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Economia

Em 7 meses, risco Brasil subiu mais do que de outros emergentes

Ano é marcado por piora generalizada, mas incertezas fiscais do país dificultam ainda mais o cenário doméstico

estadão desoneração Brasil
O presidente Lula (à esq) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à dir), durante anúncio do Plano Safra da Agricultura Familiar 2023/2024 - 28/6/2023 | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Desde o início do ano, o Brasil tem enfrentado um cenário econômico desafiador, agravado por incertezas locais, especialmente na área fiscal. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, de janeiro a julho, o risco país, medido pelo Credit Default Swap (CDS), aumentou 38 pontos, atingindo 170 pontos.

Em comparação, o CDS do México subiu 22 pontos, o do Chile subiu 7 pontos, o do Peru cresceu 6 pontos e o da África do Sul aumentou 5 pontos. A Colômbia teve o pior desempenho, com alta de 39 pontos.

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A média do CDS de Colômbia, México e África do Sul era 18 pontos maior que a do Brasil no final de 2023. Em 1º de julho, essa diferença caiu para 2 pontos.

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Embora o CDS brasileiro tenha mostrado menor volatilidade em comparação ao passado, devido a contas externas saudáveis e reservas acumuladas, a incerteza sobre a economia brasileira persiste. O dólar chegou a R$ 5,70 nesta semana, e, nesta sexta-feira, está cotado em R$ 5,48, acumulando uma alta de 13,07% no ano.

A expectativa de que o Federal Reserve manterá os juros altos por mais tempo tem levado investidores a serem mais seletivos com economias emergentes.

Desafios no Brasil permeiam ajuste fiscal

Já no Brasil, os desafios se intensificaram devido à postergação das promessas de ajuste das contas públicas pelo governo. Em abril, as metas de resultado primário foram reduzidas, com o alvo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025 passando para 0%, o mesmo de 2024. Para 2026, a meta foi ajustada de um superávit de 1% do PIB para 0,25%.

Leia também: “Dólar cai depois de declarações de Lula sobre compromisso fiscal”

As metas para 2027 e 2028 foram estabelecidas em saldos positivos de 0,50% e 1% do PIB, respectivamente. Mas analistas permanecem céticos sobre a capacidade do governo de atingir esses objetivos.

O Brasil precisa retomar os superávits primários para controlar o endividamento, considerado elevado para uma economia emergente. Segundo analistas, isso só será possível com um ajuste significativo nos gastos, algo que ainda não foi sinalizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na quarta-feira, depois do aumento da incerteza entre investidores e a alta do dólar, o presidente Lula reafirmou o compromisso com a responsabilidade fiscal. A declaração veio depois de alertas de economistas sobre o impacto da alta do dólar na inflação.

Leia também: “Folha e Estadão atribuem a falas de Lula alta do dólar e pressão sobre a inflação”

Na noite de quarta, 3, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterou esse compromisso e anunciou a identificação de R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias que serão cortadas do Orçamento de 2025.

Além das questões fiscais, há incertezas sobre o futuro do Banco Central, com o fim do mandato de Roberto Campos Neto no final do ano.

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