Controle do Talibã no Afeganistão ameaça a liberdade das mulheres

Afegãs sofrem especialmente com o terror dos jihadistas
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Mulheres e meninas afegãs serão radicalmente afetadas com a ascensão do Talibã
Mulheres e meninas afegãs serão radicalmente afetadas com a ascensão do Talibã | Foto: Reprodução/Twitter

O Talibã assumiu o controle do Afeganistão no último domingo, 15, ao tomar a capital do país, Cabul. Com a chegada do grupo terrorista, a vida da população local deve mudar radicalmente, especialmente a das mulheres, que sofrem em demasia com a repressão dos jihadistas.

Quando o grupo fundamentalista islâmico governou o país por cinco anos, entre 1996 e 2001, ficaram proibidos a educação de meninas e o trabalho feminino. Para sair de casa ou viajar, as moças precisavam ser acompanhadas por um parente do sexo masculino; e aquelas acusadas de adultério eram apedrejadas.

Leia também: “O inferno afegão em nova fase”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 58 da Revista Oeste

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O receio da volta do Talibã pôde ser constatado desde antes da tomada do poder de fato pelo grupo. Quando os terroristas ainda avançavam sobre as cidades em poder do governo, cerca de 250 mil afegãos fugiram em direção a Cabul, visto como último refúgio pela população. De acordo com a Agência da ONU para Refugiados, 80% desse total eram mulheres ou crianças.

Mesmo antes de derrubar o governo, o Talibã começou a aterrorizar mulheres e meninas com ameaças de casamentos forçados, sequestro e violência física, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Na semana passada, famílias da província de Takhar que se deslocaram para Cabul em razão do avanço dos fundamentalistas relataram que meninas foram detidas e chicoteadas por usarem “sandálias reveladoras”.

Leia mais: “A tragédia do Afeganistão envergonha o Ocidente”, artigo de Tim Black, da Spiked, publicado na Edição 73 da Revista Oeste

Em Cabul, as mulheres se prepararam para o possível governo do Talibã antes mesmo da chegada dos terroristas. As vendas de burcas — vestimenta que cobre todo o corpo, deixando espaço apenas para os olhos — dispararam na capital, segundo o jornal The Guardian. Uma mulher ouvida pelo periódico britânico reclamou da alta nos preços da vestimenta. “No ano passado, essas mesmas burcas custavam 200 afeganes [o equivalente a R$ 13]”, explicou. “Agora, eles tentam nos vender por 2 mil ou 3 mil afeganes [entre R$ 130 e R$ 195].”

O uso obrigatório da burca é o símbolo mais emblemático da opressão do Talibã sobre as mulheres afegãs. Zarmina Kakar, uma ativista pelos direitos das mulheres em Cabul, tinha apenas 1 ano quando os jihadistas chegaram ao governo pela primeira vez, em 1996, mas recorda como a mãe foi chicoteada em público ao revelar o rosto por alguns minutos, ao comprar um sorvete para a filha.

A vida antes do Talibã

Numa época anterior à ocupação soviética (1979-1989) no Afeganistão, as mulheres tinham suas liberdades individuais preservadas — podiam votar e representavam metade dos funcionários públicos do país em meados da década de 1990.

Leia também: “Biden volta a defender decisão de retirar militares do Afeganistão”

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