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Como a invasão da Ucrânia mudou a História

Os países passaram a debater o propósito da Otan e também alteraram suas políticas externas e de defesa

Giorgia Meloni, primeira ministra da Itália (à esquerda) e Riikka Purra, política finlandesa do Partido dos Verdadeiros Finlandeses (à direita)
Capa da Revista Oeste, edição 160. Mãe carrega uma lata de água na cabeça ao lado da filha na cidade de Guaribas, no Piauí, onde não existe água encanada e as pessoas vivem em situação precária. Foto de 2/02/2003, gestão Dilma Rousseff

A invasão da Ucrânia pela Rússia representa um ponto de virada na história contemporânea, escreveu o colunista William A. Galston, em artigo publicado no The Wall Street Journal.

Em primeiro lugar, o conflito no Leste Europeu trouxe à superfície o debate sobre o propósito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Estender o guarda-chuva protetor da aliança militar à Europa Central e aos Países Bálticos, por exemplo, resultou nos bombardeios em Kiev. Em virtude desses ataques, Finlândia e Suécia deixaram para trás o ceticismo em relação à Otan e anunciaram que pretendem se aproximar dos países ocidentais.

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“A Otan emergirá da guerra como uma força defensiva mais unida e eficaz”, afirmou Galston. “À medida que seus integrantes transferem os estoques de armas da era soviética para o governo do presidente Volodymyr Zelensky, os Estados Unidos devem substitui-las por armas mais modernas, que podem ser operadas em conjunto por toda a aliança.”

Em segundo lugar, o confronto de russos e ucranianos transformou a Alemanha. A maior potência econômica da Europa abandonou uma política externa e de defesa moldada pelas memórias da Segunda Guerra Mundial e prometeu reconstruir suas Forças Armadas. Berlim também pretende expandir seus gastos militares para 2% do Produto Interno Bruto.

Em terceiro lugar, a guerra está forçando a Europa a reduzir sua dependência da energia russa. Como mostrou Oeste, o Kremlin impôs sanções ao comércio de gás natural com os países do continente. “Em uma era de suprimentos afetados por altos preços, isso será doloroso”, observou Galston. “Mesmo a Alemanha, cujos extensos laços energéticos com a Rússia têm sido uma fraqueza estratégica para o Ocidente, percebe que não há alternativa.”

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No fim de sua gestão, a ex-chanceler Angela Merkel adotou políticas para comprar energia a preços mais baixos. Isso resultou no aumento das importações russas, que representaram 55% do consumo de gás do país, 50% do consumo de carvão e 35% do consumo de petróleo. Na época, a Alemanha passou a ser o maior comprador mundial de gás natural russo e um dos países mais dependentes de Moscou na União Europeia (UE).

“Na próxima década, a Europa deve acelerar sua transição para fontes de energia renovável e substituir os combustíveis fósseis russos por suprimentos do Oriente Médio, da África e dos Estados Unidos”, disse o colunista. “Entre outras medidas, isso requer um planejamento para construir as instalações de que os portos europeus precisam, a fim de conseguirem receber grandes carregamentos de gás natural liquefeito.”

Nesse caso, as potências ocidentais devem prestar mais atenção à estabilidade política e às condições econômicas dos países africanos. Isso também significa que os EUA devem ajudar a Europa com a política energética, de maneira a equilibrar as preocupações de longo prazo sobre as “mudanças climáticas” com o fornecimento de combustíveis fósseis que os países europeus precisarão para enfrentar uma década conturbada.

“A guerra na Ucrânia fortaleceu algumas formas de pensar sobre geopolítica, mas também enfraqueceu outras”, ponderou Galston. “Por exemplo, não é mais possível acreditar, como muitos fizeram antes da Primeira Guerra Mundial e novamente depois do colapso da União Soviética, que considerações econômicas dominam a política e tornam algumas medidas impensáveis.”

O conflito no Leste Europeu também deve derrubar a economia russa, o que poderá levar a um declínio no padrão de vida da população. Elvira Nabiullina, chefe do Banco Central da Rússia, entendeu as consequências desse confronto e, em protesto, resolveu renunciar ao cargo. “Putin não se comoveu”, afirmou Galston. “O desejo de eliminar uma ameaça à sua legitimidade e realizar seu sonho de recriar o império russo teve prioridade.”

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A guerra também golpeou líderes políticos conservadores, que viam Putin como um defensor dos valores tradicionais, da família, da religião e do nacionalismo. Nos EUA, por exemplo, apoiadores do ex-presidente Donald Trump se juntaram a democratas e republicanos “não trumpistas” para condenar a invasão russa.

Finalmente, diz Galston, a invasão russa forçou Washington a mudar seu foco para enfrentar ameaças internacionais. “Sim, questões importantes como a pobreza e os fluxos de imigração desencadeados por conflitos e privações permanecem na agenda”, considerou. “Mas, para o futuro, os desafios da Rússia e da China devem ser o centro das atenções.”

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2 comentários
  1. Evandro Carlos
    Evandro Carlos

    Putin foi muito esperto em invadir Ucrânia quando ocidente estava preocupada em lockdown e cancelamentos idiotas, além dos EUA eleger um presidente abestado. O próximo país a utilizar esta tática será a China. Rússia preparou-se para as consequências e é única a lucrar com a guerra. Europa é dependente da Rússia e não fará nada estrutural. Só conversa para a mídia se entreter.

  2. Andre mendonça
    Andre mendonça

    O feitiço virou contra o feiticeiro…. E a Rússia de Putim se transformará na maior ilha da Terra. A não ser que ele seja retirado do poder. Nenhum ditador permanece no poder após perder uma guerra.

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