Consultoria chinesa contraria governo e defende fim da política de ‘covid zero’

Postagens com alerta sobre estagnação e recessão foram apagadas de rede social
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Criança recebe dose da vacina contra covid, em Pequim
Criança recebe dose da vacina contra covid, em Pequim | Foto: Divulgação/Xinha

Em uma rara manifestação de discordância em relação às decisões do Partido Comunista Chinês, uma empresa de consultoria da China defendeu o fim das restrições impostas pela política de covid zero e alertou para uma possível estagnação do país.

O Centro de Pesquisas Anbound, que se define como uma consultoria independente e tem escritórios na Malásia e na China, não deu detalhes sobre as possíveis mudanças na política de covid zero, mas disse que o governo do presidente Xi Jinping precisa concentrar esforços para reverter a desaceleração econômica.

Também destaca que os Estados Unidos, a Europa e o Japão estão se recuperando economicamente, após aliviarem medidas de combate à doença. “Prevenir o risco de uma estagnação econômica deveria ser a tarefa prioritária”, defendeu a consultoria.

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O relatório, com data de domingo 28, foi divulgado nas contas do instituto na plataforma de mensagens WeChat e no serviço de microblog Sina Weibo, mas foi apagado de ambos nesta segunda-feira, 29.

Mesmo pequenas demonstrações públicas de discordância com a política oficial são praticamente desconhecidas na China, sobretudo neste ano, considerado “politicamente sensível”, já que em novembro será realizado o Congresso do PCC, com a eleição dos novos do comitê executivo da legenda, o Politburo. O evento deve reconduzir Xi Jinping como líder máximo do país para um terceiro mandato, mesmo com a economia em frangalhos.

Economistas advertem que a China precisa impulsionar o crescimento econômico, que desacelerou para 2,5% no primeiro semestre de 2022, representando menos da metade da meta oficial de 5,5% estipulada para este ano. Desde março, Xangai e outros centros industriais praticamente foram paralisados como forma de evitar surtos da doença.

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3 comentários Ver comentários

  1. Faço uma comparação com o tempo da guerra fria e do muro que separava as Alemanhas ocidental e oriental. Nenhum alemão “ocidental” queria ir para o lado ocidental, mas o inverso era o oposto.
    Os chineses que saem daquele país também não voltam.

  2. O comentário da empresa de consultoria foi ingênuo: a China não está combatendo a COVID-19, mas a especulação desenfreada com ações de empresas chinesas, commodities vendidas à China (minério de ferro, soja, frango, etc.) e nos mercados imobiliário e bancário. É muito mais um freio de arrumação do que um controle sanitário de doença(s) contagiosa(s). Por tabela o Partido Comunista mostra a todos quem manda no pedaço.

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