A ‘versão capitalista’ de Bill Clinton alavancou a economia dos EUA

É o que mostra o colunista William A. Galston, em artigo publicado no The Wall Street Journal
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Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos
Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Flickr

Durante as últimas décadas, uma crítica ao “neoliberalismo” tornou-se generalizada na ala “progressista” do Partido Democrata, diz o colunista William A. Galston, em artigo publicado no The Wall Street Journal. Mas os principais líderes democratas adotaram políticas pró-mercado em suas gestões.

Em nome da eficiência e do crescimento econômico, o ex-presidente Jimmy Carter desregulamentou as companhias áreas. A administração do ex-presidente Bill Clinton, por sua vez, defendeu o livre-comércio e o fluxo irrestrito de capital por meio das fronteiras nacionais. Em resposta à Grande Recessão, ocorrida entre 2007 e 2009, os conselheiros econômicos do ex-presidente Barack Obama se concentraram na saúde dos grandes bancos.

“O problema, alegam os críticos, é que essas políticas ignoram os norte-americanos desfavorecidos, que não se beneficiam de políticas voltadas para o mercado”, escreve Galston. “Os mercados, dizem, são indiferentes a políticas que buscam mais igualdade. O foco no crescimento vem à custa da justiça, que existe para exigir benefícios e oportunidades a grupos marginalizados.”

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Os democratas costumam dizer que a administração Clinton foi o momento em que o establishment do partido foi superado pelas ideias liberais. Os norte-americanos pobres e da classe trabalhadora pagaram o preço, afirmam, visto que os salários estão mais baixos. Mas os dados oficiais contam outra história.

“Durante oito anos do governo Clinton, o crescimento anual do Produto Interno Bruto atingiu uma média robusta de 3,8%, enquanto a inflação foi contida, com média de 2,6%”, diz o colunista. As folhas de pagamentos aumentaram em quase US$ 23 milhões (US$ 239 mil por mês). O desemprego caiu de mais de 7%, em janeiro de 1993, para menos de 4%, em abril de 2020. No fim do segundo mandato, o índice de desempregou ficou em 4,2%. O rendimento médio real das família aumentou aproximadamente 14%.

“Clinton herdou um déficit orçamentário substancial”, afirma Galston. “Apesar disso, um grupo de funcionários do governo, liderado pelo secretário do Trabalho, Roberto Reich, instou-o a propor um grande pacote de estímulo para acelerar o crescimento econômico e reduzir o desemprego mais rapidamente. Ele recusou a oferta e se concentrou em reduzir a inflação e as taxas de juros, a fim de criar as condições necessárias para o crescimento de longo prazo. Durante o governo, os gastos federais proporcionais ao PIB caíram de 21% para 17,5%, e a dívida federal proporcional ao PIB caiu de 61% para 55%.

A taxa de pobreza diminuiu durante o governo Clinton em quase um quarto, de 15% para 11%, perto da baixa histórica. E caiu ainda mais rápido entre as minorias — 8,1 pontos porcentuais para hispânicos e 10,9 pontos para negros.

E a distribuição dos ganhos do crescimento econômico? “Os ganhos de renda para as famílias de classe trabalhadora igualaram a média nacional, e os ganhos para os trabalhadores pobres aumentaram ainda mais rápido”, salientou Galston. “As famílias brancas ganharam uma média de 13,9%, mas as minorias ganharam ainda mais: 22% para hispânicos e 31,5% para negros.”

Durante o governo Clinton, os norte-americanos não foram forçados a escolher entre crescimento alto e inflação baixa ou entre crescimento agregado e justiça para os pobres. “Isso ajuda a explicar por que a aprovação do cargo de Clinton era de 65% quando deixou o cargo”, observa Galston.

Leia mais: “A moralidade dos mercados”, artigo de Ubiratan Jorge Iorio publicado na Edição 53 da Revista Oeste

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