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A flotilha que pode mudar a realidade de Gaza

'A quantidade de ajuda é irrisória perante as quase cem carretas diárias entregues por Israel, com mantimentos, medicamentos, equipamentos hospitalares, combustíveis etc'

Barco de militantes rumo a Gaza é atingido por drone na costa da Tunísia israel
Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila integram a Flotilha para Liberdade | Foto: Reprodução/X

A flotilha de cerca de 40 embarcações e centenas de ativistas de esquerda, que até há pouco esteve sob comando de Greta Thunberg, segue em direção à Faixa de Gaza.  

É  um projeto que atrai a mídia de todo o mundo, porém algo inócuo. Todos na flotilha sabem que os barcos serão interceptados, seus ocupantes novamente deportados, e os suprimentos que trazem serão tomados por Israel e posteriormente entregues aos palestinos de Gaza. A quantidade de ajuda é irrisória perante as quase cem carretas diárias entregues por Israel, com mantimentos, medicamentos, equipamentos hospitalares, combustíveis etc.

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Mas esse grupo de ativistas poderia perfeitamente contribuir com os palestinos em Gaza — e aqui vão um desafio e algumas ideias.

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Proponho que solicitem permissão às autoridades de Israel para entrar em Gaza e que lá permaneçam por seis meses trabalhando nas causas que defendem. Greta se dedicará a defender suas pautas: a igualdade das mulheres e o respeito ao meio ambiente, usando seus gritos em imensos comícios em praças públicas, onde condenará a liderança do Hamas por cavar túneis sob escolas ou por usar hospitais como depósito de armas.

Os brasileiros 

Thiago Ávila, Mariana Conti e Gabrielle Tolotti, todos do Psol, se comprometem a defender os ideais do marxismo e a separação da ligação religião/Estado bem como promover em Gaza as duas principais bandeiras de seu partido: o identitarismo, a que dá voz a grupos como lésbicas e gays e o feminismo, que prega direitos iguais as mulheres, incluindo a forma de vestir-se, libertação de poderes patriarcais e a promoção dos direitos das mulheres. Embora  o Hamas promova esses valores, os membros do Psol serão baluartes da mudança, usando sua voz na luta por seus princípios.

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Magno de Carvalho, do Sintusp, deve se comprometer a pregar as três colunas básicas do seu sindicato: a luta pelo fim da exploração, da opressão e do autoritarismo — exatamente o que o Hamas faz em Gaza desde que tomou o poder, em 2007. Como sindicalista convicto, certamente enfrentará o Hamas com a mesma veemência que enfrenta as lideranças universitárias e governamentais em São Paulo.

E os europeus que estão na flotilha?

A portuguesa Mariana Mortágua, deputada lésbica, defensora dos direitos LGBT e dos direitos das mulheres, pode trazer sua mulher, Joana Pires Teixeira. Juntas, poderão lutar contra o constante assassinato de gays e lésbicas bem como organizar uma Parada Gay tão grande como as que organiza em Portugal.

Miguel Duarte, o mais conhecido batalhador pela entrada de ilegais na Europa, pode organizar grandes levas de imigrantes de Gaza para países como Itália, Reino Unido e Alemanha, como fez recentemente com outros ilegais.

A franco-síria Rima Hassan, conhecida por sua luta constante contra o apartheid, buscará mudar as leis palestinas que condenam à morte quem vende terras a judeus. Ela também buscará mudar o apartheid, que não permite sequer um único judeu de viver na Palestina, provavelmente o único lugar no mundo onde não há judeus.

O professor Antônio Mazzeo, da Itália, o mais ferrenho defensor da paz, detentor de diversos prêmios por defender a desmilitarização, tratará de convencer a Jihad Islâmica, o Hamas e a FPLP a se desfazerem de suas armas e a mudarem suas constituições com o abandono da luta armada e ao se tornar paladinos da paz. Ele provavelmente conseguirá mudar suas bandeiras: em vez de mostrarem metralhadoras, mostrarão pombas brancas.

Poderia me alongar sobre muitos outros participantes. Mas cada um deles, aceitando os exemplos acima, usará sua capacidade de argumentação, para promover os mesmos valores que promovem em seus países e continentes.

Então, membros da flotilha: aceitam o desafio?

Leia também: “A grande hipocrisia”, reportagem de Miriam Sanger publicada na Edição 287 da Revista Oeste


Por Marcos L Süsskind.

3 comentários
  1. Ricardo Fonseca Alves
    Ricardo Fonseca Alves

    Sensacional! Parabéns pela iniciativa e conte com o meu apoio!

  2. Rubem B.
    Rubem B.

    Os espertos e corajosos frangos que lutaram bravamente para defender o funcionamento do abatedouro de aves. Inspirador.

    1. Rubem B.
      Rubem B.

      Não sei se teria a ver ou não com a situação aqui descrita na matéria… mas me veio a mente essa frase.

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