As ações judiciais promovidas contra o jornalista Luís Pablo por aliados no Maranhão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganharam endosso em ao menos um veículo de comunicação. Nesta sexta-feira, 20, o site Consultor Jurídico (Conjur) ironizou os conteúdos publicados pelo profissional da imprensa e, sem provas, o acusou de ser “perseguidor” do magistrado.
O Conjur chamou Pablo de “perseguidor” de Dino ao informar que o jornalista maranhense sofreu “mais uma condenação na Justiça”. Além disso, usa aspas ao afirmar que o comunicador publica “notícias” e “reportagens” — o que dá conotação de tom irônico.
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O revés judicial de Pablo representa um caso de censura — termo que não consta no conteúdo do Conjur. A pedido de Felipe Camarão (PT), vice-governador do Maranhão e aliado público de Dino, a juíza Lívia Maria da Graça Costa Aguiar, do 10º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís, determinou a exclusão de uma reportagem.
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No material alvo de censura judicial, Pablo informa, com direito a imagens, que um homem deixou uma “mochila misteriosa” na sede da vice-governadoria maranhense. Até o momento, Camarão não explicou o que teria dentro do acessório.
Moraes fala em “perseguição” de jornalista contra Dino
A postura do Conjur, site dirigido por Márcio Chaer (que se apresenta como assessor de imprensa, não jornalista) demonstra sintonia com a postura adotada por uma ala do STF. Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa de Luís Pablo. Da residência do comunicador, em São Luís, agentes da Polícia Federal (PF) levaram um computador, dois celulares e um HD externo — equipamentos que não foram devolvidos até hoje.

Para justificar a operação, Moraes afirmou que havia indícios de que Pablo “perseguia” a família de Dino. A divisão da PF no Maranhão foi a responsável por solicitar o mandado de busca e apreensão, que contou com aval da Procuradoria-Geral da República.
A “perseguição” atribuída a Luís Pablo não passa de jornalismo. Em seu site, o jornalista informou, em novembro do ano passado, que parentes de Dino usavam de forma irregular um carro oficial que deveria ser de uso restrito à presidência e à corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão. É o que demonstra a reportagem “Liberdade de imprensa sob ataque”, publicada na Edição 314 da Revista Oeste.
"Liberdade de imprensa sob ataque". Reportagem na mais nova edição da Revista Oestehttps://t.co/B2eT9HIVwvhttps://t.co/B2eT9HIVwv
— Anderson Scardoelli (@scardoelli) March 20, 2026
Diferentemente de Moraes e do site sob direção de Chaer, veículos de comunicação e associações de jornalismo saíram em defesa de Pablo. Na lista constam, por exemplo, os jornais O Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo e Folha de S.Paulo. O mesmo ocorre com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e até com organismos internacionais, como o Comitê para Proteção de Jornalistas e a Sociedade Interamericana de Imprensa. Em geral, eles enxergam a decisão do STF como risco ao livre exercício da imprensa e de exposição da fonte.
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