publicidade
Economia

Fraudes do BRB e Master aconteceram mesmo sob olhar do BC

A autarquia monitorava de perto a oferta de aquisição da instituição privada pelo Banco de Brasília

Banco Master | Foto: Reprodução/ Redes sociais
Fachada da sede do Banco Master, na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo; instituição foi liquidada pelo Banco Central | Foto: Reprodução/Redes sociais

Autoridades financeiras identificaram indícios de fraude na proposta de aquisição do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Master mesmo durante o período em que o Banco Central (BC) monitorava de perto a transação. A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) teve início diante de denúncias do próprio BC.

Em nota oficial, o BRB declarou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Paulo Henrique Costa, presidente afastado do BRB, afirmou ter identificado divergências documentais nas operações no primeiro quadrimestre, notificou o BC sobre a questão e promoveu, “em sua grande maioria”, a substituição das carteiras envolvidas.

Justiça autoriza Polícia Federal a fazer busca e apreensão no Banco Master | Foto: Divulgação/PF
Justiça autoriza Polícia Federal a fazer busca e apreensão no Banco Master | Foto: Divulgação/PF

O processo judicial detalha exemplos de fraudes, como a venda de carteiras de crédito inexistentes ao Master — que não fez nenhum desembolso, mas ganhou R$ 12,2 bilhões —, além do uso de empresas de fachada. Uma dessas empresas, controlada por um ex-funcionário do Master, teve capital elevado de R$ 100 para R$ 30 milhões dois dias antes de firmar contrato com o banco.

As apurações apontam ainda manipulação contábil e falsificação de documentos, o que permitiu que ambos os bancos aparentassem estar em conformidade com as normas do BC. O limite de exposição do BRB era de R$ 753 milhões, o que, segundo as autoridades, impediria operações do porte de R$ 12,2 bilhões em empréstimos ou depósitos interbancários (DIs) ao Master.

De acordo com decisão do juiz responsável, mesmo depois de “ter ciência de que as operações estavam sendo monitoradas pelo Banco Central, o BRB continuou realizando repasses bilionários ao Banco Master” em virtude de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) originadas por terceiros. Entre abril e maio, essas operações totalizaram R$ 4,05 bilhões em CCBs, uma espécie de título de dívida, transferidas ao Master.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso nesta segunda-feira, 17
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso nesta segunda-feira, 17 | Foto: Divulgação/ Master

O BC ressaltou, em decisão judicial, que o BRB fez registros contábeis sem respaldo documental para manter o índice de Basileia. Segundo o órgão, a regularização dos documentos contábeis foi determinada, mas até o momento não ocorreu.

Ascensão e dificuldades do Banco Master

A trajetória do Banco Master começou em 2017, quando Daniel Vorcaro adquiriu participação no então Banco Máxima, que já estava sob investigação policial. O funcionamento sob a nova direção dependeu de autorização do BC.

Em 2021, o banco mineiro passou a se chamar Master e acelerou sua expansão com emissões de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de juros elevados e aquisição de ativos de risco. A promessa de altos rendimentos vinha acompanhada, nas peças de propaganda, da garantia de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Leia também:

No decorrer de 2024, bancos de grande porte restringiram a venda de CDBs do Master devido ao risco para o FGC, o que comprometeu a liquidez da instituição. O Master acumulou até R$ 50 bilhões em CDBs e DIs. Em julho de 2024, iniciou-se a venda de carteiras de crédito consignado ao BRB, e, paralelamente, letras financeiras foram destinadas a fundos de pensão, como o RioPrevidência.

A crise financeira do Master se agravou, culminando na criação da Tirreno Consultoria em novembro de 2024. A consultoria, dirigida por André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Master, teria sido usada para intermediar operações suspeitas com o BRB. Em nota, a Cartos, empresa à qual Maia também está vinculado, declarou que está à disposição das autoridades e reitera não ter relações operacionais com o Banco Master, além de negar irregularidades.

Em 2025, a venda de consignado ao BRB se intensificou. O BC identificou, em 17 de março, o aumento das operações, que entre junho de 2024 e outubro de 2025 somaram R$ 16,7 bilhões. Apenas nos cinco primeiros meses de 2025, o volume chegou a R$ 12,2 bilhões. Em 29 de março, o BRB anunciou a compra parcial do Master por R$ 2 bilhões.

Paulo Henrique Costa foi afastado da chefia do BRB | Foto: Divulgação/BRB
Paulo Henrique Costa foi afastado da chefia do BRB | Foto: Divulgação/BRB

Durante a análise do BC, técnicos constataram cessão irregular de créditos e escrituração inadequada, o que comprometeu a veracidade do balanço do Master. Cerca de R$ 12 bilhões dos R$ 50 bilhões emitidos estariam descobertos em razão de ativos de baixa liquidez. O BC apurou ainda que o Master tentou justificar a operação alegando ter adquirido créditos da Tirreno, mas não houve transferência de recursos entre as partes.

A análise de 30 CPFs cedidos pela Tirreno não encontrou correspondência financeira. Com a aquisição do Master, o BRB buscaria diluir a carteira de crédito fictícia e negociar ativos de valor real. O BC questionou a compra e solicitou informações adicionais, o que levou o BRB a anunciar redução no escopo da aquisição. Posteriormente, o BC vetou a transação, no início de setembro.

Diante da reprovação, o proprietário do Master vendeu ativos e tentou obter apoio do FGC. Na última terça-feira, 18, o BC determinou a liquidação do Master e a prisão de Daniel Vorcaro, enquanto Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB. As motivações do BRB ainda não foram esclarecidas pelo BC, Justiça e PF, mas o caso pode avançar para uma ação criminal.

1 comentário
  1. carlos
    carlos

    Será que o atual pres do banco central, Galipolo, por sinal petista, fez vista grossa??

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade