Em meio à crise energética, Reino Unido libera técnica de exploração de gás condenada por ambientalistas 

O fracking, técnica de bombear água com produtos químicos em alta pressão para extrair óleo e gás de rochas, estava proibida desde 2019
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Secretário de Negócios e Energia do Reino Unido, Jacob Rees-Mogg | Foto: Reprodução/Flicker
Secretário de Negócios e Energia do Reino Unido, Jacob Rees-Mogg | Foto: Reprodução/Flicker

O Reino Unido suspendeu formalmente nesta quinta-feira, 22, uma proibição em vigor desde 2019 contra a exploração de  gás por meio do fracking, técnica de bombear água com produtos químicos em alta pressão para extrair óleo e gás de rochas. O governo liberou a prática afirmando que o fortalecimento da produção de energia no país é uma “prioridade absoluta”.

No primeiro discurso depois da posse, em 6 de setembro, a primeira-ministra Liz Truss colocou a crise energética ao lado de saúde e economia como prioridades do governo. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, os preços da energia dispararam em toda a Europa — o governo russo diminuiu consideravelmente o fornecimento de gás e, em agosto, suspendeu por tempo indeterminado a operação do principal gasoduto para a Europa, o Nord Stream 1.

O Reino Unido anunciou um pacote de subsídio das contas para residências por dois anos e para empresas, por seis meses, a um custo previsto de mais de £ 100 bilhões de libras (US$ 113 bilhões ou R$ 584 bilhões). A primeira-ministra já tinha anunciado que permitiria o fracking onde fosse apoiado pelas comunidades.

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O secretário de Negócios e Energia, Jacob Rees-Mogg, disse nesta quinta-feira que todas as fontes de energia precisam ser exploradas para aumentar a produção doméstica, “portanto, é certo que suspendemos a proibição para perceber quaisquer fontes potenciais de gás doméstico”.

O fracking, que tem sofrido oposição de grupos ambientalistas e algumas comunidades locais, foi banido depois que o órgão regulador do setor disse que não era possível prever a magnitude dos terremotos que poderia desencadear.

Empresas comemoram decisão

A empresa Cuadrilla Resources, que pertence ao grupo australiano AJ Lucas, tinha os poços de fraturamento mais avançados do Reino Unido e encontrou duas reservas de gás natural. Porém, com a proibição acabou suspendendo as operações. Agora, com o anúncio, disse que vai retomar as operações e tem o compromisso de devolver uma parte de qualquer receita de gás de xisto às comunidades locais.

“Levantar a proibição ajudará a indústria de xisto a liberar gás natural terrestre do Reino Unido em quantidades suficientes para atender às necessidades do Reino Unido nas próximas décadas”, disse o CEO da Cuadrilla, Francis Egan, à Agência Reuters.

O gigante de produtos químicos e energia Ineos, que detém várias licenças britânicas de exploração de gás de xisto, disse que o governo deve tratar o tema como “uma prioridade nacional de infraestrutura”.

Especialistas dizem que o reinício da indústria não fará nada para aliviar os preços da energia neste inverno porque o setor levaria alguns anos para se desenvolver e não se sabe qual a real capacidade de produção.

“Mesmo que os riscos sejam administráveis ​​e aceitáveis, o gás de xisto só teria um impacto significativo no fornecimento do Reino Unido se, na próxima década, milhares de poços bem-sucedidos fossem perfurados”, disse à Reuters Andrew Aplin, professor honorário da Universidade de Durham.

Fracking
Ambientalistas fizeram inúmeros protestos para proibir fracking no Reino Unido | Foto: Reprodução/Flickr

Tremores de terra

Um relatório, solicitado pelo governo e publicado nesta quinta-feira, 22, pelo Serviço Geológico Britânico (BGS), disse que continua sendo um desafio estimar o impacto sísmico que o fracking poderia ter no país, já que a atividade foi explorada por pouco tempo.

O maior tremor causado pelo fracking no Reino Unido ocorreu nas proximidades de um poço da Cuadrilla, em Blackpool, norte da Inglaterra, em 2011, registrando uma magnitude de 2,3 graus na escala Richter. Os moradores disseram que foram acordados pelo tremor. Depois disso, o governo introduziu um sistema para suspender o trabalho se fosse detectada atividade sísmica de 0,5 graus ou superior.

O governo disse que o reinício da perfuração permitirá a coleta de mais dados e “construção de uma compreensão de como o gás de xisto pode ser extraído com segurança onde houver apoio local”.

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