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Economia

Tarifaço: 'Faltou vontade de negociar', diz líder da indústria do plástico

Para José Ricardo Roriz Coelho, da Abiplast, governo Lula não se empenhou como deveria nas conversas com EUA

Trump Lula reunião Malásia outubro 2025
Trump e Lula conversam durante reunião na Malásia, em outubro de 2025 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho, disse que o Brasil pode agravar sua situação comercial ao retaliar os EUA, que impuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Roriz criticou a falta de estratégia do governo federal nas negociações e destacou que muitos produtos dos EUA são insubstituíveis no Brasil. Ele também falou sobre o programa Brasil Soberano, que visa a ajudar empresas afetadas, mas enfrenta burocracia.

O Brasil pode piorar ainda mais a sua situação comercial se decidir retaliar os Estados Unidos depois do tarifaço de 25% sobre produtos nacionais. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho, que criticou a falta de capacidade de negociação do governo brasileiro.

Segundo o líder da Abiplast, o Palácio do Planalto não se empenhou como deveria nas conversas com representantes do governo norte-americano e não adotou a melhor estratégia para evitar as tarifas.

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“É complicado falar em reciprocidade agora. Quem perderia mais ainda seríamos nós”, disse Roriz Coelho em entrevista à CNN Brasil. Segundo ele, grande parte dos produtos importados dos EUA são itens que o Brasil não tem condições de produzir internamente de forma competitiva.

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Para o presidente da Abiplast, o debate em torno das tarifas comerciais impostas pela Casa Branca vem sendo contaminado pela politização do país, principalmente em um ano eleitoral. Segundo Roriz Coelho, a reciprocidade deve ser um instrumento de negociação, e não um ato emocional.

“Faltou estratégia, faltou a capacidade de antecipação de problemas, faltou foco, faltou vontade de negociar”, criticou o presidente da Abiplast.

Socorro às empresas

Na entrevista, José Ricardo Roriz Coelho também falou sobre o programa Brasil Soberano, anunciado pelo governo federal para socorrer as empresas atingidas pelo tarifaço dos EUA.

Segundo o presidente da Abiplast, a iniciativa é bem-intencionada, mas as pequenas e as médias empresas esbarram na burocracia.

“Uma empresa não pode ficar três ou quatro meses tendo de recorrer ao mercado financeiro com essas taxas de juros para manter o seu pessoal trabalhando”, afirmou Roriz Coelho.

Em vez da criação de novos programas, segundo o chefe da Abiplast, o governo brasileiro deveria retomar as negociações com os EUA e tentar reverter ou diminuir as tarifas.

Leia também: “Galípolo, Alckmin e ministros de Lula chamam tarifaço de ‘medida injusta'”

“O objetivo agora é sentar com os norte-americanos e ver se a gente consegue aumentar essa lista de exceções que foi anunciada”, defendeu.

O novo ‘tarifaço’

A decisão do governo dos EUA de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros veio à tona na quarta-feira 15, depois de anúncio do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump, a medida começa a valer na próxima quarta-feira, 22. A tarifa atinge setores como etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Ao divulgar a medida, o órgão também publicou uma lista de produtos isentos da cobrança adicional, entre os quais carne bovina, café, petróleo e laranjas, itens de grande relevância para a pauta exportadora brasileira.

A sobretaxa decorre da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301, da Lei de Comércio, de 1974. O processo começou em julho do ano passado, quando Trump anunciou uma ofensiva comercial contra o Brasil.

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