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A história não esquecerá dos tiranos

O autoritarismo do TSE é um apêndice do autoritarismo do STF

A história não esquecerá dos tiranos
O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, durante sessão que ampliou os poderes da Corte no combate à suposta 'desinformação' nas eleições - 20/10/2022 | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Fico pensando em qual desculpa há para um redator minimamente sério se silenciar ante as ininterruptas investidas ditatoriais de Alexandre de Moraes e sua trupe contra não somente as instituições de Estado e a democracia brasileira, mas também contra os valores mais elementares para uma sociedade livre. Censurar jornais e produtoras de documentários? Sério? Vamos normalizar isso? Escuto diariamente comentaristas de todos os espectros, mas são aqueles que conseguem defender tais posturas autoritárias do TSE e STF que me assustam mais. Rastelam as sobras de suas dignidades e independências para chancelar o erro evidente, a censura pura e simples, em troca de apresso do sistema, de aplausos dos poderosos. Que fim miserável…

O contorcionismo moral dessa turma é vergonhoso. Após a decisão de censura mais bizarra das últimas décadas neste país, assistimos à desfaçatez midiática em seu nível mais assustador. Segundo o ministro Lewandovski, apesar dos fatos relatados no documentário Teatro das Tesouras da Brasil Paralelo serem verdadeiros, a edição e construção do roteiro desvirtuam tais fatos para caberem numa narrativa de incriminação de Lula, que, para ele, trata-se de uma narrativa errada. Na mesma linha de KGB, a nossa polícia da censura, trajada de togas e desculpas pseudodemocráticas, censurou previamente a Brasil Paralelo em um documentário que sequer foi lançado ainda, Quem mandou matar Jair Bolsonaro. Uma censura prévia ao estilo União Soviética e China.

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Não sei se vocês perceberam a gravidade dessa situação, então vale a pena esclarecer rapidamente: o TSE está dizendo como uma empresa privada deve construir o roteiro de um documentário, sob quais moldes deve figurar a narrativa de uma produção cinematográfica independente, e quando não se alinham ao catecismo da polícia das ideias, simplesmente impedem sua exibição. Quase que chancelando a necessidade de um imprimatur jurídico-eclesial dos nossos apóstolos da defesa da democracia.

Se isso não é uma veia ditatorial em seu sentido mais latente e pleno, o que é?

Fato é que quarta-feira eu dormi em 2022 e acordei em 1984, com Winston editando os fatos para caberem naquilo que o Estado, o Grande Irmão, determinou como sendo a verdade que pode ser dita. George Orwell se assustaria em constatar que uma corte do Brasil está ditando juridicamente como acomodar as notícias e investigações jornalísticas em um filme para que ele seja justo segundo a ótica sacrossanta dos iluminados juízes.

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Isso vem ocorrendo há algum tempo, de modo que as faces de espanto que agora permeiam o debate público — entre aqueles poucos que acordaram — não passam de mais um sinal de psicopatia lesada de um jornalismo que marina dia e noite na letargia ideológica. O editorial do O Globo do último dia 11 é mais uma pérola do que um texto exemplar de denúncia, pois apesar dos louros que devemos devotar à coragem do editorial, ele pressupõe que “agora” o TSE passou dos limites. Mas calma lá. O autoritarismo do TSE é apenas um apêndice do autoritarismo do STF que, com “o inquérito do fim do mundo”, abriu investigações à revelia do MPF, prendeu e exilou jornalistas, como Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, prendeu celulares e contas bancárias de empresários por causa de gifs de WhatsApp, baseado inteiramente em uma matéria de revista. Os absurdos autoritários do judiciário brasileiro já desmamaram há muito tempo e crescem de forma rápida e vigorosa. Não é de “agora”, o autoritarismo dos magistrados é nosso maior problema político, nossa maior guerra de Estado desde a redemocratização. Ainda que seja elogiável o referido editorial, ele apenas evidencia como a ideologia e a cegueira consentidas das redações carcomeram a capacidade de enxergar o óbvio em tempo hábil; gritar “eu avisei” depois de anos de autoritarismo não tem mérito algum.

Em Reflexões sobre um século esquecido, 1901-2000, o historiador Tony Judt alertou que muitos daqueles que perpetraram os horrores do século passado se esqueceram ou tinham a certeza de que suas biografias não seriam afetadas por nenhum tipo de revisionismo ou lembranças dos males que causaram. Tolo erro, hoje a maioria dos juízes, militares, políticos e escritores que endossaram, por exemplo, o comunismo stalinista ou o nazismo hitlerista são lembrados quase que unicamente pelas aprovações autoritárias que abarcaram. Isso mostra que o embalo nas veredas dos erros, do autoritarismo, nunca é deixado de lado pelo homem comum, jamais é plenamente esquecido pelo Bastião e pela dona Ana.

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Alexandre de Morais, Ricardo Lewandovski, e os demais parceiros de tirania jurídica no fundo estão chafurdando suas biografias, estão fazendo – ao vivo – um pacto gutural com o autoritarismo. E não – acreditem, caros juízes –, vocês não serão lembrados como heróis que usaram de um “autoritarismo necessário” para defender a democracia, ninguém com algum tipo de entendimento razoável engole tal argumento. No fundo, apesar da força de Gutenberg e seus descendentes, a longa marcha da história é contada pelo povo e por sua sensatez interpretativa, ela é gritada de muro em muro, sussurrada de berço em berço, e não por jornais e revistas do mainstream. Vocês não serão lembrados como defensores da democracia, mas sim como baluartes da arbitrariedade, como acompanhantes fiéis da burla e de ideologias bisonhas, como os ditadores de toga.

A história não se esquece dos tiranos.

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4 comentários
  1. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    CONCLAMAÇÃO GERAL!
    Não vamos nos dispersar e calar-nos perante esta FRAUDE GRITANDE, já cantada há tempos e perpetrada nesses 2 turnos.
    NÃO VAMOS NOS DISPERSAR!! JAMAIS.
    Vamos assolar, DESDE O INICIO, esse governo de corruptos, bandidos, verdadeira facção criminosa.
    Não se iludam…SÃO FASCISTAS e vão se utilizar de métodos FASCISTAS para dominar TUDO…seu alvo principal será as forças armadas.
    TEMOS DE REAGIR.
    Eles usaram o “stf golpista” para dominar o congresso nacional e as vozes dissonantes da sociedade honesta.
    MOBILIZAÇÃO JÁ E CONSTANTE.
    Senão nosso futuro perecerá.
    NÃO PODEMOS DEIXA-LOS GOVERNAR FORA DAS 4 LINHAS DE JEITO NENHUM.

    POR FAVOR GENTE DO BEM….
    NÃO CAIAM NO CANTA DA SEREIA que virá…

    “Vamos apaziguar o Brasil, chega de ódio, chega de conflitos e brigas politicas.”

    CERTEZA Vão vir com esse discurso….e…

    SE VOCÊS ACEITAREM QUERENDO APARENTAR SEREM BONZINHOS E CIVILIZADOS COM ESSES BANDIDOS…. IRÃO PAGAR CARO.
    SÃO FASCISTAS…
    TEMOS de empreender COMBATE NELES TODO SANTO DIA E SEM TRÉGUAS.

  2. Luigy
    Luigy

    “Em troca do apresso do sistema” minha dúvida “apresso ou apreço ” mas o restante do teor do editor é simplesmente formidável…

  3. Luigy
    Luigy

    Cremos nos patriotas e conservadores, que o “freio” está a caminho..

  4. José Camargo
    José Camargo

    É preciso inundar o mercado com livros que denunciem este triste momento da nossa democracia.

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