A renegociação de R$ 64,7 bilhões em dívidas da Raízen ganhou novo rumo depois de articulações que se estenderam por quase dois anos e culminaram em um acordo extrajudicial anunciado nesta sexta-feira, 5. A formalização do plano envolveu a maioria dos credores, de modo a evitar o início de uma recuperação judicial e estabelecer novas bases para a saúde financeira da companhia.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Receba nossas atualizações
Segundo comunicado oficial, credores internacionais, locais e instituições bancárias, que detêm cerca de 75% das obrigações, concordaram com os termos apresentados. O acordo permite, entre outras medidas, a conversão de aproximadamente 45% da dívida em participação acionária a um valor de R$ 0,25 por ação, enquanto os 55% restantes serão refinanciados, substituídos ou aditados por novos títulos.
Investimentos e mudanças no controle acionário da Raízen

A Shell, agora maior acionista da Raízen, realizou um aporte de R$ 3,5 bilhões e passou a deter em torno de 12% da empresa. Rubens Ometto, controlador da Cosan, investiu R$ 500 milhões por meio do fundo familiar Aguassanta, mantendo representatividade no grupo. Parte do acordo permite aos credores optar pelo pagamento com desconto, limitado a R$ 150 milhões em créditos de menor valor.
De acordo com análise da XP Investimentos, a entrada de capital por Shell e Aguassanta sinaliza “um sinal de comprometimento dos acionistas com o turnaround — e também a referência de preço para a conversão de dívida em ações que será oferecida aos credores”. Apesar da definição dos aportes, permanece incerta a permanência de Ometto na presidência do conselho da Raízen.
Fontes próximas ao processo relatam que a discussão sobre os valores de aporte entre Cosan e Shell foi determinante para a escolha pela reestruturação extrajudicial. A Shell, segundo interlocutores, inicialmente relutou em investir uma quantia maior do que a Cosan. Desde 2011, ambas mantêm participações semelhantes na companhia.
Aposta tecnológica e desafios financeiros
Especialistas do setor sucroenergético afirmam que o crescimento da dívida da Raízen está ligado à aposta em novas tecnologias, como o etanol de segunda geração (E2G), obtido a partir de resíduos vegetais. O desenvolvimento desse biocombustível, mais caro e complexo, não conseguiu acompanhar a competitividade do etanol de milho, beneficiando concorrentes como Inpasa e FS.
O etanol de segunda geração permite elevar a produtividade em até 50% sem ampliar áreas de plantio, conforme dados da empresa. No entanto, a pressão financeira resultou na venda de ativos, incluindo uma usina histórica de Ribeirão Preto (SP). Ela expôs desafios no modelo de expansão tecnológica adotado pela Raízen.
Leia mais: “Contagem regressiva das tarifas”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 325 da Revista Oeste
Com atuação em toda a cadeia da cana, a Raízen é a maior produtora nacional de etanol de cana-de-açúcar. A empresa distribui mais de 30 bilhões de litros de combustíveis ao ano, controla mais de 8 mil postos da marca Shell e opera 70 terminais, abastecendo aeroportos e cerca de 5 mil empresas. Internacionalmente, está presente em países como Argentina, Estados Unidos, França, Alemanha e Indonésia.





































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.