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Soltura do 'Maníaco do Parque' preocupa promotoria; psicopata matou 7 mulheres

Francisco de Assis Pereira foi condenado a quase 300 anos de prisão, mas a legislação limita o tempo de reclusão a 30 anos

Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque
Francisco de Assis Pereira matou e estuprou diversas mulheres na zona sul de São Paulo | Foto: Elias Eberhardt/Correio do Povo/Estadão Conteúdo

Francisco de Assis Pereira, conhecido como o “Maníaco do Parque”, poderá ser solto da cadeira em 2028, de acordo com a legislação brasileira, que limita o tempo de prisão a 30 anos. O assassino foi condenado a quase 300 anos de reclusão.

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Ao site Migalhas, o promotor Edilson Mougenot Bonfim, que atuou no caso de Pereira há mais de 20 anos, expressou preocupação com a reintegração do serial killer à sociedade. O psicopata matou sete mulheres e estuprou nove vítimas de 1997 a 1998.

“Não sou eu com opinião pessoal, é a ciência que diz isso”, afirmou Bomfim. “É unânime na psiquiatria mundial que pessoas que sofrem desse transtorno de personalidade antissocial, no mais alto grau, como o dele, que o torna um serial killer, são incorrigíveis, incapazes de aprender pelo exemplo, incapazes de um juízo autocrítico, sincero e, portanto, incapazes de correção.”

Leia também: “O Estado quer colocar criminosos e psicopatas nas ruas”, reportagem de Uiliam Grizafis publicada na Edição 240 da Revista Oeste

O promotor ressaltou que, atualmente, o Maníaco do Parque não apresenta perigo por causa da prisão e vigilância constante. “A partir do momento que, eventualmente, viesse a ganhar a liberdade, a personalidade dele seria a mesma, com o mesmo transtorno, e logo ali estaria presente o mesmo perigo e o mesmo risco.”

Promotor apresentou Pereira ao tribunal

Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, foi preso em 1998, no Rio Grande do Sul | Foto: Reprodução/Twitter/X
Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, foi preso em 1998, no Rio Grande do Sul | Foto: Reprodução/Twitter/X

Ao apresentar o caso de Francisco de Assis Pereira ao Tribunal do Júri, Bonfim enfrentou desafios, como a necessidade de explicar o conceito de “serial killer“, pouco conhecido no Brasil na época.

“Precisei viajar para vários países e comecei paulatinamente a me imergir numa doutrina e numa literatura que o Brasil desconhecia”, relatou.

Bonfim destacou a preocupação com o uso do termo “maníaco” para referir-se a Pereira, considerando que isso pode levar a população a acreditar que ele é doente e, portanto, isento de pena. “Ao se dizer que alguém é maníaco, leva-se à população leiga a ideia de que alguém é doente e, portanto, isento de pena”, concluiu.

O Maníaco do Parque

Em 2002, a Justiça condenou o Maníaco do Parque a 268 anos de prisão pelos crimes cometidos | Foto: Reprodução/Twitter/X
Em 2002, a Justiça condenou o Maníaco do Parque a 268 anos de prisão pelos crimes cometidos | Foto: Reprodução/Twitter/X

Francisco de Assis Pereira é um dos criminosos mais notórios do Brasil. Nascido em 1967, em São Paulo, ele trabalhava como motoboy e entregador de cartas, mantendo um perfil discreto e aparentemente comum.

No entanto, entre 1997 e 1998, Pereira se tornou o protagonista de uma série de crimes brutais que chocaram o país e o colocaram no centro de uma investigação policial que ganhou destaque na mídia nacional.

Leia também: “O horrendo charme dos serial killers, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 135 da Revista Oeste

A abordagem do assassino se baseava em técnicas de persuasão. Com uma aparência calma e simpatia, ele atraía mulheres prometendo oportunidades para a carreira de modelo. Fingindo ser um fotógrafo profissional, Francisco abordava suas vítimas em locais públicos, especialmente nas proximidades de estações de metrô.

Pereira convencia as vítimas a acompanhá-lo até o Parque Estadual do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Lá, ele as submetia a abusos, tortura e assassinato. Seus crimes foram descobertos em julho de 1998, depois de uma investigação que mobilizou a Polícia Civil de São Paulo.

O Maníaco do Parque foi acusado de matar pelo menos sete mulheres e estuprar outras nove. Preso em 1998, Francisco de Assis Pereira confessou os crimes e foi condenado a mais de 260 anos de prisão por estupro, assassinato e ocultação de cadáveres.

Desde então, o criminoso cumpre pena na Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, conhecida como Penitenciária de Tremembé.

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7 comentários
  1. ANTONIO IRINEU SALES ARRAIS
    ANTONIO IRINEU SALES ARRAIS

    Isso é a prova de que a nossa legislação é um verdadeiro incentivo ao crime.
    O sujeito comete uma barbaridade dessas e só passa 30 anos na prisão.
    É imperioso que o código penal brasileiro seja alterado para que aberrações como essa não aconteçam.

  2. Tania Mara Ferraz Soller
    Tania Mara Ferraz Soller

    Até o maníaco do parque é solto e os perseguidos pelo 8 de janeiro não.
    Sem contar Daniel Silveira.
    Brasil do avesso.

  3. Christian
    Christian

    Com a esperança de vida aumentando no Brasil, já faz tempo que o congresso deveria ter mudado a lei que limita a 30 anos de prisão.
    Algum deputado se elege para mudar esta lei mudar para 40 anos ?

  4. Eduardo
    Eduardo

    Na cabeça dos justiceiros do Brasil, tem que prender apenas aqueles que fizeram as manifestações em Brasília.

  5. Mario Hugo Ladeira Filho
    Mario Hugo Ladeira Filho

    Esse cara não pode ser solto pois vai ser morto na esquina da saída!

  6. Enoque Marques dos Santos
    Enoque Marques dos Santos

    A lei penal no Brasil é uma piada, aliás o Brasil é!

  7. OTNIP M. IAVI
    OTNIP M. IAVI

    Quem faz justiça é a familia, e com certeza todas as vitimas tem familiares.

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