TSE vai descartar mais de 83 mil urnas que se tornaram ultrapassadas

Equipamentos estavam em uso desde as eleições de 2006 e 2008; vida útil é de até dez anos
-Publicidade-
Sistema 100% eletrônico de votação tem sua inviolabilidade questionada por especialistas
Sistema 100% eletrônico de votação tem sua inviolabilidade questionada por especialistas | Foto: Nelson Jr./ASICS\TSE

Em meio aos debates em torno da modernização do sistema de votação no Brasil e diante da polêmica que envolve a proposta do voto verificável já para as eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai descartar cerca de 83,4 mil urnas eletrônicas utilizadas nos pleitos de 2006 e 2008 e que ficaram ultrapassadas. Cada aparelho tem vida útil de até dez anos, em média.

O edital de leilão lançado pelo tribunal estipula um lance inicial de 79 centavos por quilo. A estimativa de valor total a ser arrecadado é de pelo menos R$ 965 mil. Somado às baterias, bobinas e todas as mídias utilizadas, esse montante de urnas eletrônicas que se tornaram obsoletas pesa cerca de 1,2 mil toneladas.

Leia mais: “Os pontos vulneráveis da votação eletrônica adotada no Brasil”

-Publicidade-

Ainda de acordo com a concorrência pública, a empresa vencedora do leilão terá de garantir uma destinação “ambientalmente correta” de todos os componentes, além de apresentar à Justiça Eleitoral contrapartidas ambientais.

Entre as justificativas para o descarte das urnas, o TSE alega que elas não possuem o mecanismo de chip relacionado à segurança digital, além de terem perdido o suporte de software. Segundo o tribunal, não há espaço para os equipamentos nos depósitos do TSE e dos tribunais regionais eleitorais.

Leia mais: “Filipe Barros pede proteção a hacker que invadiu sistema do TSE”

É proibido modernizar?

Reportagem de capa da Edição 69 da Revista Oeste, assinada por Cristyan Costa, traz um raio-x do sistema eletrônico adotado nos processos eleitorais do Brasil desde 1996. A segurança das urnas eletrônicas voltou ao centro de debate nacional a partir da tramitação, na Câmara, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/19, de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que defende o voto verificável ou auditável. O projeto seria votado na quinta-feira 15, mas a comissão especial adiou a apreciação da matéria para depois do recesso parlamentar, em agosto.

Leia também: “Bolsonaro volta a defender voto verificável e critica ‘vontade doida’ de Barroso de manter sistema atual”

Entre os pontos vulneráveis do sistema 100% eletrônico, estão a possibilidade de adulteração pelos próprios funcionários do TSE; o risco de um ataque hacker no momento do envio do programa; e a possibilidade de adulteração do software, o que ameaçaria o sigilo do voto. Possíveis soluções seriam submeter o programa a uma certificação independente, como a do Inmetro; fazer um mapeamento da rede para prevenir ataques; intensificar a fiscalização nos tribunais e cartórios eleitorais; e separar a máquina que identifica o eleitor da urna eletrônica.

No domingo 18, como Oeste noticiou, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o voto verificável. “Não entendo por que não querem o voto auditável. Será que esse voto eletrônico é usado no mundo todo? É tão confiável assim?”, indagou Bolsonaro. “Tenho certeza de que a maioria de vocês não acredita no voto como está aí. As coisas evoluem. É igual banco. Eles buscam maneiras de evitar que hackers e bandidos entrem [no sistema].”

Leia também: “É proibido modernizar a urna eletrônica?”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 69 da Revista Oeste

Telegram
-Publicidade-
* O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais à equipe da publicação, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.
Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Payment methods
Security site
Gostou da Leitura?

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Payment methods
Security site