Erickson David da Silva, de 30 anos, conhecido como “Deivinho” e apontado por policiais como “sniper do tráfico”, foi condenado a 45 anos, dois meses e 22 dias de prisão pela morte do policial Patrick Bastos Reis, de 30 anos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). O crime ocorreu em 27 de julho de 2023, durante patrulhamento da corporação no Guarujá, litoral de São Paulo. A sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal do município, em decisão assinada pelo juiz Edmilson Rosa dos Santos.
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Além do homicídio, a condenação incluiu três tentativas de homicídio contra outros policiais, associação para o tráfico de drogas e posse de insumos para entorpecentes. A pena foi agravada pelos maus antecedentes do réu. Segundo a sentença, um dos policiais atingidos, Fabiano Marin, ficou com sequelas depois de ter a mão esquerda gravemente ferida, o que repercutiu negativamente em sua carreira militar.
O Tribunal do Júri ocorreu entre os dias 27 e 29 de agosto de 2025. Depois da votação, os jurados consideraram Erickson culpado pelos crimes denunciados pelo Ministério Público. A decisão prevê também o pagamento de 1,4 mil dias-multa.
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Contexto do crime contra o policial
Na mesma sessão, outros dois acusados foram julgados. O irmão de Deivinho, Kauã Jazon da Silva, foi condenado por associação para o tráfico. A princípio sentenciado a três anos de prisão, teve a pena convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de 700 dias-multa, com a possibilidade de responder em liberdade. Já Marco de Assis Silva, conhecido como “Mazaropi”, foi absolvido de todas as acusações.
De acordo com o inquérito da Polícia Civil, Erickson David atuava como segurança em um ponto de venda de drogas chamado “Biqueira da Seringueira”. Os investigadores concluíram que ele foi o autor do disparo que atingiu o soldado Reis no tórax, enquanto este patrulhava a comunidade Vila Júlia. O policial chegou a ser socorrido no Pronto Atendimento da Rodoviária, mas não resistiu.
Quatro dias depois do crime, uma pistola 9 mm e projéteis do mesmo calibre foram apreendidos em um beco da comunidade Vila Júlia. A arma foi atribuída a Deivinho, que acabou preso.

Histórico e defesa
A ficha criminal de Erickson registra passagens anteriores por roubo e formação de quadrilha. Em 2015, ele havia sido condenado a cinco anos e quatro meses de prisão, quando passou por unidades prisionais de São Vicente e Mongaguá, antes de ser beneficiado por regime domiciliar em 2016.
Durante o julgamento, a defesa de Deivinho negou a participação no homicídio. A advogada Karina Renata Rodrigues afirmou que seu cliente é dependente químico e trabalhava como olheiro em troca de entorpecentes, com salário de cerca de R$ 50 diários. Segundo ela, “Deivinho nunca segurou um fuzil, um rifle ou qualquer arma de precisão” e não poderia ser considerado um “sniper”.
Atualmente, o condenado está preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima que abriga detentos considerados de alta periculosidade e identificada como um dos principais redutos do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Morte motivou a Operação Escudo
A morte do soldado Reis desencadeou a Operação Escudo, deflagrada na Baixada Santista. A ação mobilizou cerca de 600 policiais e durou 40 dias, entre julho e setembro de 2023. Segundo dados oficiais, a operação resultou em mais de 950 prisões e em quase 30 mortes de suspeitos em supostos confrontos. O governo de São Paulo afirmou, na época, que não houve abusos policiais.
O caso marcou a primeira morte de um policial da Rota em serviço desde 1999. A partir de então, a Operação Escudo foi repetida em outras ocasiões, sempre depois de ataques contra agentes da corporação.
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