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Ex-ministros de Petro são formalmente acusados de corrupção

O indiciamento envolve contratos públicos milionários para garantir apoio político a reformas no Congresso

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pouco depois de assumir o comando do Executivo - 07/08/2022 | Foto: Divulgação/Gustavo Petro/Instagram

Dois ex-ministros que atuaram no governo de Gustavo Petro, presidente da Colômbia, foram formalmente acusados por promotores colombianos de corrupção ao manipularem contratos de alto valor para conquistar apoio parlamentar a projetos do Executivo. As denúncias vieram a público nesta segunda-feira, 1º.

Ricardo Bonilla, ex-ministro da Fazenda, e Luis Fernando Velasco, ex-ministro do Interior, terão de responder por favorecimento ilícito em contratos, conspiração criminosa e suborno. Ambos podem ser condenados a até 27 anos de prisão, mas não admitiram culpa até o momento, segundo informações da agência Associated Press (AP).

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Durante audiência em Bogotá, Bonilla, de 75 anos, defendeu sua atuação. “Cumpri plenamente minhas funções como ministro da Fazenda… Tenho certeza de que não cometi nenhum crime e defenderei minha inocência”, afirmou.

Velasco deixou o Ministério do Interior em junho de 2024, período em que denúncias sobre corrupção já surgiam. Em dezembro, Petro solicitou a saída de Bonilla. O presidente colombiano declarou inocência do auxiliar e justificou o afastamento ao dizer que “a extrema direita queria destruí-lo”.

Detalhes das investigações e alcance das fraudes

De acordo com a procuradora María Cristina Patiño, os ex-ministros, outros servidores e alguns parlamentares teriam conspirado para direcionar contratos do Instituto Nacional de Estradas e da UNGRD, órgão de resposta a emergências, com o objetivo de beneficiar aliados no Congresso.

Durante a sessão judicial em Bogotá, María Cristina declarou que “eles lideraram, promoveram e dirigiram a organização criminosa… dando ordens, coordenando reuniões e supervisionando as atividades ilícitas” nos órgãos públicos.

A procuradora detalhou que a possível manipulação de programas de interesse de congressistas teria servido para aprovar projetos centrais do governo, como a reforma da previdência — já sancionada — e a reforma da saúde, que segue em tramitação. Segundo María Cristina Patiño, mais de 70 projetos em órgãos estatais acabaram desviados, mas somente sete teriam sido concluídos, supostamente devido à interferência de ex-ministros e servidores investigados.

No mesmo processo, outros gestores da UNGRD foram denunciados, e ex-presidentes do Senado e da Câmara dos Representantes acabaram presos sob suspeita de receber propina.

Petro pede desculpa por caso de corrupção

Gustavo Petro pediu desculpa pelo caso de corrupção em 2024. Ele afirmou a responsabilidade na nomeação do ex-diretor da UNGRD, investigado pelo Ministério Público. Contudo, o presidente colombiano negou subornos a parlamentares ou envolvimento direto da cúpula do governo nas irregularidades.

+ Leia também: “Colômbia sem paz“, reportagem de Eugênio Goussinsky publicada na Edição 287 da Revista Oeste

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