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Em Rondônia, locomotiva octogenária volta a circular

A maria-fumaça Barão do Rio Branco foi restaurada por técnicos da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária

A locomotiva Mikado 18 estava parada desde 1999 | Foto: Divulgação/ABPF
A locomotiva Mikado 18 estava parada desde 1999 | Foto: Divulgação/ABPF

Uma locomotiva histórica voltou a circular no complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, depois de permanecer parada desde 1999. Técnicos da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) restauraram a Mikado 18, conhecida como Barão do Rio Branco, em menos de dois meses e a apresentaram à população no último dia 2, durante o aniversário de 111 anos de Porto Velho.

A restauração teve como meta recuperar a locomotiva em condições mínimas de operação. Segundo a Folha de S.Paulo, parte do trabalho começou na segunda quinzena de agosto e exigiu a fabricação de peças do zero, já que muitas originais foram furtadas e não há substitutas no mercado.

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Os técnicos instalaram novos tubos de caldeira e retificaram peças antigas. Regulador e serpentinas do superaquecedor também receberam manutenção, enquanto a parte rodante passou por limpeza detalhada, com remoção de lama e terra acumuladas durante a cheia do Rio Madeira em 2014. Peças em bronze que precisavam de recuperação foram enviadas a Rio Negrinho, onde passaram por usinagem e retificação ou tiveram componentes inteiramente refeitos.

História da locomotiva

Fabricada em 1936, a Barão do Rio Branco começou a operar na Madeira-Mamoré 14 anos depois, conectando Porto Velho a Guajará-Mirim. A locomotiva representa um dos símbolos mais marcantes da ferrovia. Seu projeto visava a enfrentar os desafios da selva amazônica e simboliza o pioneirismo que impulsionou o crescimento da capital e do Estado de Rondônia.

Inaugurada em 1912, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi um dos projetos mais complexos do país. Construída em região isolada da Amazônia, mobilizou cerca de 20 mil trabalhadores e impulsionou a economia local, transportando borracha, gado, alimentos e passageiros.

Sua história começou em 1903, quando o Brasil aceitou construir a ferrovia para escoar a produção boliviana de borracha em troca do Acre. Chamava-se “Ferrovia do Diabo”, por causa de mortes registradas durante a obra. As autoridades fecharam sua operação em 1966, 54 anos depois da estreia.

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