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Economia

Ata do Copom deixa próximas decisões de juros em aberto

BC reduziu Selic a 14,75%, mas sinaliza cautela diante de conflitos no Oriente Médio e expectativas de inflação ainda acima da meta

Reunião entre membros do Comitê de Política Monetária: segunda maior taxa real do mundo | Foto: Divulgação/Banco Central
Integrantes do Comitê de Política Monetária do Banco Central | Foto: Divulgação/Banco Central

O Banco Central do Brasil (BC) revelou que o cenário econômico global se tornou mais incerto diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio e sinalizou que os próximos passos na trajetória de queda dos juros permanecem em aberto. A avaliação consta na ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 24.

Segundo o colegiado, “o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, o que exige “cautela por parte de países emergentes” em meio à maior volatilidade de ativos e commodities.

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“A incerteza com relação ao cenário externo se elevou consideravelmente”, diz a ata. A autoridade monetária citou não apenas as tensões geopolíticas, mas também dúvidas em torno da política econômica dos Estados Unidos.

Sede do Banco Central | Foto: Divulgação
Sede do Banco Central | Foto: Divulgação

Diante desse quadro, o Copom evitou dar indicações firmes sobre o ritmo futuro de cortes na taxa básica. O comitê ressaltou que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”.

Na reunião, o colegiado decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano. Apesar do início do ciclo de flexibilização, a ata reforça que o processo seguirá condicionado ao ambiente econômico.

“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos [] dificultam a identificação de tendências claras”, destacou.

senador Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O documento também enfatiza que, no cenário atual, “os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações” sobre os desdobramentos da guerra e seus impactos na inflação.

PIB confirmou expectativa de desaceleração econômica, diz BC

No diagnóstico doméstico, o Copom apontou sinais mistos. O PIB no último trimestre de 2025 evidenciou a “desaceleração esperada da atividade econômica”, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido.

Ao mesmo tempo, a inflação mostra algum alívio, mas ainda acima da meta. “A inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta”, afirmou o colegiado. As expectativas também seguem pressionadas, com projeções de 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027.

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Banco Central deixou futuro da Selic em aberto | Foto: Shutterstock

O Copom chamou a atenção para o risco de desancoragem das expectativas, agravado pelo cenário internacional. Segundo a ata, depois do início dos conflitos, as projeções voltaram a subir e permanecem acima da meta de inflação “em todos os horizontes”.

Nesse contexto, o comitê ressaltou que “em um ambiente de expectativas desancoradas […] exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo”. O colegiado afirma que os riscos para a inflação se intensificaram diante do início dos conflitos no Oriente Médio.

Diante desse quadro, a autoridade monetária adotou tom prudente. “O Comitê julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo”, concluiu.

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