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Economia

Skaf cobra Galípolo por manter Selic em 15% ao ano

Dirigente da Fiesp enviou carta ao presidente do BC e alertou para risco de estagnação econômica

Ex-candidato ao governo paulista Paulo Skaf | Foto: Divulgação/Fiesp escala 6x1
Paulo Skaf, dirigente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) | Foto: Divulgação/Fiesp

Paulo Skaf, dirigente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), enviou uma carta ao presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, na noite desta quarta-feira, 28. No texto, o empresário criticou duramente a decisão do órgão de manter a Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.

Skaf afirmou que a taxa impõe “um prejuízo severo ao povo brasileiro” e provoca “asfixia” na atividade produtiva.

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“Empresas sólidas sofrem desvalorização, a inadimplência cresce em níveis alarmantes e o incentivo ao investimento torna-se inexistente”, escreveu. “Por que empreender, inovar ou expandir operações se o capital é mais bem remunerado na inércia da renda fixa?”

Na carta, o empresário também fez críticas ao juro real praticado no país, considerado o segundo maior do mundo. Segundo ele, o Brasil mantém uma inflação em torno de 5% ao ano enquanto a taxa real de juros gira em torno de 10%, o que vai na contramão de outras economias.

O presidente da Fiesp informou que se coloca à disposição para um encontro institucional e declarou querer “debater os rumos do Brasil”. Ao mesmo tempo, elogiou o chefe do BC ao dizer que guarda “a mais positiva impressão” sobre Galípolo, a quem definiu como “pessoa de princípios, retidão e inegável espírito público”.  

Eis a íntegra da carta de Skaf:

“São Paulo, 28 de janeiro de 2026

Ao Excelentíssimo Senhor Gabriel Galípolo, Presidente do Banco Central do Brasil

Prezado Gabriel,

Escrevo-lhe motivado pela relação de mútuo respeito e pela trajetória que nos une. Como sabe, guardo a mais positiva impressão de sua conduta, reconhecendo-o como uma pessoa de princípios, retidão e inegável espírito público. É justamente por confiar em sua competência que me sinto à vontade para compartilhar uma preocupação profunda sobre os rumos do nosso País.

Embora compreenda o rigor técnico que norteia as decisões desta autoridade monetária, é forçoso reconhecer que o Brasil atingiu um limite exaustivo. Tomo a liberdade de apelar também à sua sensibilidade: a manutenção de juros tão elevados impõe um prejuízo severo ao povo brasileiro.

No atual contexto, o prolongado período da taxa Selic neste nível gera um quadro de asfixia. Empresas sólidas sofrem desvalorização, a inadimplência cresce em níveis alarmantes e o incentivo ao investimento torna-se inexistente. Por que empreender, inovar ou expandir operações se o capital é mais bem remunerado na inércia da renda fixa?

É preciso observar, ainda, que o mercado e as famílias não operam sob a taxa básica. Na ponta final, o setor produtivo, o pequeno comerciante e o cidadão comum arcam com prêmios e spreads que tornam o crédito proibitivo. Torna-se cada vez mais difícil encontrar motivos para o adiamento de um ciclo de afrouxamento monetário, cujas condições já parecem consolidadas.

Nossa inflação não é fruto de excesso de consumo. Ao contrário, o que assistimos é uma punição ao setor produtivo. Com o custo de capital mais alto do mundo, o ajuste fiscal corre o risco de tornar-se uma ficção contábil, enquanto o crescimento real e a geração de empregos são sacrificados.

Finalizo esta reflexão com uma indagação que ecoa em diversos setores da sociedade: como, em um cenário global de estabilização que visa ao equilíbrio entre controle inflacionário e viabilidade produtiva, somos praticamente um dos únicos países a manter uma inflação próxima de 5% com uma taxa real que ronda os 10%?

Nesse sentido, coloco-me à inteira disposição para um encontro institucional. Seria um prazer reencontrá-lo e de grande valia debater os rumos do Brasil e contribuir com a visão de setores produtivos para o desenvolvimento do País.

Renovo meus protestos de elevada estima e consideração.

Atenciosamente,

Paulo Skaf

Presidente”

+ Leia também: “Conselheiros do BRB contestaram diretor do BC por pedido de compra de ativos do Master”

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1 comentário
  1. Denis R.
    Denis R.

    Skaf tem o seu ponto mas poderia ser mais incisivo alertando e cobrando o governo federal para reduzirem a gastança que tem promovido neste governo (assim como nas gestões passadas. Todas elas…). Não adianta tentar resolver um problema atacando a consequência e deixando a causa de lado!

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