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Economia

Investidores aumentam no Brasil, mas renda ainda limita expansão, diz Anbima

Também cresceu o conhecimento sobre produtos financeiros

Sede da Anbima | Foto: divulgação
Sede da Anbima | Foto: divulgação

O número de brasileiros que investem segue em trajetória de crescimento, mas o avanço ainda esbarra em limitações estruturais, como renda insuficiente e baixa capacidade de poupança.

É o que mostra a nova edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que revela que 36% da população, cerca de 60,6 milhões de pessoas, possui algum tipo de aplicação financeira, consolidando uma expansão gradual da cultura de investimentos no país.

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O levantamento, realizado junto com a Datafolha, revela que desde 2021 houve progresso consistente em indicadores-chave: a parcela de brasileiros que conseguiu economizar subiu de 27% para 33%, enquanto aqueles que realizaram algum investimento ao longo do ano avançaram de 18% para 24%, atingindo o maior patamar da série histórica.

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Também cresceu o conhecimento sobre produtos financeiros, refletindo maior acesso à informação e popularização do tema em canais digitais.

Apesar disso, o Brasil ainda é majoritariamente um país de não investidores. Cerca de 64% da população não possui aplicações financeiras, e mais da metade desse grupo não consegue sequer guardar dinheiro.

A principal barreira é econômica: 82% apontam restrições financeiras, como renda baixa e pressão no orçamento, como motivo para não poupar, evidenciando que a expansão do mercado depende não apenas de educação financeira, mas também de melhora nas condições de vida.

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A pesquisa, em sua nona edição, ouviu 5.832 pessoas, com 16 anos ou mais, nas cinco regiões do país entre 4 e 21 de novembro de 2025. Os dados mapeiam desde hábitos de poupança até o impacto das apostas on-line e do uso de inteligência artificial nas decisões financeiras.

Poupança ainda domina, mas vem diminuindo de importância

Entre os investidores, no entanto, o comportamento vem mudando.

A poupança segue como principal produto, mas perdeu espaço relevante, enquanto alternativas mais sofisticadas ganham terreno.

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Em cinco anos, a participação de títulos privados nas carteiras subiu de 8% para 20%, e a de fundos de investimento, de 9% para 14%, indicando um movimento gradual de diversificação.

A digitalização também é um dos motores dessa transformação. O uso de canais on-line para investir cresceu significativamente, ao passo que a ida presencial a agências bancárias perdeu relevância.

Baixa educação financeira, informações de redes sociais

Redes sociais e plataformas digitais se consolidaram como principais fontes de informação, e até ferramentas de inteligência artificial começam a ganhar espaço como apoio na tomada de decisão.

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Ainda assim, o estudo aponta fragilidades importantes na saúde financeira da população. Embora 69% dos brasileiros afirmem ter alguma reserva para emergências, a maior parte dispõe de recursos limitados que durariam, no máximo, seis meses.

Além disso, o planejamento de longo prazo segue incipiente: apenas 16% já começaram a poupar para a aposentadoria, enquanto a maioria ainda depende da previdência pública como principal fonte de renda futura.

As desigualdades também se refletem no acesso aos investimentos. Entre as pessoas de maior renda, 42% afirmam ter investido em 2025, enquanto nas classes mais baixas esse porcentual cai para 12%.

Há também diferenças geracionais, com investidores mais jovens a apresentar maior diversificação e maior uso de canais digitais, enquanto os mais velhos concentram aplicações em produtos tradicionais e têm menor capacidade de poupança.

Apesar dos entraves, as expectativas apontam para continuidade da expansão. Segundo o levantamento, 23,2 milhões de brasileiros que hoje não investem pretendem começar em 2026, enquanto 14,5 milhões dizem que podem deixar o mercado.

Se confirmadas, essas intenções indicariam um saldo líquido potencial de 8,7 milhões de novos investidores .

O diagnóstico da Anbima sugere, portanto, um mercado em amadurecimento, mas ainda longe de uma expansão acelerada.

A base de investidores cresce, o comportamento evolui e a diversificação avança — mas o ritmo segue condicionado por fatores estruturais.

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