A atuação de facções criminosas tem cada vez mais uma estrutura empresarial, um alcance interestadual e métodos internos de punição. Tal constatação é resultado de operações de forças de segurança, deflagradas no Distrito Federal (DF) e no Pará. O alvo foram núcleos estratégicos do crime organizado.
+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste
Receba nossas atualizações
No DF, essa ofensiva, denominada Operação Mosaico, foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e 17 mandados de prisão temporária, expedidos pela 7ª Vara Criminal de Brasília.
Segundo a investigação, circulam alertas sobre estratégias e orientações da facção, inclusive para ações violentas contra facções rivais e dissidentes. Há ainda campanhas de arrecadação de recursos, ações para inserção de celulares em unidades prisionais e financiamento de armamentos e munições.
A FICCO, coordenada pela Polícia Federal, identificou, no âmbito desta Operação Mosaico, o funcionamento de um mecanismo interno do Primeiro Comando da Capital (PCC) conhecido entre investigadores como “lista da morte”.
Tal instrumento é usado para autorizar a execução de integrantes ou ex-integrantes classificados como traidores ou indisciplinados, os chamados “decretados”.
Segundo a apuração policial, ao menos um homicídio ocorrido em setembro de 2024, em Planaltina, teria sido motivado diretamente pela inclusão do nome da vítima nessa relação interna da facção, relata o Metrópoles.
As apurações mostram que a violência deixou de ser episódica e passou a integrar um modelo de gestão criminosa. A facção atua com hierarquia rígida e divisão clara de tarefas, incluindo setores responsáveis por funções rotineiras e por sanções extremas.
Um desses núcleos, conhecido como grupo da “disciplina”, era encarregado de fiscalizar comportamentos, impor cobranças, arrecadar recursos e garantir a fidelidade de integrantes em liberdade e presos.
A chamada “lista da morte” funciona como um registro informal, porém decisivo, com nomes, localizações e prioridades de alvos. A decisão de eliminar alguém seria tomada coletivamente, transmitida por canais internos e executada sem contato direto entre mandantes e executores, o que dificulta a identificação das cadeias de comando.
A comunicação interna ocorria, principalmente, por meio de grupos de WhatsApp, usados como verdadeiras centrais de comando. Mensagens analisadas pela polícia no curso da Mosaico revelam monitoramento de ações policiais, repasse de orientações de segurança, organização de ofensivas contra facções rivais e manutenção da hierarquia da organização, inclusive a partir de unidades prisionais.
O fluxo constante conectava o DF a lideranças em outros estados, em um modelo descrito por investigadores como uma “franquia” do crime.
Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão ocorreram em regiões administrativas como Ceilândia, Taguatinga, Planaltina, Samambaia, Santa Maria, Gama, Paranoá e Estrutural, além de municípios do Entorno goiano, como Águas Lindas e Cidade Ocidental. Mais de 100 agentes participaram das diligências, com apoio aéreo e integração de forças policiais e órgãos do sistema penitenciário.
Operação contra o PCC no Pará
Já no Pará, a FICCO estadual e o Grupo de Trabalho de Facções Criminosas deflagraram a terceira fase da Operação Coalizão, voltada ao cumprimento de mandados contra integrantes de organizações envolvidas em tráfico de drogas, extorsões e ataques a agentes da segurança pública. A ofensiva alcançou dezenas de cidades em diferentes Estados, entre capitais e municípios do interior.
Leia mais: “PCC usa ao menos 49 empresas para lavar dinheiro”
Foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão e 42 de prisão, a maioria relacionada diretamente ao crime organizado. Durante as ações, houve prisões em flagrante por posse ilegal de arma, tráfico de entorpecentes e uso de documento falso, além da apreensão de drogas e armas de fogo. As ordens judiciais partiram do Tribunal de Justiça do Pará, após representação da FICCO e atuação do Ministério Público estadual.
As duas operações expõem este padrão comum, em que facções se comunicam com rapidez, operam além das fronteiras estaduais e adotam procedimentos de cunho burocrático para manter o controle interno. De forma cada vez mais sofisticada.
Tudo bomba de fumaça para enganar o TACO…o El PoLLo Trump!
A velha e surrada frase….É pra INGLÊS VER!