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Economia

Endividamento das famílias atinge recorde e preocupa Banco Central

Órgão observa que o peso das dívidas mais caras contribui para pressionar ainda mais o orçamento doméstico no país

banco central - mercado - inflação
Fachada do prédio do Banco Central do Brasil | Foto: Arnaldo Jr/Shutterstock

O Banco Central (BC) informou nesta quarta-feira, 3, que o endividamento das famílias brasileiras atingiu patamares recordes e continua em trajetória de alta. O órgão observa que o peso das dívidas mais caras contribui para pressionar ainda mais o orçamento doméstico no país.

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De acordo com o Comitê de Estabilidade Financeira do BC, em março, o índice de endividamento chegou a 49,8%, próximo do maior valor já registrado desde 2005. Enquanto isso, o comprometimento de renda ficou em 29,3%.

A instituição ressaltou que o avanço do crédito com custos elevados tende a agravar esse cenário e recomenda atenção redobrada ao setor.

Superendividamento motiva ações do governo

Lula
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Para calcular o endividamento, considera-se o saldo das dívidas no mês em relação à renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento de renda é medido pelo saldo de dívidas em relação à renda mensal disponível.

O superendividamento motivou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a relançar o Desenrola Brasil. O programa prevê descontos de até 90% na renegociação de dívidas e juros limitados a 1,99% ao mês.

Em ano eleitoral, a nova fase do Desenrola Brasil é uma aposta para melhorar a imagem do governo com a população. Também tem previsão para a criação de uma linha de crédito direcionada a consumidores adimplentes, mas com renda fortemente comprometida.

Crédito bancário desacelera, afirma o Banco Central

O Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central informou que, desde março, o crédito bancário desacelerou pela taxa Selic elevada, hoje em 14,5% ao ano. “Do lado das famílias, o crescimento do crédito arrefeceu nas modalidades de maior risco, mas segue superior ao da carteira de menor risco”, afirmou o órgão.

O financiamento pelo mercado de capitais voltou a ganhar ritmo, com expansão superior à do setor bancário. “O aumento da relevância do mercado de capitais como fonte de financiamento para empresas ocorreu apesar das aberturas de spreads de debêntures incentivadas e dos resgates líquidos em fundos de crédito privado”, explicou o BC.

Leia também: “Faria Lima preocupada com eventual vitória de Lula”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 324 da Revista Oeste

O Banco Central também relatou que a oferta de crédito esfriou para micros, pequenas e médias empresas, sustentada por programas de incentivo. Para grandes empresas, no entanto, houve reaceleração. “A materialização de risco permaneceu elevada e em ascensão para todos os portes de empresas”, tratou o comitê.

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