A apreensão do petroleiro venezuelano Skipper pelos Estados Unidos, no Caribe, não apenas interrompeu um carregamento destinado a Cuba: ela expôs engrenagens de um esquema antigo, mas pouco transparente, pelo qual Caracas envia petróleo subsidiado à ilha e Havana revende parte do produto para a China, garantindo receita ao regime.
O navio, que deixou a Venezuela em 4 de dezembro com barris de petróleo bruto pesado, tornou-se o elo que trouxe à superfície o funcionamento dessa rede financeira paralela construída pelo ditador Nicolás Maduro com o regime cubano. As informações são do jornal O Globo.
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Segundo dados da PDVSA, o Skipper tinha como destino formal o porto de Matanzas, em Cuba. Mas os movimentos do navio, mapeados pela empresa de rastreamento Kpler, mostram um fluxo mais complexo: depois de dois dias de viagem, parte da carga — cerca de 50 mil barris — foi transferida ao Neptune 6, que seguiu para Havana. O restante foi mantido a bordo enquanto o Skipper partiu para o leste, supostamente rumo à Ásia, segundo um funcionário do governo dos EUA.
O modelo não é novo. Há décadas, Venezuela e Cuba operam um sistema de envio contínuo de petróleo subsidiado à ilha. Em troca, Havana despacha médicos, treinadores esportivos e agentes de segurança.
Mas, nos últimos anos, fontes próximas à PDVSA e documentos internos mostram que a maior parte do petróleo destinado a Cuba não chega ao consumo interno da ilha: é revendida à China, gerando caixa a Havana em meio ao colapso econômico local.
Como funciona o circuito Venezuela–Cuba–China
Além do subsídio venezuelano, a operação possui um articulador central: o empresário panamenho Ramón Carretero. Documentos obtidos pela imprensa internacional indicam que ele intermediou um quarto de todas as exportações de petróleo da Venezuela em 2025. Carretero e suas empresas — agora sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA — são a ponte logística entre PDVSA, Cubametales e compradores chineses.
Ainda segundo o jornal O Globo, os números revelam a expansão do esquema:
- Cubametales aumentou os contratos para cerca de 65 mil barris/dia em 2025, um salto de 29% em relação a 2024;
- O volume é sete vezes maior do que em 2023;
- Embora Cuba declare receber 1,1 milhão de barris, apenas parte chega à ilha, enquanto o restante segue para a China.
Mesmo com o aumento dos carregamentos, Cuba segue enfrentando apagões e crise energética. O petróleo recebido oficialmente não cobre a demanda interna — reforçando a tese de que o recurso é usado prioritariamente para gerar receita externa.
Reação à apreensão
A operação de apreensão ocorreu no mar entre Granada e Trinidad, quando agentes americanos desembarcaram de helicóptero no Skipper. Vídeos divulgados pelo próprio governo dos EUA mostram que não houve resistência por parte da tripulação. Segundo autoridades americanas, a carga — avaliada em dezenas de milhões de dólares — deverá ser levada a um porto no Texas.
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A reação do regime de Nicolás Maduro foi imediata, o classificou a operação dos Estados Unidos como “ato de pirataria e terrorismo marítimo”.
“Esta ação faz parte da escalada dos EUA com o objetivo de impedir o direito legítimo da Venezuela de usar e comercializar livremente seus recursos naturais com outras nações, incluindo o fornecimento de hidrocarbonetos a Cuba”, afirmou a ditadura.
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Caracas também protestou. O ministro venezuelano das Comunicações, Freddy Ñáñez, disse tratar-se de “pirataria, sequestro, roubo de propriedade privada e execuções extrajudiciais em águas internacionais”.






































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