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Astrônomos descobrem as estrelas mais distantes da Via Láctea

Elas podem estar localizadas a mais de 1 milhão de anos-luz do planeta habitado por humanos

estrelas mais distantes via láctea
Mais de 200 estrelas foram descobertas | Foto: Reprodução/Flickr/Jorge Rojas

Astrônomos da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, detectaram no halo estelar (região do espaço ao redor das galáxias espirais) um grupo de estrelas mais distante da Terra, nos limites externos da Via láctea, quase a meio caminho de uma galáxia vizinha. O estudo foi apresentado na última semana em uma reunião da American Astronomical Society, em Seattle.

Os cientistas disseram que o grupo, com 208 estrelas denominadas RR Lyrae, habitam “nos confins mais remotos do halo da Via láctea”. Naquele lugar, há uma nuvem estelar esférica, dominada por uma substância invisível chamada “matéria escura”, detectada apenas por sua influência gravitacional. A estrela mais distante está a 1,08 milhão de anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância em que a luz percorre em um ano — 9,5 trilhões de quilômetros.

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Ilustração de como seriam os halos interno e externo da Via Láctea
Ilustração de como seriam os halos interno e externo da Via Láctea | Foto: Divulgação/A. Feild / STScl/ESA/NASA

As estrelas, vistas pelo Telescópio Canadá-França-Havaí, na montanha Mauna Kea, no Havaí, possuem massa relativamente baixa e poucos elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio. Elas se destacam por sua luminosidade. A massa da estrela mais distante equivale a quase 70% da massa do Sol.

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“Nossa interpretação sobre a origem dessas estrelas distantes é que elas provavelmente nasceram nos halos de galáxias anãs e aglomerados estelares que foram posteriormente fundidos — ou mais diretamente, canibalizados — pela Via Láctea”, disse Yuting Feng, doutor em astronomia pela Universidade da Califórnia, que liderou o estudo.

De acordo com Feng, “suas galáxias hospedeiras foram fragmentadas e digeridas gravitacionalmente, mas essas estrelas são deixadas a uma grande distância como detritos do evento de fusão”.

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“A galáxia maior cresce comendo galáxias menores, comendo sua própria espécie”, explicou o coautor do estudo Raja GuhaThakurta, presidente de astronomia e astrofísica da UC Santa Cruz.

O halo da Via Láctea é consideravelmente maior do que o disco principal da galáxia, e a protuberância central repleta de estrelas. A galáxia, que contém um buraco negro maciço em seu centro, a cerca de 26 mil anos-luz da Terra, pode ter entre 100 a 400 bilhões de estrelas. O halo contém cerca de 5% das estrelas da galáxia.

Leia mais: “A privatização do espaço”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 17 da Revista Oeste

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