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Drama: Maceió tem mais de 2 metros de afundamento do solo

A Defesa Civil informou que a última medição indicou um movimento de terra de 5,2 cm nas últimas 24 horas

Afundamento de solo minas Maceió
Defesa Civil afirma que ainda não é possível dizer se o solo estaria se estabilizando apesar do afundamento de 2,02m |Foto: Reprodução/Instagram/Serão na Hora

A mina de exploração de sal-gema da empresa Brasken, em Maceió, segue com risco de colapso. A Defesa Civil de Alagoas informou, nesta quinta-feira, 7, que o afundamento do solo na capital alagoana já passa de 2 metros de profundidade.

Segundo os técnicos, a velocidade da movimentação da terra é de 0,21 cm por hora. A última medição registrou afundamento de 5,2 cm nas últimas 24 horas.

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A Defesa Civil afirma que ainda não é possível dizer se o solo poderia entrar em um processo de estabilização por conta da variação constante entre aumento e desaceleração, considerando dois registros de redução consecutiva. Desde o dia 30 de novembro, a terra já cedeu 2,02 m.

Em novembro foram registrados cinco abalos sísmicos. Um hospital precisou ser evacuado.

Cinco bairros foram afetados

Bairros fantasmas por causa das minas em Maceió
Alguns bairros viraram fantasmas; 60 mil pessoas foram afetadas pela exploração das minas de responsabilidade da Brasken |Foto: Reprodução/TwitterX/Denise

O município segue em alerta diante do iminente colapso. A mina está localizada no bairro do Mutange, na região da lagoa Mundaú.

Além de Mutange, outros quatro bairros foram impactados pela atividade de exploração das minas: Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Os moradores foram incluídos no programa de realocação e estarão isentos de pagar IPTU até 2028.  

As autoridades recomendam que a população não transite na área desocupada até uma nova atualização da Defesa Civil. O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), criou um gabinete de crise para acompanhar o drama da cidade.

Dantas apontou o acordo fechado entre a Braskem e a Prefeitura de Maceió como sendo um entrave. Para o governador, essa relação estaria “prejudicando a população das regiões afetadas”.

A prefeitura de Maceió e a Brasken fecharam um acordo em julho deste anos, assegurando ao município uma indenização de R$ 1,7 bilhão por conta do afundamento dos bairros. Mais de 60 mil moradores foram prejudicados.

Entenda a exploração das minas de sal-gema pela empresa Brasken

A mineração em Maceió começou na década de 1970. De acordo com o governo de Alagoas, as minas de extração de sal-gema da Brasken estavam sendo fechadas desde 1919, quando o Serviço Geológico do Brasil confirmou a instabilidade no solo em função da atividade da empresa.

Segundo os técnicos, após a extração do minério, as minas ficaram cheias com um líquido químico que teria vazado, formando vários desabamentos. Os tremores seriam também relacionados a acomodação do solo a partir dos deslocamentos no subsolo.

Apesar de o caso ser considerado por especialistas em solo como o maior desastre em área urbana no mundo, a Brasken esteve como empresa convidada na COP28 para falar sobre soluções sustentáveis para o clima.

Os ambientalistas afirmam que se o teto da mina desabar, a cavidade chegará na superfície e, se atingir a lagoa, as consequências são preocupantes. A dessalinização da área poderá afetar todo o mangue.

Em nota, a Brasken informou que trabalha com dois cenários no caso de Maceió. A empresa prevê uma “acomodação gradual até a estabilização do solo” ou uma “acomodação abrupta” – o colapso.



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