Uma auditoria interna do Banco de Brasília (BRB) identificou, em 4 de abril de 2025, indícios de que carteiras de crédito consignado adquiridas do Banco Master continham dados falsos. Mesmo com o alerta, o BRB manteve as compras até maio e acumulou R$ 12,2 bilhões nesses ativos.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, afirmou que tomou conhecimento do relatório apenas no fim de maio. Segundo ele, a diretoria encaminhou as informações ao Banco Central (BC) para apuração das irregularidades.
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Nesta quinta-feira, 26, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, declarou que a fiscalização já havia identificado sinais de risco antes disso. Ele informou que a venda dessas carteiras chamou atenção da diretoria em janeiro de 2025, e o órgão criou um grupo de análise em fevereiro.
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, que obteve detalhes inéditos do documento, o material descreve falhas graves na base de dados entregues pelo Master. Auditores encontraram planilhas simples, com informações vulneráveis a manipulação, em vez de sistemas estruturados de controle.
A análise, portanto, identificou “preenchimento de dados inverídicos, realizados para evitar campos em branco, incluindo inserções manuais, como a data de nascimento em 01 de janeiro de 1901 ou o endereço de email fictício ‘[email protected]’”.
Os auditores também encontraram contratos duplicados e clientes com nomes idênticos. O Serviço Federal de Processamento de Dados participou da verificação das informações e, ao cruzar informações, identificou registros que não correspondiam a contratos reais de crédito consignado.
PF e MPF confirmam indícios de falsificação nas carteiras
O documento foi entregue ao Comitê de Auditoria do BRB, então presidido por Marcelo Talarico. Segundo integrantes da instituição, a diretoria encaminhou o relatório apenas à presidência e não levou o conteúdo ao Conselho de Administração.
O banco também não enviou o material aos órgãos de investigação naquele momento. A Polícia Federal (PF) recebeu o relatório apenas no fim do ano passado, durante a Operação Compliance Zero.
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Investigações posteriores da PF e do Ministério Público Federal (MPF) reforçaram as suspeitas de falsificação das carteiras. A apuração resultou na prisão do empresário Daniel Vorcaro, que voltou a ser detido e negocia acordo de delação premiada.






































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