A imprensa internacional segue repercutindo o caso Master. Depois de publicações como Bloomberg e Financial Times escreverem sobre o esquema, a agência Reuters publicou uma reportagem extensa em que detalha as ações do banqueiro Daniel Vorcaro. A reportagem revela como o dono da instituição escalou o círculo íntimo da República para construir uma rede de influência que atinge ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a presidência do Congresso e o Banco Central.
Para o senador Alessandro Vieira, ouvido pela agência, as provas extraídas do celular do empresário funcionam como uma “bomba-relógio” capaz de desestabilizar o centro do poder em pleno ano eleitoral, dada a profundidade do envolvimento de figuras poderosas no esquema de fraude multibilionária.
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A reportagem internacional destaca o descompasso entre o estilo de vida de Vorcaro e a saúde financeira do Banco Master. Enquanto a instituição operava com uma liquidez crítica — possuindo apenas R$ 4 milhões em caixa em 2024, contra uma expectativa regulatória de R$ 4 bilhões —, o banqueiro financiava eventos de luxo para atrair a elite política brasileira. Em abril de 2024, Vorcaro desembolsou US$ 6 milhões em um fórum em Londres que reuniu ministros da Suprema Corte e o chefe da Polícia Federal, encerrando a agenda com uma degustação de uísque avaliada em US$ 640 mil.
Reuters destaca acesso privilegiado de Vorcaro ao Planalto
A estratégia de Vorcaro para garantir trânsito em Brasília envolveu a contratação direta de parentes de magistrados e ex-ministros. O empresário contratou Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, como advogada da instituição, embora o escritório negue atuação direta no STF. Além disso, a Reuters relembra que o ex-ministro Guido Mantega intermediou uma reunião entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2023, na qual o banqueiro tentou barrar a intervenção técnica do Banco Central ao alegar ser vítima de práticas anticompetitivas de concorrentes.
A agência também destaca que o cerco contra o banqueiro expôs métodos obscuros de intimidação. Dados periciados pela Polícia Federal revelam que Vorcaro planejava intimidar desafetos, incluindo jornalistas críticos à sua gestão, com o apoio de um comparsa identificado nas mensagens como “Sicário” — termo recorrente na linguagem de cartéis de drogas para executores. A queda de braço com os reguladores terminou na prisão de Vorcaro em um aeroporto de São Paulo, no momento em que ele questionava interlocutores sobre o sucesso em “bloquear” a ação da Justiça. O material reunido agora pressiona por uma CPI para apurar a promiscuidade entre o Banco Master e o núcleo de decisão da República.
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