publicidade
Economia

Fora da lista de isenções, uva é a fruta mais atingida por tarifaço

Com nova taxa, tributação total da uva deve ficar em 35%, o que reduzirá a competitividade do produto brasileiro

Uva deve ser a fruta produzida no Brasil mais afetada pelo tarifaço comercial dos Estados Unidos | Foto: Divulgação/CNA

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil, afetando especialmente as exportações de uva, que terá uma tributação total de 35%. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas) alertou que isso reduzirá a competitividade da fruta no mercado norte-americano, embora outras frutas, como melão e melancia, sofram menos impacto.

O novo tarifaço comercial imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil terá impacto nas exportações de frutas, de acordo com avaliação da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Segundo estimativas da entidade, a uva deve ser a fruta mais atingida pelas tarifas adicionais de 25% anunciadas na quarta-feira 15 pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Receba nossas atualizações

De acordo com a Abrafrutas, com a nova taxa, a tributação total da uva deve ficar em 35%, o que reduzirá a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano e afetará toda a cadeia produtiva do setor.

O melão e a melancia também serão alvo de taxas, mas o impacto deve ser menor por causa do perfil e do volume das exportações dessas frutas para o mercado dos EUA.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Parte das frutas produzidas no Brasil que são exportadas para os EUA ficou isenta do tarifaço de 25%. A uva, no entanto, é o item mais relevante entre as ausências da lista de isenções, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

“As exportações brasileiras de uva para os EUA já vinham perdendo competitividade desde a tarifação anterior, reduzindo significativamente a participação desse destino nas vendas externas da fruta”, pondera Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea, em nota.

“Embora o mercado norte-americano representasse uma importante janela comercial no início do segundo semestre, a Europa continua sendo o principal destino da uva brasileira”, explica.

Para a pesquisadora, o cenário geral ainda é relativamente favorável para o setor de hortifrútis no Brasil. A maioria das frutas tropicais, cítricos, suco de laranja e outros derivados isentos das tarifas deve limitar os efeitos das novas taxas sobre a cadeia hortifrutícola.

“Ainda assim, o setor deverá acompanhar atentamente a publicação definitiva dos códigos tarifários, especialmente no caso da uva e de outros produtos que permaneceram fora da lista de isenções”, defende Boteon.

No ano passado, o Brasil exportou 14 mil toneladas de uva aos EUA, o que correspondeu a cerca de US$ 41,5 milhões. 

Leia também: “Tarifaço: ‘Faltou vontade de negociar’, diz líder da indústria do plástico'”

Orientações aos produtores

A Abrafrutas informou que já está orientando produtores e exportadores a respeito dos procedimentos que devem tomar diante do novo tarifaço norte-americano. Entre as medidas estudadas para reduzir o impacto das taxas, estão a diversificação de mercados e novas estratégias comerciais para manter o escoamento da produção.

“O setor já demonstrou capacidade de superação em situações semelhantes. No ano passado, durante a implementação de medidas tarifárias que afetaram especialmente as exportações de manga brasileira para os EUA, os produtores reagiram com rapidez e resiliência, reorganizaram operações, ampliaram mercados e adotaram estratégias que minimizaram os impactos econômicos”, afirmou a entidade.

O novo ‘tarifaço’

A decisão do governo dos EUA de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros veio à tona na quarta-feira 15, depois de anúncio do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump, a medida começa a valer na próxima quarta-feira, 22. A tarifa atinge setores como etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Ao divulgar a medida, o órgão também publicou uma lista de produtos isentos da cobrança adicional, entre os quais carne bovina, café, petróleo e laranja, itens de grande relevância para a pauta exportadora brasileira.

A sobretaxa decorre da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301, da Lei de Comércio, de 1974. O processo começou em julho do ano passado, quando Trump anunciou uma ofensiva comercial contra o Brasil.

Leia também: “Durigan: ‘Não cabe falar em retaliação aos EUA por tarifas'”

Leia também

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade