Com política de ‘covid zero’, Hong Kong tem redução recorde de população

Perseguição a dissidentes do regime comunista também contribui para o êxodo populacional
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É a maior queda populacional desde que o censo começou a ser feito, em 1961
É a maior queda populacional desde que o censo começou a ser feito, em 1961 | Foto: Reprodução/Pixabay

Em 2021, Hong Kong, uma região semiautônoma no sudeste da China, teve declínio populacional de mais de 110 mil pessoas, segundo estimativas divulgadas na quinta-feira 12 pelo governo. O número representa 1,6% do total da população, de 7,3 milhões de habitantes. O principal motivo do êxodo é a política de covid zero implantada em toda a China, que confina pessoas em suas casas ou cidades inteiras desde o início da pandemia de covid-19 na região, em janeiro de 2020, e a perseguição aos dissidentes do regime comunista.

De acordo com as estimativas, o número de 113 mil emigrantes registrado entre meados de 2021 e meados de 2022 é um recorde em um período de 12 meses, desde o primeiro censo, realizado em 1961. As restrições impostas durante a pandemia “interromperam o influxo populacional”, justificou um porta-voz do governo do centro financeiro.

O declínio populacional também faz parte de uma tendência mais ampla de êxodo em Hong Kong, motivada pela falta de liberdade no território. Muitos moradores estão optando por se mudar para o exterior, em resposta à repressão de Pequim à dissidência depois dos protestos pró-democracia de 2019.

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A população do território começou a diminuir em 2020, e o declínio não mostra sinais de parar, segundo dados do governo. Hong Kong está isolada do mundo há mais de dois anos por causa das rígidas medidas. Neste ano, quando as medidas restritivas foram endurecidas diante do aumento do número de casos, as partidas de residentes por via aérea ultrapassaram 2 mil pessoas por dia, enquanto poucas chegadas foram registradas.

O governo sempre minimizou essas saídas, dizendo que muitos retornarão um dia ou poderão ser substituídos por residentes da China continental. As autoridades atribuem em parte o declínio populacional à baixa taxa de natalidade da cidade, cuja população está envelhecendo e tem uma das menores taxas de fertilidade da Ásia.

No ano passado, Hong Kong registrou 26,5 mil mortes a mais do que nascimentos e 11,9 mil a mais no ano anterior. A imigração da China continental já foi um importante fator demográfico em Hong Kong, mas os números recentes permaneceram baixos devido ao fechamento de fronteiras.

Leia mais: “A insanidade da ‘covid zero’ na China”, reportagem publicada na Edição 112 da Revista Oeste.

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