publicidade
Mundo

Mapa babilônico de 3 mil anos revela suposta localização da Arca de Noé

Barco bíblico estaria onde hoje está a Turquia

Mapa de três mil anos indica a localização da Arca de Noé | Foto: Divulgação/The British Museum
Mapa de três mil anos indica a localização da Arca de Noé | Foto: Divulgação/The British Museum

Cientistas decifraram o mapa mais antigo do mundo, gravado em uma placa de argila de cerca de 3 mil anos. Entre os desenhos, o mapa apresenta a suposta localização da Arca de Noé. O artefato babilônico, conhecido como Imago Mundi, mostra um diagrama circular com um sistema de escrita cuneiforme que descrevia a criação do mundo.

Pesquisadores do Museu Britânico, onde a placa está guardada, revelaram que o verso da tábua descreve o que um viajante verá em sua jornada. Uma parte do artefato mostra que o leitor deve atravessar “sete léguas… [para] ver algo que é grosso como um vaso de parsiktu“.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

A palavra parsiktu foi encontrada em outras tábuas babilônicas antigas, especificamente para explicar o tamanho de um barco necessário para sobreviver ao Grande Dilúvio. Os pesquisadores seguiram as instruções e encontraram um caminho até Urartu, onde um poema mesopotâmico antigo afirma que um homem e sua família desembarcaram uma arca para preservar a vida.

A localização corresponde ao equivalente assírio de Ararat, palavra hebraica para a montanha onde Noé teria aportado a embarcação bíblica construída com o mesmo propósito.

Dr. Irving Finkel, curador do Museu Britânico, considera que isso demonstra que ambas as civilizações compartilhavam da mesma história e que, “do ponto de vista babilônico”, a Arca e o Dilúvio eram considerados fatos históricos. A descoberta foi publicada na imprensa britânica nesta segunda-feira, 28.

Dr. Irving Finkel diz que ambas as civilizações acreditavam em uma espécie de Arca de Noé | Foto: Divulgação/The British Museum
Dr. Irving Finkel diz que ambas as civilizações acreditavam em uma espécie de Arca de Noé | Foto: Divulgação/The British Museum

O Imago Mundi, também chamado de Mapa Babilônico do Mundo, foi descoberto em 1882 pelo arqueólogo Hormuzd Rassam em Sippar, uma antiga cidade babilônica no que hoje é o Iraque.

O texto antigo, escrito em cuneiforme, era utilizado exclusivamente pelos babilônios, que registravam eventos astronômicos, previsões futuras e um mapa que se pensava ser o “mundo conhecido” na época.

Na parte inferior central do mapa está a Mesopotâmia, cercada por um círculo que representa um “rio amargo” que acreditava-se envolver o mundo todo. A tábua foi danificada com o tempo, mas anteriormente apresentava oito triângulos que os pesquisadores identificaram como montanhas, que combinavam com as descrições no verso.

Dr. Finkel explica que o texto detalha como o viajante eventualmente chegará a uma grande embarcação. “Essa medida de parsiktu é algo que chama atenção de um assiriólogo, pois só é mencionada uma outra vez em tábuas cuneiformes e é uma descrição interessante do tipo de Arca que foi construída, teoricamente, pelo Noé babilônico”, disse o pesquisador.

Arca de Noé da Babilônia

A versão babilônica da história afirma que o deus Ea enviou um dilúvio que aniquilou toda a humanidade, exceto Utnapishtim e sua família, que construíram uma arca sob comando divino e a encheram de animais.

“Neste relato, os detalhes são descritos, e o deus diz: ‘Você tem que fazer isso, isso e isso,’ e então o Noé babilônico responde: ‘Eu fiz isso, isso e isso. Concluí!’ E eu fiz essas estruturas tão espessas quanto um vaso de parsiktu,” disse Dr. Finkel.

A história do Dilúvio de Gilgamesh é conhecida por placas de argila que datam de cerca de 3 mil anos atrás, enquanto o Dilúvio Bíblico teria ocorrido há cerca de 5 mil anos. Dr. Finkel explicou que qualquer um que viajasse até Urartu veria, teoricamente, o “esqueleto” de madeira da embarcação na montanha, semelhante à que aparece na Bíblia.

A Bíblia afirma que a arca se instalou nas montanhas de Ararat, na Turquia, depois de um dilúvio de 150 dias que inundou a Terra e destruiu toda forma de vida que não estivesse abrigada na embarcação de madeira.

A Arca de Noé no Monte Ararat, por Simon de Myle (1570) | Imagem: Sotheby's Paris/Wikimedia Commons
A Arca de Noé no Monte Ararat, por Simon de Myle (1570) | Imagem: Sotheby’s Paris/Wikimedia Commons

A ideia de que a arca pousou em Ararat é cercada por controvérsia, pois alguns cientistas acreditam que a formação foi criada pela natureza, enquanto outros estão certos de que foi um ato divino.

Uma equipe de especialistas liderada pela Universidade Técnica de Istambul tem escavado a montanha por anos. Em 2023, os pesquisadores encontraram argila, materiais marinhos e frutos do mar que indicam a presença humana entre 3 mil e 5 mil anos atrás.

No entanto, o Dr. Andrew Snelling, um criacionista da Terra jovem com doutorado da Universidade de Sydney, já havia dito que o Monte Ararat não poderia ser o local da arca, pois a montanha teria se formado apenas depois do recuo das águas do dilúvio. Embora considerado um evento histórico, a maioria dos estudiosos e arqueólogos não acredita em uma interpretação literal da história da Arca.

Leia também: “A nova Torre de Babel”, artigo de Bruno Garschagen publicado na Edição 34 da Revista Oeste

Leia mais:

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade