado em meio às reações do presidente Donald Trump contra decisões de Moraes consideradas ilegais.
O ministro usou o e-mail para ordenar que o Rumble censurasse perfis. Esse não é o procedimento determinado pela legislação norte-americana no caso de ordens emitidas por um tribunal estrangeiro.
O andamento da ação norte-americana depende de que notifiquem oficialmente o ministro Alexandre de Moraes.
Na época, Martin De Luca explicou que, ao emitir ordens por e-mail para que o Rumble censurasse perfis, Moraes descumpriu o rito legal e feriu a soberania dos EUA.
Leia mais:
Para que as ordens de Moraes tivessem validade nos EUA, o ministro deveria ter acionado a Justiça norte-americana por meio de carta rogatória ou do MLAT (Tratado de Assistência Judiciária em Matéria Penal).
Para o governo Trump, essas decisões configuram perseguição judicial e restrição à liberdade de expressão.
Quando o caso ganhou destaque, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que, a pedido do STF, “estava acompanhando o andamento do processo” e que “estavam sendo preparadas minutas de intervenção processual, que poderão ser protocoladas, se necessário”.
Bloqueio no Brasil
Moraes determinou o bloqueio do Rumble no Brasil em fevereiro do ano passado. O ministro ordenou a suspensão depois de a empresa se recusar a cumprir decisões judiciais, como a remoção do perfil do jornalista Allan dos Santos.
O STF condicionou o fim do bloqueio à nomeação de um representante legal no país, ao pagamento de multas e ao cumprimento das ordens judiciais. A Anatel foi responsável por aplicar a medida.
O Rumble classificou a decisão como “censura extraterritorial” e afirmou que o bloqueio também afetou plataformas que usam sua infraestrutura, como a Truth Social.
Leia também: “A verdade sempre vaza”, artigo de Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha, publicado na Edição 290 da Revista Oeste
Advogado do Rumble acusa PGR de proteger Moraes em parecer sobre ação internacional
Brasil é única ‘democracia’ a proibir o Rumble, diz CEO
Advogado do Rumble acusa Judiciário de bloquear notificação a Moraes
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.