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Economia

Vaca louca atípica não é transmissível

Em entrevista a Oeste, Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, comentou os desdobramentos por causa do touro doente encontrado no Pará

Vaca louca - carne bovina
Brasil segue com classificação de risco 'insignificante' para mal da vaca louca | Foto: AdrianR/Flickr

O caso de mal da vaca louca em Marabá, no Pará, provavelmente não é transmissível. As informações iniciais sugerem tratar-se de uma variação atípica da doença, que surge de modo espontâneo. O animal doente foi abatido. Era um que recebia alimentação a pasto e sem rações de origem animal — proibidas no Brasil. Ele tinha cerca de nove anos. Ou seja: um espécime em idade avançada.

Ainda assim, o Brasil teve de suspender as exportações de carne de bovina para a China, o maior comprador do país. Em entrevista concedida a Oeste, o professor Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, comentou o caso.

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A vaca louca não transmissível

Mal da vaca louca é o nome popular da encefalopatia espongiforme bovina (EEB). Rodrigues explicou que existem dois tipos da doença: a EEB clássica e a EEB atípica, com diferenças fundamentais entre si.

“A forma clássica ocorre, basicamente, pela ingestão pelo bovino de alguma ração de origem animal, feitas, por exemplo, com farinha de osso e de carne contaminada com uma proteína chamada prion”, disse. “Na forma atípica, que provavelmente é o caso do Pará, a proteína se desenvolve no próprio organismo do animal.”

Comparando com os seres humanos, é um processo similar ao do Alzheimer, que surge em algumas pessoas em idade avançada. “É algo próprio daquele animal e não causa a morte”, explicou. A forma clássica é diferente: a transmissão ocorre para animais e homens e a contaminação mata.

Exportações suspensas

Em meio a essas questões, Brasil e China fecharam um acordo em 2015 que suspende as exportações brasileiras sempre que um animal com os sintomas da vaca louca seja encontrado, informou Rodrigues.

A retomada ocorre com a liberação dos chineses, depois que a ocorrência for elucidada. Quando a conclusão confirma a EEB atípica, as vendas podem voltar sem a adoção de novas medidas sanitárias.

Em relação à ocorrência em Marabá, um laboratório em Alberta, no Canadá, está analisando as amostras do touro encontrado doente para atestar qual o tipo de EEB. O resultado final deve sair nos próximos dias.

Em jogo

“Em números redondos, o Brasil faturou cerca de US$ 13 bilhões em 2022 com as exportações de carne bovina”, comentou Rodrigues. “Cerca de 60% desse valor veio com as vendas para a China.”

De acordo com o professor, há a expectativa pela volta das exportações, tão logo saia a confirmação da forma atípica da doença. Contudo, ele lembra que em 2021, mesmo depois de diagnosticada a vaca louca atípica — a forma não transmissível —, a China demorou a liberar os embarques.

“Em 2021, foram confirmados dois casos de EEB atípica no Brasil e ficamos quase cem dias sem que a China permitisse a volta da exportação”, relatou. “Foi um desastre, porque os preços caíram, gerando prejuízos para o país e para o produtor.”

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