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Lula repete ‘circo populista’ em sindicato e mostra que é o velho Lula de sempre

Em primeiro discurso após anulação de condenações, petista falou sobre preço de alimentos e da gasolina e disse que sua dor 'não é nada' diante do sofrimento dos brasileiros
'A dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas'
'A dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas' | Foto: Reprodução

O palco escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fazer o primeiro pronunciamento após a anulação de suas condenações pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 10, foi o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) — o mesmo do dia 7 de abril de 2018, quando o petista se entregou à Polícia Federal para iniciar o cumprimento de sua pena de prisão.

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Três anos depois, o circo populista montado por Lula contou mais uma vez com lideranças do PT, como o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, sindicalistas, simpatizantes e militantes em geral. No discurso, além da narrativa de que seria um perseguido político que foi preso injustamente, Lula atacou o presidente Jair Bolsonaro, chamou o ex-juiz Sergio Moro de “o maior mentiroso da história” e acusou os procuradores da Lava Jato de formar uma “quadrilha”.

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Ele também carregou nas tintas populistas ao tratar de assuntos como o preço dos alimentos e do gás de cozinha. “Esse povo não está precisando de arma. Está precisando de emprego, de carteira profissional, de salário, de livro, de educação. O Estado precisa estar presente na periferia deste país. O Estado tem que estar lá com educação, cultura, saúde, assistência social. As pessoas querem trabalhar, comer, ter lazer”, afirmou.

“Como eu ficava feliz quando via o trabalhador mostrar uma picanha e falava: ‘Eu vou comer picanha e tomar uma cerveja’. A alegria de ver o pequeno produtor deste país produzir e saber que tinha garantia de preço. Que o produto dele não ficaria no porão da casa dele ou estragando no sol e na chuva.”

Lula prosseguiu: “Como pode o gás de cozinha estar a R$ 105? A cebola aumentando 60%, o tomate aumentando não sei quanto… A luz elétrica aumentando tanto, a gasolina… Não é possível permitir que o preço do combustível brasileiro tenha de seguir o preço internacional se nós não somos importadores de petróleo. O Brasil é exportador”.

“Chibatadas”

Durante o pronunciamento, Lula tentou vestir o figurino de vítima de abusos judiciais e da “maior mentira jurídica contada em 500 anos de história”. Mas fez questão de dizer que, diante do sofrimento vivido hoje pela população brasileira, as dificuldades recentes que enfrentou são menores. “Se tem um brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas não tenho. Porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, que as pessoas pobres estão passando neste país, é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim”, afirmou.

“Se tem um cidadão que tem razão de estar magoado com as chibatadas, sou eu. Não estou. As pessoas pensam que, depois de dar chibatada, jogam um pouco de sal e pimenta e a pessoa vai se curar ao longo do tempo, não importam as cicatrizes que fiquem nas pessoas.”

Lula ainda pegou carona no drama de milhares de famílias brasileiras para continuar sua propaganda política no palanque do sindicato. “A dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas. É muito menor que a dor que sofrem quase 270 mil pessoas, que viram seus entes queridos morrerem [por causa da covid-19].”

Em uma das inúmeras referências a si mesmo, o ex-presidiário disse que representa “o resultado da consciência política da classe trabalhadora brasileira”. Seja lá o que isso signifique, o Lula de 10 de março de 2021 é o mesmo Lula de 7 de abril de 2018 — o Lula populista de sempre, aquele que só pensa na próxima eleição e nunca sai do palanque.

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