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Economia

Presidente do BC diz que 'mercado financeiro não é um monstro'

Em palestra, Roberto Campos Neto defendeu responsabilidade do futuro governo com excesso de gastos

Lula Roberto Campos
Presidente do BC, Roberto Campos Neto | Foto: Raphael Ribeiro/ BCB

Depois de o mercado financeiro reagir negativamente ao rombo no teto de gastos anunciado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as críticas do petista à oscilação do mercado, o presidente do Banco Central, Roberto Campo Neto, explicou o funcionamento do mercado e defendeu a responsabilidade fiscal na condução da economia justamente para não prejudicar os mais carentes.

A declaração foi dada em evento na sede do canal Bloomberg, em São Paulo. Ele afirmou que “o mercado não é um monstro ou um inimigo. O mercado é só uma máquina que aloca recursos”, disse. “A verdade é que, quando as condições são adversas, a inflação é muito alta e as pessoas não conseguem planejar, é a população mais carente que mais sofre. E por isso é importante ter a responsabilidade fiscal e a preocupação com o social. Assim você consegue explicar para o mercado que é possível uma convergência”.

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A política monetária do Banco Central foi amplamente elogiada por analistas econômicos no Brasil e no exterior, justamente porque o BC começou, muito antes dos outros países, a elevar os juros, que saltaram de 2%, em março de 2021 para 13,75% em setembro deste ano, taxa ainda em vigor. Se essa convergência de que falou Campos Neto, o BC poderá voltar a aumentar a Selic.

Na quarta-feira 16, Lula voltou a criticar o mercado, que teve nova queda em razão da PEC da Gastança. “Vai cair a bolsa, o dólar vai aumentar, paciência. O dólar não aumenta e a bolsa não cai por conta das pessoas sérias, mas por conta dos especuladores que vivem especulando todo santo dia”, declarou o presidente eleito na COP27, no Egito.

Campos Neto ponderou que eventuais gastos públicos acima do que o mercado espera são possíveis, desde que haja transparência sobre os planos futuros do governo. Apesar disso, lembrou que o Brasil enfrentou uma crise sanitária, hídrica e os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, o que causou impacto no mercado financeiro.

“O mercado tem dado sinais de ansiedade para encontrar respostas sobre como vamos pagar a conta, que cresceu durante a pandemia globalmente. Estamos na situação de como vamos converter a dívida no longo prazo”, explicou.

Campos Neto, afirmou que vê sinais de melhora na inflação e disse que o cenário econômico brasileiro é melhor do que o do restante do mundo. “Não é verdade que o Brasil gastou mais para baixar a inflação artificialmente. O Brasil mostra cenário melhor que o restante do mundo e foi rápido em subir juros”, avaliou Campos Neto.

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