China amplia vigilância de redes sociais ocidentais

Partido Comunista tem o objetivo de modelar a opinião pública por meio da propaganda e da censura
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Xi Jinping é o líder da ditadura chinesa
Xi Jinping é o líder da ditadura chinesa | Foto: Reprodução/Flickr

A China está vigiando as redes sociais ocidentais, incluindo o Facebook e o Twitter, para informar seus órgãos governamentais, militares e policiais sobre possíveis alvos estrangeiros. A informação foi divulgada ontem, sexta-feira 31, pelo jornal norte-americano The Washington Post.

O Partido Comunista Chinês (PCC) mantém uma rede nacional de serviços de vigilância de dados, chamados Softwares de Análise de Opinião Pública, que foram desenvolvidos na última década para alertar os integrantes do governo sobre as informações politicamente sensíveis ao país asiático.

O programa tem como alvo principalmente os usuários de internet domésticos. No entanto, os documentos analisados pelo The Washington Post mostram que, desde o início de 2020, os softwares começaram a coletar dados de possíveis alvos estrangeiros a partir do Twitter, Facebook e outras redes sociais.

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Em junho de 2020, o Twitter suspendeu cerca de 23 mil contas ligadas ao Partido Comunista. Os usuários estavam secretamente espalhando propaganda para minar os protestos pró-democracia em Hong Kong. Em dezembro de 2021, o Twitter removeu mais 2 mil contas ligadas a Pequim.

Segundo o The Washington Post, o novo sistema de vigilância de dados está sendo adquirido pelas agências de notícias do governo, pelos veículos de imprensa estatais, pelos departamentos de propaganda, pela polícia, pelos militares e pelos reguladores cibernéticos.

O software, avaliado em US$ 320 mil, busca informações através do Twitter e do Facebook para criar um banco de dados de jornalistas e acadêmicos estrangeiros. Também faz parte da rede de vigilância de Pequim um programa de Inteligência, avaliado em US$ 216 mil, que analisa as conversas de potências ocidentais sobre Hong Kong e Taiwan (duas ilhas democráticas cobiçadas pelos comunistas). Por fim, há um centro cibernético instalado na região de Xinjiang para catalogar informações na língua dos uigures — a minoria muçulmana que é perseguida pela ditadura comandada por Xi Jinping.

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Parte do orçamento do PCC é destinado à compra de contas de redes sociais estrangeiras para que sejam usadas pela polícia e pelo departamento de propaganda do governo chinês. Isso permite que a análise de possíveis alvos localizados no exterior seja mais detalhada.

Essa rede de vigilância inclui desde softwares simples e automatizados até projetos que custam centenas de milhares de dólares. Também fazem parte desse projeto intelectuais e especialistas em política externa.

Todas as operações descritas acima têm uma função importante para Pequim. O Partido Comunista chama essas atividades de “Trabalho de Orientação da Opinião Pública”, que visa a modelar o sentimento das pessoas, por meio da propaganda e da censura, em favor da ditadura chinesa.

É difícil definir com exatidão a quantidade de integrantes dessa rede de vigilância. Em 2014, o jornal China Daily informou que mais de 2 milhões de pessoas trabalhavam como analistas de opinião pública. Em 2018, o periódico People’s Daily mostrou que a indústria de vigilância valia dezenas de bilhões de iuanes, o equivalente a bilhões de dólares, com crescimento anual de 50%.

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11 comentários Ver comentários

  1. Para reverter essa dominação mundial silenciosa que é sangrenta e dissimulada precisamos de união, foco e muita ATITUDE, não será possível com homens fracos e palavras ao vento. Os homens de bem precisam acordar!

  2. A China já domina as Big Techs americanas e já domina e controla a politica no mundo e particularmente na AL. Comprar órgãos de imprensa, políticos e juízes corruptos é a base dessa dominação.

  3. Eles estao bastante ativos no Quora, tanto na versao em Portugues quando em Ingles. Resolvi aprender Portugues a alguns anos atras, e alem de YouTube, comecei a visualizar conteudos no Quota.pt Fiquei impressionado que, para todos comentario mais realista sobre as coisas Chinesas, tais como, falta de liberdade, perseguicao de Muslins, ‘grande muralha electronica’ (fire-wall que impede os Chineses de acessar Google, por exemple), sempre havia pessoas, inclusive perfis Brasileiros, tentando denegrir as informacoes e atacando os mensageiros. Se disser por exemplo, que COVID veio da China, entao havera um batalhao de perfis fazendo downvote to impedir que sua mensagem seja distribuida para outras pessoas… Isso eh real, e muito perigoso porque eles tem muito dinheiro para gastar nisso.

  4. Por aqui a preocupação não deve ser tão grande (por enquanto!). Aqui já está dominado. Mas tende a piorar. Se Bolsonaro se reeleger, a China vai classificar o Brasil como “uma província rebelde”.

  5. Gostaria muito que a China viesse vigiar os produtos que eles fabricaram e deixaram de funcionar no primeiro uso e que embora baratos no conjunto dão um prejuízo considerável; também gostaria que vigiassem os direitos de patentes que foram violados enquanto escravizavam a população para fabrica-los.

  6. Não vou opinar sobre esse assunto, por não ter informações a respeito. Mas quero informar que notei nos últimos dias uma ofensiva que ainda parece ser fraca mas que está a aumentar, de sites de esquerda, tipo Brasil 247 e outros que estão aparecendo no Youtube e em vídeos curtos no smartphone sem que tenham sido solicitados pelo usuário. E não adianta marcar como “não tenho interesse”, que o site volta no próximo acesso. Eu digo isso por ser algo que não existia antes, não sei se há algum conluio dessas redes com essa esquerda.

    1. Pode ter certeza de que a guerra nas redes em 2022 será diferente da que aconteceu em 2018. Agor as redes já mostraram o seu lado, e contam com a conivência do Alto Judiciário (STF-TSE). Os disparos em massa serão punidos até com prisão, segundo o Alexandre Moraes. Mas todo mundo sabe para quem ele estava apontando a arma quando disse isso.

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