A política dos EUA em relação à guerra na Ucrânia sofreu uma reviravolta. Agora, Washington decidiu compartilhar informações de Inteligência com Kiev, a fim de apoiar os ataques ucranianos contra refinarias, oleodutos e redes elétricas na Rússia. Segundo o Wall Street Journal, essa medida marca uma das mudanças mais significativas da Casa Branca desde o retorno de Donald Trump à Presidência.
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A Ucrânia já utiliza apoio de Inteligência dos EUA para operações terrestres e algumas incursões em território russo, mas Washington deve passar a fornecer dados que aumentarão a precisão dos ataques. Com isso, Kiev poderá atingir alvos estratégicos a grandes distâncias da linha de combate.
A mudança dos EUA
O Pentágono, até o momento, não comentou o assunto. O Wall Street Journal reportou, ao citar uma fonte do Departamento da Guerra, que o comando militar norte-americano aguarda orientações detalhadas sobre o tipo e o modo de compartilhamento dessas informações com os ucranianos.
Além da Inteligência, cresce a expectativa de que os EUA confirmem o envio dos mísseis Tomahawk, capazes de atingir alvos a até 2,5 mil km, o que ampliaria significativamente a capacidade de Kiev para atacar instalações em toda a Rússia. O vice-presidente J.D. Vance afirmou recentemente que a solicitação feita pelo governo ucraniano está sob avaliação pela Casa Branca.
Desde o começo do conflito, Washington evitava autorizar o uso de armamentos norte-americanos em solo russo. O governo norte-americano tinha receio de que isso fosse visto por Moscou como envolvimento direto dos EUA. No entanto, diante do prolongamento dos combates e da intensificação dos ataques russos, Donald Trump tem demonstrado impaciência com o posicionamento de Vladimir Putin.
No mês de julho, Trump questionou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sobre a possibilidade de atacar Moscou. Como resposta, ouviu que isso dependeria do fornecimento de armamentos ocidentais. Na ocasião, o jornal Financial Times revelou que a lista de pedidos incluía os mísseis Tomahawk. Em agosto, Trump se reuniu com Putin no Alasca, mas o encontro terminou sem acordo de paz.
Reações da Rússia
Nesta quinta-feira, 2, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, declarou a jornalistas que “uma possível decisão dos EUA de fornecer os Tomahawk a Kiev exigirá uma resposta adequada da Rússia”.
No cenário interno russo, os ataques a refinarias cresceram em 2025 e reforçam a crise de combustíveis enfrentada pelo país. De acordo com a BBC, a Ucrânia atingiu 21 das 38 maiores refinarias desde janeiro.
Uma unidade no Bascortostão, por exemplo, foi atacada duas vezes. Já a refinaria de Ryazan, próxima a Moscou e com capacidade para 340 mil barris diários, sofreu cinco ataques. A capacidade de refino caiu 17% por conta de ataques, realizados em sua maioria por drones.
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