publicidade
Economia

Banco Central corta Selic para 14,75%

Todos os diretores da autarquia concordaram com a mudança

Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu cortar a taxa básica de juros do Brasil (Selic), nesta quarta-feira, 18, em 0,25 ponto porcentual. Com esse corte, o primeiro desde 2024, a Selic chega ao patamar de 14,75% ao ano.

A decisão foi tomada de forma unânime pelos sete diretores que compõem o Copom. Todavia, está longe de representar uma guinada expansionista, pois esse movimento vem acompanhado de um recado claro: o cenário global se deteriorou, e o principal fator de risco é o conflito no Irã.

Receba nossas atualizações

Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

No comunicado que acompanhou a decisão sobre a Selic, o Copom não informou sobre quais serão os próximos passos na política monetária por causa desse momento de incerteza.

Saiba mais: Mercado eleva projeção para taxa de juros em 2026

Segundo o Banco Central, os riscos inflacionários, que já estavam elevados, “se intensificaram após o início dos conflitos” na região.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, salientou a autarquia, no comunicado.

A expectativa do mercado sobre a Selic

Antes do começo do conflito no Irã, o mercado financeiro esperava um corte de 0,5 ponto porcentual. Entretanto, por causa da alta expressiva da cotação do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas, o Banco Central preferiu agir com prudência e limitar o corte a 0,25 ponto porcentual.

Saiba mais: Banco Central sinaliza possível corte da Selic em março

Não se trata de uma menção periférica. A guerra aparece como variável-chave na equação econômica global, afetando diretamente preços de commodities, cadeias de suprimento e expectativas inflacionárias — todos fatores sensíveis para países emergentes como o Brasil.

Saiba mais: Skaf cobra Galípolo por manter Selic em 15% ao ano

O BC fez um movimento calculado: iniciou o ciclo de flexibilização, mas em ritmo mínimo — preservando margem de manobra diante de um ambiente externo volátil.

O comunicado do Banco Central

O aspecto mais relevante do comunicado é justamente o destaque dado à guerra. O Copom enfatiza que o conflito no Oriente Médio eleva a incerteza global e pode impactar diretamente a inflação brasileira por diferentes canais.

Entre eles:

  • aumento dos preços internacionais do petróleo;
  • pressão sobre commodities e custos de produção;
  • volatilidade cambial em mercados emergentes;
  • riscos indiretos sobre cadeias globais de abastecimento.

O próprio BC reconhece que ainda há “falta de clareza” sobre a duração e a extensão do conflito, o que amplia a imprevisibilidade e dificulta projeções.

“O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado do Banco Central.

Em outras palavras: o BC iniciou o corte de juros, mas sem nenhum conforto em relação ao cenário externo.

BC salienta necessidade de cautela

A cautela dominou o comunicado. O BC deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução do quadro internacional, especialmente da guerra envolvendo o Irã.

O comitê sinaliza que futuras decisões irão considerar novas informações sobre o conflito e seus efeitos sobre os preços ao longo do tempo.

Isso significa que o ciclo de queda da Selic não está garantido e pode ser interrompido ou desacelerado caso as pressões inflacionárias se intensifiquem.

O Copom voltará a se reunir nos dias 28 e 29 de abril.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade