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Líder da Venezuela diz que país está 'de braços abertos’ para anistiados

Aprovada na última quinta-feira, 19, a lei de anistia no país possibilita o retorno de exilados e a libertação de presos políticos

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, promulgou a Lei de Anistia geral nesta quinta, 19: "Porta para a reconciliação" | Foto: Reprodução/X
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, promulgou a Lei de Anistia geral nesta quinta, 19: 'Porta para a reconciliação'| Foto: Reprodução/X

A lei de anistia aprovada na Venezuela na última quinta-feira, 19, abriu espaço para o retorno de exilados, segundo anunciou Delcy Rodríguez, líder interina do país, nesta segunda-feira, 23.

Em rede nacional, ela declarou que o governo está disposto a receber de volta os cidadãos venezuelanos que desejem retornar. Ainda destacou o momento como um processo de “cura do ódio”.

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Delcy Rodríguez, anteriormente vice-presidente, assumiu interinamente o cargo depois da destituição do ditador Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro, em operação militar liderada pelos Estados Unidos.

Estima-se que cerca de 7 milhões de venezuelanos tenham deixado o país em razão da instabilidade política e econômica, incluindo diversos opositores no exílio.

Libertação de presos políticos e repercussão

A lei de anistia, aprovada pelo Parlamento depois de adiamento por falta de consenso e sob pressão de familiares de presos, permitiu a libertação de 379 pessoas detidas por razões políticas na sexta-feira 20.

Entre os beneficiados está Juan Pablo Guanipa, aliado da líder opositora María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025. Ele anunciou estar “totalmente livre” depois de sua soltura.

Leia mais: “As vozes de quem fugiu da ditadura”, reportagem de Rachel Díaz publicada na Edição 304 da Revista Oeste

Guanipa, preso por nove meses sob acusação de conspiração, havia sido libertado em 8 de fevereiro, mas foi novamente detido por suposta violação da liberdade condicional. Ele permaneceu em prisão domiciliar desde então.

Apesar de 448 opositores já terem recebido liberdade condicional depois da queda de Maduro, quase 650 pessoas ainda estavam presas antes da última liberação.

Críticas à abrangência da anistia na Venezuela

Bandeira da Venezuela | Foto: Reprodução/ONU
Bandeira da Venezuela | Foto: Reprodução/ONU

Organizações de direitos humanos questionam a abrangência da anistia. Elas sugerem que centenas de detidos, entre eles militares acusados de terrorismo, podem não ser contemplados. Delcy agradeceu o apoio à lei, mas criticou setores que, segundo ela, “não estão fazendo uma leitura correta do que está ocorrendo no país”.

O governo interino opera sob forte influência dos Estados Unidos, que controlam o comando político e as operações do petróleo venezuelano. Na semana passada, Delcy reuniu-se em Caracas com o chefe do Comando Sul dos EUA, além dos ministros Vladimir Padrino e Diosdado Cabello.

Leia também: “A ditadura sem ditador”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 304 da Revista Oeste

“Tive que me sentar com os algozes de nossos heróis e heroínas de 3 de janeiro”, declarou Delcy. “E o fiz pela Venezuela.”

O país sul-americano solicita a libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, ambos detidos em Nova York, onde respondem a acusações de narcotráfico. Maduro se define como “prisioneiro de guerra”.

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