A agência de classificação de risco S&P Global rebaixou, novamente, a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB) para o patamar “brCCC+/brC”.
O selo indica que a estatal está vulnerável e depende de fatores externos favoráveis para honrar os seus pagamentos.
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Trata-se do segundo corte na avaliação do BRB em um intervalo menor que três meses, depois de o índice cair para “brB-/brB” em março.
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O relatório associa o tombo financeiro às perdas provocadas pelo Master e aos desdobramentos da Compliance Zero, operação da Polícia Federal (PF).
Os analistas apontam falhas graves de governança, condutas irregulares de diretores, conflitos de interesse e a urgência de injeção de dinheiro para cobrir o buraco contábil.
A agência estima que o BRB precisa de uma capitalização entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões para afastar o risco de liquidação.
Socorro ao BRB exige congelamento de concursos no DF
Os governos do Distrito Federal e Lula fecharam um acordo, em maio, para tentar salvar o BRB com um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O socorro financeiro impõe contrapartidas duras para a capital federal.
O governo local teve de suspender a abertura de novos concursos públicos, barrar reajustes salariais do funcionalismo e travar a concessão de incentivos para empresas.
A S&P Global ponderou que o empréstimo bilionário do FGC envolve uma estrutura complexa e demorada.
O cronograma apertado aumenta as incertezas no mercado e pode gerar novos atrasos.
Para garantir o recebimento do dinheiro em caso de inadimplência, o Palácio do Buriti pôs como garantia as fatias do Distrito Federal no Fundo de Participação dos Estados e no Fundo de Participação dos Municípios.
Negócio com Vorcaro motivou crise
A crise do BRB começou após a tentativa da diretoria de comprar uma fatia do Master, do empresário Daniel Vorcaro. O Banco Central, no entanto, barrou o negócio ao analisar a transação por cinco meses.
A PF deflagrou, em seguida, uma operação a fim de apurar fraudes bilionárias na contabilidade do banco.
Vorcaro acabou preso em novembro do ano passado, mas obteve liberdade provisória por um curto período.
Em março deste ano, contudo, o empresário voltou à cadeia.
A PF entregou relatórios ao Supremo Tribunal Federal segundo os quais o empresário chefiava um grupo armado para coagir testemunhas.
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