Registros recentes enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que o fundo de participações Termópilas perdeu praticamente todo o seu patrimônio em poucos meses. O veículo, administrado pela Reag, saiu de uma posição próxima a R$ 1 bilhão para um saldo líquido negativo no fim de 2025. A situação é incomum mesmo em fundos de maior risco.
A queda no patrimônio ocorre no rastro do escândalo que envolve o Banco Master, liquidado pelo Banco Central depois de investigações apontarem uma engrenagem de empréstimos irregulares, circulação cruzada de recursos e uso de fundos para realimentar o próprio banco. O Termópilas aparece nesse circuito como peça importante.
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Dados oficiais mostram que, entre meados e o fim de 2025, a diferença entre ativos e passivos do fundo se deteriorou rapidamente. No período mais recente, o patrimônio líquido ficou abaixo de zero.
Véspera da prisão de Vorcaro
Em 16 de novembro do ano passado, um dia antes da prisão de Vorcaro, houve a realização de uma assembleia extraordinária, feita de forma remota, que resultou na alteração de regras relacionadas à amortização e ao resgate de cotas.
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Segundo a ata, todos os cotistas estavam presentes, o que dispensou convocação formal. Mudanças desse tipo costumam ser tratadas com cautela porque definem quem pode sair do fundo, quando e em quais condições. Na prática, o momento da alteração levanta dúvidas sobre se parte dos investidores conseguiu resgatar recursos antes que a situação patrimonial se tornasse insustentável.
Fluxo de recursos
Relatos da investigação policial sugerem que fundos ligados ao Master realizaram resgates vultosos de títulos do próprio banco e transferiram valores para o Termópilas, que, por sua vez, repassou recursos a empresas do mesmo círculo empresarial. Uma delas é a Super Empreendimentos, que manteve relações societárias e operacionais com pessoas próximas a Vorcaro.
A Super ganhou notoriedade ao aparecer como proprietária de imóveis de alto valor usados pelo ex-banqueiro e ao figurar em transações que despertaram a atenção de investigadores. Documentos mais recentes mostram mudança de endereço da empresa para um escritório compartilhado, o que não é irregular, mas reforça o ambiente de opacidade em torno de suas operações.
Cotistas sob risco
No mercado de fundos de participações, o patrimônio líquido negativo é tratado como evento extremo. Dependendo do regulamento, cotistas remanescentes podem ser chamados a aportar recursos para cobrir o rombo deixado por resgates anteriores. Em cenários assim, quem saiu antes tende a receber valores calculados com base em estimativas que não refletem perdas futuras.
A CVM afirma que não comenta casos específicos, mas lembra que administradores estão sujeitos a sanções quando descumprem prazos ou deixam de fornecer informações completas. No caso do Termópilas, a própria base pública da autarquia apresenta lacunas e dados desatualizados sobre a composição da carteira, o que dificulta a reconstrução precisa do destino do dinheiro.
Leia também: “O Master e os manés”, artigo de Roberto Motta publicado na Edição 307 da Revista Oeste






































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