Apple pede a fornecedores de Taiwan que rotulem produtos com Made in China

A empresa norte-americana quer evitar inspeções alfandegárias rigorosas, atrasos e até retenção de carregamentos
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Apple já removeu emoji com bandeira taiwanesa em Hong Kong e na China
Apple já removeu emoji com bandeira taiwanesa em Hong Kong e na China | Foto: Reprodução/Pixabay

Temendo sanções do Partido Comunista da China, na semana passada a Apple pediu a fornecedores de Taiwan que rotulem seus produtos como sendo fabricados na China. A empresa norte-americana quer evitar as rigorosas inspeções alfandegárias chinesas que poderiam gerar a interrupção no fornecimento de produtos.

O pedido da Apple vem em decorrência do aumento da hostilidade da China para com os Estados Unidos e Taiwan. Recentemente, a ilha recebeu a visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA.

A presença de Nancy Pelosi no território resultou em sanções econômicas contra Taiwan, fim de acordos de cooperação e exercícios militares nos arredores da ilha. 

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Reportagem publicada pelo The Nikkei, um dos maiores jornais de finanças do mundo, informa que os executivos da Apple pediram agilidade na nova rotulagem, que deve conter a expressão “Taiwan, China” ou “Taiwan chinês”. A frase Made in Taiwan pode levar a atrasos, multas e até a rejeição de uma remessa inteira. A própria Taiwan exige que as exportações sejam rotuladas com o ponto de origem, que é Taiwan.

O pedido da Apple aos fornecedores taiwaneses foi feito depois que embarques de Taiwan para Pegatron, uma das fornecedoras da empresa norte-americana localizada na China, foram retidos na quinta-feira 4. Os funcionários alfandegários inspecionaram minuciosamente formulários e rotulagem dos produtos despachados para a Pegatron.

O momento é sensível para a Apple, já que seus fornecedores estão preparando componentes para seus próximos iPhones e outros produtos, que serão lançados a partir de setembro.

Pequim vê Taiwan como parte de seu território e se opõe fortemente a que altos funcionários dos EUA, como a presidente da Câmara, Pelosi, façam visitas diplomáticas formais à ilha.

A exigência de que os fornecedores neguem a existência de Taiwan como país independente gerou críticas de todo o mundo. A GreatFire, que trabalha contra a censura chinesa on-line, observou que a medida é como outra já adotada pela empresa norte-americana, que removeu a bandeira de Taiwan dos teclados emoji para usuários na China e em Hong Kong. “É uma questão de tempo até que a Apple comece a remover aplicativos cujo nome contenha a palavra ‘Taiwan’ sem que seja especificado ‘província da China’”, criticou a organização.

A Apple não deu entrevista ao Nikkei Asia para comentar a decisão.

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