O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu cortar a taxa básica de juros do Brasil (Selic), nesta quarta-feira, 18, em 0,25 ponto porcentual. Com esse corte, o primeiro desde 2024, a Selic chega ao patamar de 14,75% ao ano.
A decisão foi tomada de forma unânime pelos sete diretores que compõem o Copom. Todavia, está longe de representar uma guinada expansionista, pois esse movimento vem acompanhado de um recado claro: o cenário global se deteriorou, e o principal fator de risco é o conflito no Irã.
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No comunicado que acompanhou a decisão sobre a Selic, o Copom não informou sobre quais serão os próximos passos na política monetária por causa desse momento de incerteza.
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Segundo o Banco Central, os riscos inflacionários, que já estavam elevados, “se intensificaram após o início dos conflitos” na região.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, salientou a autarquia, no comunicado.
A expectativa do mercado sobre a Selic
Antes do começo do conflito no Irã, o mercado financeiro esperava um corte de 0,5 ponto porcentual. Entretanto, por causa da alta expressiva da cotação do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas, o Banco Central preferiu agir com prudência e limitar o corte a 0,25 ponto porcentual.
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Não se trata de uma menção periférica. A guerra aparece como variável-chave na equação econômica global, afetando diretamente preços de commodities, cadeias de suprimento e expectativas inflacionárias — todos fatores sensíveis para países emergentes como o Brasil.
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O BC fez um movimento calculado: iniciou o ciclo de flexibilização, mas em ritmo mínimo — preservando margem de manobra diante de um ambiente externo volátil.
O comunicado do Banco Central
O aspecto mais relevante do comunicado é justamente o destaque dado à guerra. O Copom enfatiza que o conflito no Oriente Médio eleva a incerteza global e pode impactar diretamente a inflação brasileira por diferentes canais.
Entre eles:
- aumento dos preços internacionais do petróleo;
- pressão sobre commodities e custos de produção;
- volatilidade cambial em mercados emergentes;
- riscos indiretos sobre cadeias globais de abastecimento.
O próprio BC reconhece que ainda há “falta de clareza” sobre a duração e a extensão do conflito, o que amplia a imprevisibilidade e dificulta projeções.
“O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado do Banco Central.
Em outras palavras: o BC iniciou o corte de juros, mas sem nenhum conforto em relação ao cenário externo.
BC salienta necessidade de cautela
A cautela dominou o comunicado. O BC deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução do quadro internacional, especialmente da guerra envolvendo o Irã.
O comitê sinaliza que futuras decisões irão considerar novas informações sobre o conflito e seus efeitos sobre os preços ao longo do tempo.
Isso significa que o ciclo de queda da Selic não está garantido e pode ser interrompido ou desacelerado caso as pressões inflacionárias se intensifiquem.
O Copom voltará a se reunir nos dias 28 e 29 de abril.





































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