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Economia

Retaliação de Lula a tarifas dos EUA pode acabar com 5 mi de empregos em 10 anos

Estudo da Fiemg alerta para a redução de R$ 667 bilhões do PIB na próxima década

Alta tarifas Estados Unidos exportações
Alta tarifas devem diminuir volume de exportações para os EUA | Foto: Reprodução/Pixabay

Uma intensificação da guerra de tarifas entre Brasil e Estados Unidos pode resultar na eliminação de até 5 milhões de vagas de trabalho e retração de R$ 667 bilhões — ou 6% —no PIB nacional em até dez anos, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O anúncio das tarifas de 50% dos Estados Unidos, previstas para vigorar em 1º de agosto, representa mais que um entrave ao comércio bilateral. Especialistas alertam para consequências profundas caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva opte por retaliar.

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O jurista Ives Gandra da Silva Martins, professor da Universidade Mackenzie, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que “o Ministério das Relações Exteriores precisará ser muito hábil para negociar e, quem sabe, suspender essas tarifas antes de 1° de agosto”.

Porto de Santos é importante local responsável por importações e exportações do Brasil
Porto de Santos é importante local responsável por importações e exportações do Brasil | Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com a Fiemg, as eventuais tarifas de 50% sobre produtos dos EUA, cogitadas por Lula na semana passada, provocariam retração de 2,21% no PIB, ou R$ 259 bilhões, e a perda de 1,9 milhão de empregos. Os rendimentos totais diminuiriam R$ 36,2 bilhões, e a arrecadação federal cairia R$ 7,2 bilhões.

O cenário se desenrola enquanto as contas públicas seguem deficitárias em grande parte do atual governo. A dívida saltou de 71,7% para 76,1% do PIB desde dezembro de 2022 até maio deste ano.

Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, ressalta que “uma retaliação mal planejada pode gerar efeitos colaterais significativos para a economia brasileira. Setores com alta exposição ao mercado externo seriam diretamente impactados e, com eles, empregos e cadeias produtivas inteiras.” Ao Estadão, ele disse que, “para o consumidor, isso se traduz em insumos mais caros, inflação e possíveis quebras de oferta”.

Se os Estados Unidos responderem com uma elevação das tarifas para 100%, mantendo o Brasil em 50%, a queda no PIB pode atingir 2,49%. Essa possibilidade já foi cogitada pelo presidente Donald Trump, especialmente se o Brasil mantiver relações comerciais com a Rússia, país do qual as importações somaram US$ 5,1 bilhões no primeiro semestre, queda de 4,6% em relação ao ano anterior.

Nesse cenário, as sanções resultariam em cerca de 2,2 milhões de empregos a menos e redução de R$ 40,8 bilhões em rendimentos. No quadro mais grave, com aplicação de tarifas, por ambos os países, de 100% e queda de 40% nos investimentos norte-americanos e de 30% dos demais países, o impacto seria devastador: retração de 5,68% no PIB, perda de quase 5 milhões de empregos, R$ 93 bilhões a menos em renda familiar e R$ 18,5 bilhões de queda na arrecadação.

“Os Estados Unidos são um parceiro tradicional e geograficamente estratégico para o Brasil”, afirmou Flávio Roscoe, presidente da Fiemg. “Ambos os países perdem muito com essa medida. Responder com a mesma moeda pode gerar efeitos inflacionários devastadores no Brasil. Por isso, o caminho mais inteligente é a diplomacia”, disse ao Estadão.

Donald Trump faz comentários sobre tarifas no Rose Garden da Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 2 de abril de 2025 | Foto: Reuters/Carlos Barria

A Fiemg ressalta que os impactos de uma guerra comercial atingiriam a economia de maneira desigual. Inicialmente, os exportadores seriam os mais prejudicados, mas os efeitos negativos se espalhariam rapidamente, afetando até setores voltados ao mercado interno.

O setor de equipamentos de transporte poderia ter retração de 21,6%, o que praticamente paralisaria investimentos. Siderurgia e produção de ferro-gusa veriam a produção cair 11,7%. Produtos de madeira, essenciais para emprego em várias regiões, sofreriam queda de 8,1%.

Áreas aparentemente distantes do comércio internacional, como educação privada, saúde particular, serviços domésticos e atividades imobiliárias, também teriam retrações próximas a 3%, devido ao efeito em cadeia que reduz renda, emprego e consumo em toda a economia.

Potenciais consequências imediatas das tarifas dos EUA

Mesmo sem considerar retaliação brasileira, as tarifas iniciais de 50% dos EUA já trariam forte impacto. Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apoiado pela CNI e XP Investimentos, prevê queda de 0,16 ponto porcentual no PIB, o que representa R$ 19,2 bilhões a menos e perda de 110 mil empregos.

Os Estados mais afetados seriam São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais.

Empresas como Embraer, WEG, Randoncorp e Frasle seriam diretamente impactadas. A Embraer, com 25% da receita advinda dos EUA, pode ter custo extra de até US$ 450 milhões anuais. WEG, Randoncorp e Frasle precisariam rever estratégias diante da pressão sobre margens e competitividade internacional.

A WEG é uma indústria global brasileira líder em equipamentos elétricos e automação industrial | Foto: Shutterstock

Segundo Joseph Couri, presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi), a principal consequência seria a redução da demanda, posto que os preços subiriam substancialmente, o que aumenta a inflação e derruba o poder de compra das famílias. “Com menos consumo, especialmente em setores sazonais e de bens não essenciais, a primeira reação das empresas é cancelar contratos temporários, cortar turnos e demitir.”

O agronegócio, responsável por aproximadamente 25% do PIB brasileiro, ficaria vulnerável, com exportações de proteína animal e da indústria sucroalcooleira reduzidas. As vendas de café para os EUA recuariam 6%, o que obrigaria produtores a buscarem mercados alternativos em condições menos favoráveis.

A situação mais crítica seria no setor de suco de laranja, já que os EUA são o principal destino. O aumento das tarifas poderia derrubar os preços internacionais, pois seria inviável redirecionar rapidamente volumes tão expressivos para outros mercados.

+ Leia também: “Faria Lima em pé de guerra com o governo“, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 278 da Revista Oeste

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3 comentários
  1. Edson TC
    Edson TC

    Objetivo sendo alcançado : socialismo e comunismo querem 100% de pessoas desempregadas e dependentes de governo…

  2. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    O Lula nunca foi um sujeito respeitador da verdade. Oportunista como sempre, Lula fala em SOBERANIA do Brasil em relação às tarifas do Trump, mas violou a SOBERANIA do Peru, ao mandar o UBER da FAB buscar a sua ” cumpanhêra ” igualmente CORRPTA às escondidas. Lula foi à Argentina e VIOLOU a soberania dp país ao ” cobrar ” Cristina libre “, sendo a Cristina outra CORRUPTA. O Lula sabe que pode levar um ” olé, um capote, um passa moleque ” do Trump. ” Operação dos EUA retira opositores de Maduro asilados na embaixada argentina na Venezuela.” ” Informação foi divulgada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Embaixada estava sob custódia do Brasil; Itamaraty confirmou à TV Globo operação que retirou partidários de María Corina Machado do local.” ” A embaixada da Argentina na Venezuela está sob custódia do Brasil. O Itamaraty confirmou à TV Globo que os opositores foram retirados do local.” Agora que falta combustíveis e peças para aviões da FAB, como é que o Lula acha que vai manter o Brasil SOBERANO? Uma coisa é a dura realidade, outra é o Lula comprar a velha, podre, venal, desacreditada e desimportante imprensa que apoia seus desatinos. Lula agora tem um PROBLEMA ENORME com os avanços das investigações nos Estados Unidos e vizinhos, quanto à ação da PF lulista/petista no nebuloso caso da fabricação da NÃO entrada do Filipe Martins nos Estados Unidos. Lembrando que ao ouvir a defesa do Filipe Martins perguntou ao PF Fábio Shor se ele conhecia o PF Adriano Oliveira Camargo, oficial de ligação da PF nos Estados Unidos, com ações nas instituições HCB e DHS que cuidam da IMIGRAÇÃO, o Juiz Rafael, do Gabinete do Ministro Moraes COAGIU os advogados ao dizer para eles TOMAREM CUIDADO, porque o PF Adriano Oliveira Camargo tem um irmão Juiz de Direito, uma clara AMEAÇA, COAÇÃO, e DESRESPEITO ao Devido Processo Legal. O Juiz Rafael do Gabinete do Ministro Alexandre de Moraes ao aterrorizar a defesa do Filipe Martins, abriu um horizonte de possibilidades de terem INVADIDO, ou seja, VIOLANDO A SOBERANIA dos Estados Unidos, para talvez RESPALDAR uma MENTIRA, como VERDADE. Lembremos que a Casa Branca, os Departamentos de Estado e Justiça, a CIA, o FBI, a NSA e parlamentares estão investigando com lupa as ações do Adriano, Fábio Shor e outros funcionários do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, que eventualmente tenha VIOLADO A SOBERANIA dos Estados Unidos. A se confirmar a VIOLAÇÃO, a Águia Careca vai fazer HISTÓRIA.

  3. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    O mico insiste em brigar com o gorila de 500kg

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